﻿{"id":1129,"date":"2018-12-20T19:55:02","date_gmt":"2018-12-20T19:55:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/?p=1129"},"modified":"2025-02-06T03:24:25","modified_gmt":"2025-02-06T06:24:25","slug":"politica-monetaria-e-rumores-para-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/politica-monetaria-e-rumores-para-2019\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica monet\u00e1ria e rumores para 2019"},"content":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 12\/12, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central (BC) divulgou a sua decis\u00e3o sobre os rumos dos juros no Brasil. A Selic foi mantida em 6,5% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. O comunicado divulgado ap\u00f3s a decis\u00e3o trouxe uma s\u00e9rie de elementos importantes que embasaram a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em linha com o comunicado, a Ata do Copom divulgada no dia 18\/12 refor\u00e7aram tais elementos e trouxeram mais detalhes importantes. Uma das vari\u00e1veis-chave foi a sinaliza\u00e7\u00e3o de que com o atual ritmo de recupera\u00e7\u00e3o da economia a infla\u00e7\u00e3o tende a ficar abaixo do esperado.<\/p>\n<p>O \u00edndice oficial de pre\u00e7os (IPCA), j\u00e1 havia fechado o ano de 2017 abaixo do limite inferior da meta estabelecida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN). Em 2018, o \u00edndice custou a apresentar resultados mais fortes. Cabe lembrar que a meta foi fixada em 4,5%, com margem de toler\u00e2ncia de 1,5 ponto percentual.  Para 2019 e 2020, a meta foi reduzida para 4,25% e 4%, respectivamente. A margem de toler\u00e2ncia n\u00e3o foi alterada.<\/p>\n<p>O copom diz que debateu mais uma vez sobre a conveni\u00eancia de sinaliza\u00e7\u00e3o sobre o futuro da Selic. Entretanto, todos os membros do comit\u00ea concordaram que a atual conjuntura recomenda manuten\u00e7\u00e3o de maior flexibilidade para condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Essa decis\u00e3o implica abster-se de fornecer indica\u00e7\u00f5es sobre seus pr\u00f3ximos passos.<br \/>\nNo documento, contudo, o Copom diz que no cen\u00e1rio com taxa Selic constante em 6,5% ao ano e taxa de c\u00e2mbio em R$ 3,85, as proje\u00e7\u00f5es para a infla\u00e7\u00e3o ficam em torno de 3,7% e 4% para 2019 e 2020. As estimativas est\u00e3o abaixo da meta de infla\u00e7\u00e3o que deve ser perseguida pelo Bacen.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o da divulga\u00e7\u00e3o do \u00cdndice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), foi poss\u00edvel notar que apesar de algumas condi\u00e7\u00f5es conjunturais favor\u00e1veis \u00e0 retomada de um crescimento econ\u00f4mico mais forte (infla\u00e7\u00e3o controlada e juros mais baixos), fatores como a qualidade da recupera\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho \u2013 baseada em empregos de qualidade inferior \u2013 e o spread banc\u00e1rio elevado, impedem tal retomada mais robusta do consumo e, por conseguinte, da economia.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o da Selic continua dependendo da evolu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, dos riscos e das proje\u00e7\u00f5es e expectativas de infla\u00e7\u00e3o e, portanto, deve permanecer em 6,5% no pr\u00f3ximo ano. E s\u00e3o justamente os riscos que chamam a aten\u00e7\u00e3o na avalia\u00e7\u00e3o do Copom. Dois deles em especial: as reformas na economia brasileira e a conjuntura internacional.<\/p>\n<p>Sobre as reformas, h\u00e1 um consenso entre economistas que elas s\u00e3o essenciais para colocar a economia nos eixos. A aprova\u00e7\u00e3o das reformas n\u00e3o ser\u00e1 para colocar o Estado como indutor do crescimento, mas apenas para que o estoque da d\u00edvida n\u00e3o aumente ainda mais. Assim, conforme a ata do Copom, a continuidade do processo de reformas e ajustes na economia brasileira \u201c\u00e9 essencial para a manuten\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o baixa no m\u00e9dio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recupera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da economia\u201d.<\/p>\n<p>Sob a \u00f3tica da conjuntura internacional, a ata do Copom foi clara ao afirmar que \u201co cen\u00e1rio externo permanece desafiador para economias emergentes, sendo os principais riscos aqueles associados ao aumento da avers\u00e3o a risco nos mercados internacionais, \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o das taxas de juros em algumas economias avan\u00e7adas e \u00e0s incertezas referentes ao com\u00e9rcio global\u201d<br \/>\nDiversos aspectos pesam contra a Selic e, especialmente, contra o Real. A guerra comercial, o problema do or\u00e7amento italiano e seu dilema com a Comiss\u00e3o Europeia, os problemas na Fran\u00e7a, o desenrolar do Brexit, a degrada\u00e7\u00e3o da economia da Argentina e a preocupa\u00e7\u00e3o que ronda o n\u00edvel de endividamento privado dos pa\u00edses do leste asi\u00e1tico s\u00e3o apenas alguns desses fatores.<\/p>\n<p>Mas o processo de normaliza\u00e7\u00e3o das taxas de juros nos EUA e em outras economias \u00e9 um ponto de forte tens\u00e3o. No dia 19\/12, o Federal Reserve (Fed, banco central estadunidense), por meio do Fomc (Federal Open Market Committee, equivalente ao nosso Copom), optou por elevar a taxa de juros dos EUA.<\/p>\n<p>O Fomc elevou os juros em 0,25 ponto percentual (da faixa de 2% a 2,25% para a faixa de 2,25% a 2,5% ao ano), o que era esperado pelo mercado. O grande impacto, contudo, ficou por conta das sinaliza\u00e7\u00f5es para o pr\u00f3ximo ano. Dada a situa\u00e7\u00e3o da conjuntura internacional e as incertezas que rondam a economia estadunidense, o mercado n\u00e3o contava com sinaliza\u00e7\u00f5es de novas altas de juros para 2019. Entretanto, o Fomc sinalizou mais 2 altas.<\/p>\n<p>A sinaliza\u00e7\u00e3o preocupa, pois h\u00e1 um temor de que os EUA passar\u00e3o por uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais forte em meio \u00e0s tens\u00f5es comerciais com a China, ao enfraquecimento do impulso dado pelos cortes tribut\u00e1rios e ao aperto das condi\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias para as empresas. Nesse sentido, os juros mais elevados podem trazer mais for\u00e7a para uma poss\u00edvel recess\u00e3o entre o final de 2019 e 2020.<br \/>\nA rea\u00e7\u00e3o do mercado foi imediata.  No Brasil, o \u00edndice da bolsa de valores (Ibovespa), que registrava fortes ganhos de quase 2% ao longo do dia, registrou uma queda de mais de 1% de olho na decis\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria dos EUA. Ap\u00f3s o susto, o Ibovespa se recuperou, mas o d\u00f3lar, por sua vez, registrava queda e seguiu nessa tend\u00eancia. O Banco Central precisou intervir no mercado com swaps cambiais para conter uma queda mais forte do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>O pronunciamento do chairman do Fed, Jerome Powell, apesar de ter revertido o susto no mercado acion\u00e1rio brasileiro, derrubou os mercados estadunidenses, com Dow Jones e S&amp;P500 caindo 1,5% na reta final da sess\u00e3o.<\/p>\n<p>Todo esse contexto torna o cen\u00e1rio para o c\u00e2mbio ainda mais nebuloso. O Copom foi prudente em n\u00e3o sinalizar a trajet\u00f3ria da Selic, mantendo certa cautela com o balan\u00e7o de riscos. O Fomc foi desafiador, especialmente por peitar o presidente Donald Trump com sua sinaliza\u00e7\u00e3o, uma vez que Trump j\u00e1 havia criticado a a\u00e7\u00e3o do Fed.<\/p>\n<p>Devemos lembrar que, com a manuten\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio base, a combina\u00e7\u00e3o das vari\u00e1veis externas, concentradas nos movimentos da Guerra Comercial, e internas, como a perspectiva das reformas, apontam para a manuten\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio desvalorizado. Assim sendo, se a crise esperada pela maior parte dos analistas se confirmar, o cen\u00e1rio de um real desvalorizado se acentua.<\/p>\n<p>Em resumo, a pol\u00edtica monet\u00e1ria adotada pelos Bancos Centrais do Brasil e dos Estados Unidos mostram que h\u00e1 uma expectativa de esfriamento do ritmo de crescimento da economia global, ademais, as expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Selic, que giravam em torno de 8% ao final de 2019 passou para 6,5%, enquanto que nos Estados Unidos espera-se apenas dois movimentos nos juros no ano que vem, menos que os tr\u00eas esperados antes da reuni\u00e3o desta semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 12\/12, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central (BC) divulgou a sua decis\u00e3o sobre os rumos dos juros no Brasil. A Selic foi mantida em 6,5% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. 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