﻿{"id":1169,"date":"2018-12-28T15:35:01","date_gmt":"2018-12-28T15:35:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/?p=1169"},"modified":"2025-02-06T03:24:33","modified_gmt":"2025-02-06T06:24:33","slug":"tensao-nos-estados-unidos-o-cenario-economico-para-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/tensao-nos-estados-unidos-o-cenario-economico-para-2019\/","title":{"rendered":"Tens\u00e3o nos Estados Unidos: cen\u00e1rio em 2019"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Conflitos de interesses entre Trump e o Banco Federal Americano (Fed) criam tens\u00e3o econ\u00f4mica para 2019. Trump parece estar equilibrado em uma delicada rede que pode <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O crescimento da maior economia do mundo tem sido alvo de intenso debate, muitas d\u00favidas e incertezas. Por um lado, \u00e9 ineg\u00e1vel que a economia estadunidense tem crescido fortemente nos \u00faltimos trimestres.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sinais de um aquecimento bastante robusto em 2018 s\u00e3o evidentes. O resultado do 3\u00ba trimestre foi de 3,4% e do 2\u00ba trimestre havia sido de 4,2%, ambos na compara\u00e7\u00e3o com o trimestre imediatamente anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o interanual, o PIB dos Estados Unidos avan\u00e7ou 3% no terceiro trimestre deste ano. Trata-se da taxa mais elevada desde o segundo trimestre de 2015, quando a economia havia crescido 3,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o crescimento acelerado da economia dos Estados Unidos conta com a forte atua\u00e7\u00e3o do Estado. A m\u00e9dia anual de gastos do governo no produto total entre os terceiros trimestres de 2017 e 2018 foi de USD 3,16 trilh\u00f5es, ou cerca de 17,1% do PIB total.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos quatro trimestres a contribui\u00e7\u00e3o dos gastos do governo no crescimento do produto saltou para 13%, ante contribui\u00e7\u00e3o negativa de 3% nos quatro trimestres imediatamente anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Este contexto coloca em xeque a sustentabilidade do crescimento estadunidense. Desde Keynes h\u00e1 um certo consenso quanto a import\u00e2ncia da atua\u00e7\u00e3o do Estado na economia. Este consenso retornou ap\u00f3s a crise de 2008 e o presidente dos EUA Donald Trump, com algumas ressalvas, tem sido fiel a cartilha.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito a a\u00e7\u00e3o do Estado na economia, existem algumas maneiras de isso ocorrer. Via de regra, duas s\u00e3o as mais comuns: via pol\u00edtica fiscal e via pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma briga de Tit\u00e3s<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em uma atitude at\u00edpica por parte dos Republicanos, Trump tem desafiado o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central estadunidense) Jerome Powell.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa manobra \u00e9 considerada pouco convencional, pois o Federal Reserve System, desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1913, \u00e9 uma estrutura independente do governo central.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, as provoca\u00e7\u00f5es de Trump e o posicionamento incisivo de Powell lan\u00e7am mais d\u00favidas quanto ao futuro da pol\u00edtica monet\u00e1ria dos Estados Unidos para 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 de costume, o presidente dos Estados Unidos usou as redes sociais para desmentir os rumores sobre o desgaste entre ele e o presidente do Fed. Apesar de Trump ter desmentindo os rumores sobre uma poss\u00edvel demiss\u00e3o de Powell, claramente h\u00e1 um desgaste na rela\u00e7\u00e3o entre os presidentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Trump, prestes a ingressar na segunda metade do seu mandato, quer gerar crescimento a qualquer custo (America Great Again), Powell, rec\u00e9m-chegado no Fed, preocupa-se em manter o n\u00edvel de pre\u00e7os sob controle numa economia que aponta para um crescimento acima do potencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, por parte do presidente Trump vale tudo para continuar crescendo, ainda que esse crescimento seja em marcha for\u00e7ada nos pr\u00f3ximos trimestres. Enquanto isso, a vis\u00e3o do Fed \u00e9 um pouco distinta, ou seja, \u00e9 melhor recolher-se agora e evitar algum descontrole inflacion\u00e1rio \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A vis\u00e3o do Fed<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Fed por meio do Federal Open Market Committee (FOMC, equivalente ao nosso Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria &#8211; Copom), elevou a taxa b\u00e1sica de juros dos Estados Unidos ao longo de 2018 em quatro oportunidades. Desse modo, a taxa de juros, que come\u00e7ou o ano em 1,5% chega nesse final de ano na casa dos 2,5% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte do esfor\u00e7o do FOMC estava ligado ao aumento dos pre\u00e7os, que saltaram de 2,1% em dezembro de 2017 para 2,9% em julho de 2018. O Fed, no entanto, usa o n\u00facleo da infla\u00e7\u00e3o como par\u00e2metro. Nesta m\u00e9trica, desconsidera as varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os do setor de alimentos e energia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar deste indicador mostrar uma varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os mais branda, a infla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apareceu. Em julho de 2018, a varia\u00e7\u00e3o anual de pre\u00e7os foi de 2,4%, maior varia\u00e7\u00e3o anual para os meses de julho desde julho de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro indicador no radar do Banco Central dos Estados Unidos \u00e9 o desemprego, cujo percentual atingiu a m\u00ednima desde dezembro de 1969. Ent\u00e3o se os dados da economia s\u00e3o t\u00e3o bons &#8211; PIB e desemprego &#8211; por que os Estados Unidos ainda indicam que 2019 contar\u00e1 com mais dois apertos monet\u00e1rios?<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira resposta est\u00e1 presente na forte influ\u00eancia do estado na composi\u00e7\u00e3o do PIB. Parte do robusto crescimento vem das a\u00e7\u00f5es, grosso modo, de pol\u00edtica fiscal. Em dezembro de 2017, o presidente Trump sancionou a lei que estabeleceu uma reforma tribut\u00e1ria com forte redu\u00e7\u00e3o de impostos para empresas e as grandes rendas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com estudo do Escrit\u00f3rio Independente de Or\u00e7amento do Congresso (CBO, na sigla em ingl\u00eas), a reforma somar\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/cotacao\/cotacao-dolar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"USD (opens in a new tab)\">USD<\/a> 1,45 trilh\u00f5es ao d\u00e9ficit nacional dos EUA na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Com o aprofundamento dos d\u00e9ficits fiscais, colocando em d\u00favida a capacidade do governo continuar estimulando a economia, qual o caminho que a economia dos Estados Unidos trilhar\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Futuro da economia dos Estados Unidos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Outro indicador preocupante diz respeito \u00e0 qualidade dos empregos gerados na economia estadunidense. Ocorre que parte dos empregos gerados s\u00e3o de baixo rendimento, ou seja, empregos com baixos sal\u00e1rios. Apesar de extraordin\u00e1rio o fato de a maior economia do mundo registrar um dos menores n\u00edveis de desemprego de sua hist\u00f3ria, os dados sobre o mercado de trabalho s\u00e3o vistos com desconfian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas norte-americanas estariam surfando numa onda tempor\u00e1ria de sal\u00e1rios e impostos menores, insustent\u00e1veis no longo prazo. Em outras palavras, Trump est\u00e1 na melhor parte de um equil\u00edbrio muito delicado entre oferta e demanda de emprego nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que parece convergir agora s\u00e3o as distintas opini\u00f5es de Trump e Powell. O Fed enviou um recado preocupante na \u00faltima reuni\u00e3o. Ao inv\u00e9s de tr\u00eas novos aumentos de juros em 2019, o pr\u00f3prio banco central espera apenas dois novos aumentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Federal Reserve parece esperar, ent\u00e3o, algum resfriamento da economia a partir de 2019. Esse resfriamento pode ser conduzido principalmente pelos efeitos da guerra comercial, dos problemas fiscais da Europa, al\u00e9m da pr\u00f3pria armadilha fiscal nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 fundamental n\u00e3o perdermos de vista que, em meio essa \u201codisseia trumpiana\u201d, a expectativa de esfriamento do ritmo de crescimento da economia estadunidense que, com toda certeza, impactar\u00e1 a economia global, est\u00e1 presente na leitura do Fed e de boa parte dos analistas ao redor do globo.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir disso, dependendo do tamanho da tormenta, mesmo que o Fed suspenda os dois aumentos previstos para o ano que vem, a economia n\u00e3o deve responder e o presidente Trump pode ver-se de m\u00e3os atadas em meio a uma recess\u00e3o, eleva\u00e7\u00e3o do desemprego, d\u00f3lar mais valorizado e um d\u00e9ficit fiscal dif\u00edcil de manejar.<\/p>\n\n\n\n<p> <em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/andr%C3%A9-galhardo-fernandes-159043a3\/\" target=\"_blank\">Andr\u00e9 Galhardo<\/a>\u00a0\u00e9 economista-chefe da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.analiseeconomica.com.br\/index\/\" target=\"_blank\">An\u00e1lise Econ\u00f4mica Consultoria<\/a>, professor e coordenador universit\u00e1rio nos cursos de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas. Mestre em Economia Pol\u00edtica pela PUC-SP, possui ampla experi\u00eancia em an\u00e1lise de conjuntura econ\u00f4mica nacional e internacional, com passagens pelo setor p\u00fablico.<\/em> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conflitos de interesses entre Trump e o Banco Federal Americano (Fed) criam tens\u00e3o econ\u00f4mica para 2019. Trump parece estar equilibrado em uma delicada rede que pode O crescimento da maior economia do mundo tem sido alvo de intenso debate, muitas d\u00favidas e incertezas. 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