﻿{"id":18367,"date":"2020-07-17T10:50:41","date_gmt":"2020-07-17T10:50:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/?p=18367"},"modified":"2020-07-17T13:58:39","modified_gmt":"2020-07-17T13:58:39","slug":"a-retomada-da-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/a-retomada-da-economia-brasileira\/","title":{"rendered":"A retomada da economia brasileira"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Vis\u00e3o Geral<\/h3>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o da profundidade da crise que estamos vivendo, virou lugar comum a discuss\u00e3o sobre a retomada da economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns analistas falam em uma retomada mais forte decorrente das pr\u00f3prias caracter\u00edsticas desta crise, ou seja, j\u00e1 que a queda ser\u00e1 aguda, a retomada tamb\u00e9m pode ser r\u00e1pida e resolutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros apontam os problemas estruturais da brasileiros como impedimento a uma retomada mais robusta em mais breve.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, a retomada da economia brasileira ser\u00e1 r\u00e1pida? Robusta? Qual o impacto disso nas nossas vidas? E no c\u00e2mbio?<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhe nossa an\u00e1lise a seguir.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As outras retomadas: a crise das pontocom<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00f3s poder\u00edamos falar da r\u00e1pida retomada da economia brasileira na crise de 1929, quando o ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas lan\u00e7ou m\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para salvar o setor cafeeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o cavaremos t\u00e3o fundo. Vamos falar de tempos mais recentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre o fim dos anos 1990 e in\u00edcio dos anos 2000, o mundo viveu uma importante crise econ\u00f4mica, decorrente da frustra\u00e7\u00e3o com o desempenho das empresas de tecnologia e comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O evento ficou conhecido como a bolha das pontocom.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ter entrado em recess\u00e3o t\u00e9cnica nos segundo e terceiro trimestres de 1999, o pa\u00eds fechou aquele ano com 0,5% de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no ano 2000 o crescimento foi de 4,4%, afastando de vez o problema relacionado \u00e0 volatilidade produzida pela crise econ\u00f4mica internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bem verdade que em 2001, o crescimento desceu para 1,4% em decorr\u00eancia da nossa incapacidade de se manter em crescimento robusto por muito tempo, sem criar gargalos na estrutura produtiva do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, o risco de um apag\u00e3o energ\u00e9tico impediu que o pa\u00eds avan\u00e7asse ainda mais ap\u00f3s o resfriamento ocasionado pela crise das pontocom.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As outras retomadas: a crise do subprime<\/h3>\n\n\n\n<p>Em 2008, o mundo enfrentou outra crise aguda, profunda a ponto de criar compara\u00e7\u00f5es com a grande crise econ\u00f4mico-financeira de 1929.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento ficou conhecido como a crise do subprime e teve como epicentro os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma muito resumida, o sistema financeiro norte americano entrou em colapso ap\u00f3s os bancos espalhados, mundialmente, t\u00edtulos privados \u201cpodres\u201d, ou seja, venderam produtos financeiros que n\u00e3o seriam honrados no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de deteriora\u00e7\u00e3o do sistema financeiro e da economia real foi t\u00e3o forte que colocou de joelhos as principais economias desenvolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o Brasil e outras na\u00e7\u00f5es que estavam relativamente menos expostas ao risco acabaram apresentando uma performance muito mais branda da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2009, em decorr\u00eancia da crise o PIB brasileiro encolheu 0,1%, interrompendo um ciclo de crescimento trimestral m\u00e9dio anualizado de 6% em 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>A retomada da crise do subprime foi surpreendente, robusta e r\u00e1pida. Em 2010 o Brasil apresentou a maior taxa de crescimento anual deste a d\u00e9cada de 1970, 7,5% e deixou o risco de mergulhar em um processo de deteriora\u00e7\u00e3o da economia para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">As outras retomadas: a crise pol\u00edtico-institucional brasileira<\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o entrarei em detalhes porque o assunto j\u00e1 foi ampla e exaustivamente discutido nos \u00faltimos anos, mas a crise econ\u00f4mica brasileira de 2015-2016 deixou profundas cicatrizes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem diga que, a despeito dos PIBs positivos de 2017 em diante, o problema ainda n\u00e3o foi integralmente resolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014 o clima de incerteza envolvendo as elei\u00e7\u00f5es presidenciais e as pedaladas fiscais foram suficientes para trazer um crescimento de apenas 0,5%, o mais baixo desde a crise do subprime.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015 e 2016, o processo de <em>impeachment <\/em>e outros desdobramentos pol\u00edticos e econ\u00f4micos brasileiros levaram o PIB nacional para quedas de 3,5% e 3,3% respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, 2018 e 2019, nosso desempenho na economia foi muito melhor, mas os crescimentos foram decepcionantes, 1,3%, 1,3% e 1,1% respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando digo que h\u00e1 quem diga que o problema 2015-2016 ainda n\u00e3o foi totalmente dissipado, fa\u00e7o refer\u00eancia ao mau comportamento da economia mesmo com os crescimentos registrado nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante lembrar que para que fosse poss\u00edvel chegar aos parcos crescimentos dos \u00faltimos anos o governo teve que lan\u00e7ar m\u00e3o de pesadas pol\u00edticas de incentivo do consumo das fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>A libera\u00e7\u00e3o do FGTS e de abono salarial, al\u00e9m da pol\u00edtica de antecipa\u00e7\u00e3o de d\u00e9cimo terceiro de aposentados e benefici\u00e1rios de programas sociais, foi fundamental para que se chegasse a algum lugar, ou seja, a nossa retomada foi conduzida por eventos pontuais extraordin\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Progn\u00f3stico<\/h3>\n\n\n\n<p>Bem, ent\u00e3o como sairemos deste crise t\u00e3o aguda que estamos vivendo? Ser\u00e1 uma retomada r\u00e1pida como foi quando sa\u00edmos de crise de 2008 ou ser\u00e1 mais parecida com a retomada vista depois da nossa crise de 2015-2016?<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns indicadores apontam que o pior da crise ocasionada pela propaga\u00e7\u00e3o da covid-19 pode ter ficado para tr\u00e1s. Aqui n\u00e3o vou conjecturar sobre uma segunda onda ou outros impactos secund\u00e1rios. O que temos at\u00e9 aqui \u00e9 que aparentemente o pior da crise ficou reservado nos meses de abril e maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Concession\u00e1rias de Rodovias (ABCR), o fluxo de caminh\u00f5es nas estradas pedagiadas aumentou 9,7% no m\u00eas de junho quando comparado com o m\u00eas de maio. O volume de ve\u00edculos leves cresceu&nbsp; 20,8% nos mesmos termos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE, o setor industrial e o com\u00e9rcio varejista apresentaram avan\u00e7o de 7% e 13,9%, respectivamente na leitura de maio sobre abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros indicadores apontam alguma retomada nos meses de junho como, por exemplo, a emiss\u00e3o de nota fiscal eletr\u00f4nica, o consumo aparente de cimento e de combust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que a despeito da melhora na margem, quando pegamos todos esses indicadores e comparamos com igual m\u00eas do ano passado, percebemos que ainda estamos muito abaixo dos patamares vistos antes da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>O pior de tudo \u00e9 que antes da pandemia n\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos muito abaixo dos patamares vistos antes da crise brasileira de 2015-2016.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, nossa estrutura, a massa salarial,&nbsp; a situa\u00e7\u00e3o fiscal e pol\u00edtica, al\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o externa menos favor\u00e1vel que em outros momentos, n\u00e3o devem permitir uma retomada sustentada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, mesmo que encontremos pelo caminho alguns solavancos de crescimento, \u00e9 prov\u00e1vel, pelas condi\u00e7\u00f5es estruturais do pa\u00eds, que sejam sempre voos de galinha.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">E o impacto sobre o c\u00e2mbio, afinal?<\/h3>\n\n\n\n<p>Em 2010, uma retomada robusta fez com que o Brasil entrasse de vez no radar dos investidores estrangeiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A entrada de d\u00f3lares foi t\u00e3o robusta que o ex-ministro da Fazenda estava \u00e0s voltas com mecanismos de controle de entrada destes recurso no pa\u00eds, ademais, uma taxa de c\u00e2mbio a R$ 1,50 estava se mostrando prejudicial para a ind\u00fastria nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto de crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica de grande profundidade, \u00e9 poss\u00edvel que o Brasil se consolide como um terreno bastante in\u00f3spito ao investidor.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa retomada lenta e bastante atribulada pode reduzir a o ritmo (que j\u00e1 vinha caindo) de d\u00f3lares no Brasil e tornar a taxa de c\u00e2mbio estruturalmente desvalorizada nos pr\u00f3ximos trimestres.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que estejamos falando de uma taxa abaixo dos cinco reais, podemos tamb\u00e9m assumir que o novos normal esteja bem acima dos R$ 4,00 por d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Veremos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A retomada da economia brasileira ser\u00e1 r\u00e1pida? 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