﻿{"id":29762,"date":"2021-10-20T16:06:28","date_gmt":"2021-10-20T19:06:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/?p=29762"},"modified":"2025-02-06T07:07:40","modified_gmt":"2025-02-06T10:07:40","slug":"a-desaceleracao-da-china-e-o-grande-problema-cambial-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/a-desaceleracao-da-china-e-o-grande-problema-cambial-do-brasil\/","title":{"rendered":"A desacelera\u00e7\u00e3o da China e o grande problema cambial do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vis\u00e3o Geral<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Dados econ\u00f4micos pouco animadores vindos da China neste in\u00edcio de semana refor\u00e7am a fragilidade pela qual passa a economia global neste segundo semestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de problemas no setor de constru\u00e7\u00e3o civil com a Evergrande e a Fantasia, macroindicadores mostram que os surtos localizados de Covid-19 e os gargalos produtivos produzidos pela pandemia trouxeram impactos mais significativos \u00e0 economia chinesa do que se esperava h\u00e1 alguns meses.<\/p>\n\n\n\n<p>A desacelera\u00e7\u00e3o da segunda maior economia global tamb\u00e9m \u00e9 um problema do Brasil, pois poder\u00e1 intensificar o processo cr\u00f4nico de desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira e contribuir com o aumento da infla\u00e7\u00e3o e diversos outros problemas que estamos enfrentando neste momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhe nossa an\u00e1lise a seguir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A perda de f\u00f4lego da economia asi\u00e1tica e novos problemas \u00e0 frente<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus intensificou o processo de desacelera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o que a economia asi\u00e1tica estivesse passando por problemas econ\u00f4micos relevantes antes de 2020, afinal de contas, em algum momento a intensidade de crescimento haveria de arrefecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, o crescimento da economia da China foi o menor desde 1990, mas ainda assim, foram 6,1% em rela\u00e7\u00e3o a 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, mesmo assumindo que n\u00fameros med\u00edocres para patamares chineses seriam um sonho do consumo para o Brasil e diversos pa\u00edses desenvolvidos, \u00e9 ineg\u00e1vel a perda de ritmo de produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds asi\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o percentual de crescimento de 2019 foi relativamente baixo, em 2020 a situa\u00e7\u00e3o ganhou contornos dram\u00e1ticos. \u00d3rg\u00e3os oficiais chineses informaram que a economia local cresceu 2,3%, o ritmo mais lento desde 1976, quando a economia chinesa havia apresentado recuo de 1,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se n\u00e3o bastasse a diminui\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento, agravada pela pandemia que estamos atravessando, a China se viu envolvida com uma importante crise no setor imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A construtora asi\u00e1tica, Evergrande, tem passivos que somam cerca de US$300 bilh\u00f5es. A insolv\u00eancia da empresa representa riscos relevantes tanto para a economia chinesa como para as economias adjacentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise, que por hora est\u00e1 muito conectada \u00e0s construtoras Evergrande e Fantasia, pode ser um sinal do esgotamento do modelo de crescimento adotado pela China nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>China, o banco de investimentos global<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Essa perda de ritmo de crescimento pode produzir um efeito-domin\u00f3 no mundo todo. Isso porque a China era a principal parceira comercial de mais de uma centena de pa\u00edses ao redor do mundo em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da sua entrada na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Com\u00e9rcio, em novembro de 2001, a China ganhou for\u00e7a no relacionamento comercial com pa\u00edses do mundo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, a economia asi\u00e1tica n\u00e3o s\u00f3 se transformou no principal parceiro comercial da maioria dos pa\u00edses no mundo todo, como tamb\u00e9m exerceu profundas influ\u00eancias econ\u00f4micas, sobretudo em pa\u00edses do sudeste asi\u00e1tico, africanos e latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas economias, a intensifica\u00e7\u00e3o do relacionamento comercial com a China significou uma virada de 180\u00ba na pauta exportadora e, consequentemente, no tecido produtivo dos parceiros chineses.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns pa\u00edses chegam a destinar cerca de tr\u00eas quartos de toda a exporta\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds asi\u00e1tico. Neste caso, a depend\u00eancia da China n\u00e3o se restringe apenas a pa\u00edses subdesenvolvidos. Em 2018, cerca de 39% de tudo que a Austr\u00e1lia exportou teve como destino a China.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o comercial, muitos pa\u00edses subdesenvolvidos necessitam da China para financiar d\u00e9ficits no balan\u00e7o de pagamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a China tem interesses comerciais e geopol\u00edticos em diversos pa\u00edses de todos os continentes, n\u00e3o causa estranheza que ela seja uma das principais financiadoras de infraestrutura do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas a t\u00edtulo de curiosidade, de 1982 a 2000 a m\u00e9dia anual de investimentos produtivos nos pa\u00edses da \u00c1frica Subsaariana foi de aproximadamente US$3,4 bilh\u00f5es. De 2001 &#8211; ano de ingresso da China na OMC &#8211; a 2019, a m\u00e9dia anual foi de US$29 bilh\u00f5es. Um aumento de nada menos que 753%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Maior parceira comercial do Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Laos, um pequeno pa\u00eds do sudeste asi\u00e1tico com cerca de 7 milh\u00f5es de habitantes, \u201cganhar\u00e1\u201d o primeiro trem-bala no pr\u00f3ximo dia 2 de dezembro. A obra foi financiada pela China no \u00e2mbito do Cintur\u00e3o e Rota, chamado tamb\u00e9m de nova rota da seda.<\/p>\n\n\n\n<p>A viagem do Laos \u00e0 China, que poderia durar dois dias em fun\u00e7\u00e3o do terreno extremamente acidentado da regi\u00e3o, agora passar\u00e1 a levar apenas 3 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, engana-se quem pensa que s\u00e3o apenas pa\u00edses vizinhos que dependem e, em alguma medida, se beneficiam da China. Essa tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade brasileira, que foi intensificada pela pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>De janeiro a setembro deste ano o&nbsp; Brasil exportou cerca de US$213 bilh\u00f5es, dos quais cerca de 34% foram enviados \u00e0 China. No ano passado n\u00e3o foi diferente, de tudo que o pa\u00eds exportou, pouco menos de 34% foram enviados ao pa\u00eds asi\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ter uma ideia do que s\u00e3o esses 34% da pauta exportadora, nosso segundo maior parceiro comercial, os Estados Unidos, importaram cerca de 9,5% de todo que o Brasil exportou de janeiro a setembro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos investimentos diretos a China apresenta uma posi\u00e7\u00e3o muito menor que a dos Estados Unidos, Espanha e Fran\u00e7a, por exemplo, mas ainda assim \u00e9 o quinto pa\u00eds com maior posi\u00e7\u00e3o pelo crit\u00e9rio de controlador final no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso d\u00e1 a t\u00f4nica da import\u00e2ncia do bom desempenho da economia asi\u00e1tica para o Brasil e para o mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os impactos no c\u00e2mbio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana, o Banco Central do Brasil divulgou os dados semanais de fluxo de c\u00e2mbio contratado e posi\u00e7\u00e3o dos bancos brasileiros em moeda estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, que j\u00e1 registrou sa\u00edda l\u00edquida de quase US$45 bilh\u00f5es em 2019 e cerca de US$28 bilh\u00f5es em 2020, de janeiro ao dia 8 de outubro deste ano, houve ingressos l\u00edquidos de quase US$18 bilh\u00f5es no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando apenas para o movimento de c\u00e2mbio contratado do mercado financeiro, o fluxo l\u00edquido est\u00e1 negativo em cerca de US$1,3 bilh\u00e3o, enquanto que o movimento de c\u00e2mbio comercial, ligado \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es, ficou positivo em US$19,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, o que tem trazido recursos estrangeiros ao pa\u00eds \u00e9 o resultado positivo da balan\u00e7a comercial, ou seja, apesar da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real nos \u00faltimos meses, n\u00e3o fosse o bom desempenho das exporta\u00e7\u00f5es a situa\u00e7\u00e3o provavelmente estaria muito pior.<\/p>\n\n\n\n<p>O sinal amarelo est\u00e1 ligado, nosso maior parceiro comercial est\u00e1 \u00e0s voltas com reformas e crises que podem afetar o ritmo de crescimento do pa\u00eds e consequentemente o seu volume de importa\u00e7\u00f5es, o que deve exercer impacto direto sobre a economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ressaltar que de janeiro a outubro do ano passado, o movimento l\u00edquido de c\u00e2mbio contratado ligado ao com\u00e9rcio internacional estava positivo em quase US$34 bilh\u00f5es, quase o dobro do mesmo per\u00edodo neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns n\u00fameros j\u00e1 mostram que ser\u00e3o grandes os desafios para evitar uma forte desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguimos de olho.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o se esque\u00e7a de continuar acompanhando nossos resumos da <a href=\"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/economia-e-mercado\/\">economia e mercado<\/a>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mercados agitados ao redor do mundo? 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