﻿{"id":4047,"date":"2019-08-02T15:11:52","date_gmt":"2019-08-02T15:11:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/?p=4047"},"modified":"2025-02-06T03:27:05","modified_gmt":"2025-02-06T06:27:05","slug":"taxas-de-juros-em-queda-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/taxas-de-juros-em-queda-no-mundo\/","title":{"rendered":"Taxas de juros em queda no mundo"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Na \u00faltima quarta-feira (31\/7), Brasil e Estados Unidos reduziram a taxa b\u00e1sica de juros de suas respectivas economias. Entenda o que isso significa.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, a taxa alvo dos t\u00edtulos do <a href=\"https:\/\/www.federalreserve.gov\/monetarypolicy\/fomc.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (opens in a new tab)\">Federal Reserve (Fed)<\/a> saiu do intervalo entre  2,25% e 2,5% para entre 2% e 2,25%. No Brasil, por outro lado, a taxa Selic foi reduzida de 6,5% para 6,0%, estabelecendo a nova m\u00ednima hist\u00f3rica da taxa de juro aqui no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Saiba mais acerca desses movimentos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As motiva\u00e7\u00f5es do Fed<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O movimento da pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 o mesmo. As motiva\u00e7\u00f5es, por outro lado, s\u00e3o muito distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Estados Unidos, o Fed, banco central americano, optou por reduzir a taxa b\u00e1sica de juros por precau\u00e7\u00e3o. A precau\u00e7\u00e3o vem em linha com a fala do presidente regional do Fed de Nova Iorque (nos Esyados Unidos cada estado tem o seu <em>Federal Reserve<\/em>), John Williams, como destacamos na semana passada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, os dados da economia s\u00e3o bons, mas paira no ar o medo de uma desacelera\u00e7\u00e3o mais forte diante dos desdobramentos da Guerra Comercial entre China e Estados Unidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m pesou na decis\u00e3o do \u00faltimo dia 31, a aus\u00eancia de press\u00f5es inflacion\u00e1rias e a press\u00e3o pol\u00edtica exercida pelo presidente Donald Trump para uma redu\u00e7\u00e3o dos juros a fim de estimular a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das preocupa\u00e7\u00f5es com a sustentabilidade do crescimento da economia estadunidense, existe o movimento reativo em decorr\u00eancia da op\u00e7\u00e3o, j\u00e1 anunciada, de flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria por parte de outros bancos centrais. Exemplo disso, s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es do Banco do Jap\u00e3o (BoJ) e do Banco Central Europeu (BCE).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por aqui, juros menores para retomada da economia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No Brasil, o <a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/controleinflacao\/copom\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (opens in a new tab)\">Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom)<\/a> decidiu iniciar um novo ciclo de cortes na taxa b\u00e1sica de juros, porque a economia brasileira insiste em n\u00e3o emitir nenhum sinal de recupera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 drivers de crescimento que indique uma recupera\u00e7\u00e3o ainda este ano. Pelo contr\u00e1rio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Dados rec\u00e9m divulgados pelo IBGE acerca da situa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira revelaram retra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial da ordem de 0,6%. Trata-se do segundo resultado negativo consecutivo. A <a href=\"https:\/\/www.portaldaindustria.com.br\/cni\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (opens in a new tab)\">Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria<\/a> tamb\u00e9m apontou que o uso da capacidade instalada ociosa da ordem de 77,2%.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As estimativas de mercado j\u00e1 apontam para um discreto e duvidoso crescimento em 2019, vis\u00e3o perseguida com alguma letargia pelo Minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o \u00faltimo Boletim Focus do Banco Central, a estimativa de crescimento para 2019 \u00e9 de 0,82%, enquanto que para o Minist\u00e9rio da Economia o crescimento projetado \u00e9 de 0,81%. Na atual conjuntura, ambos parecem irrealistas e a rea\u00e7\u00e3o do Banco Central refor\u00e7a nossa perspectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima decis\u00e3o do Copom, portanto, pretende ser uma lufada de ar em uma economia que ainda corre o risco de entrar em recess\u00e3o t\u00e9cnica, caso se confirme o segundo recuo consecutivo do PIB no segundo trimestre do ano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Problemas \u00e0 frente<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 fundamental destacar que o Banco Central est\u00e1 no caminho certo. Cortar a Selic agora foi uma atitude adequada ao atual contexto. Contudo, devemos observar que apesar de estar no menor patamar da hist\u00f3ria, a taxa de juros no Brasil ainda \u00e9 um problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece pelo tamanho da crise que enfrentamos. A demanda caiu fortemente e isso tem influenciado os pre\u00e7os negativamente. Al\u00e9m disso, o Banco Central tem feito um bom trabalho no que diz respeito ao controle do n\u00edvel de pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois fatores em conjunto criaram condi\u00e7\u00f5es de colocar a infla\u00e7\u00e3o brasileira para patamares muito inferiores aos vistos nos \u00faltimos 10 ou 15 anos. N\u00e3o podemos nos esquecer que a infla\u00e7\u00e3o no Brasil sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o e um problema hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, a taxa de juro caiu, mas, por diversos motivos, a infla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m caiu fortemente. Isso significa que a taxa real de juros (a Selic descontada os efeitos inflacion\u00e1rios) permanece elevada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fato chama ainda mais aten\u00e7\u00e3o se colocarmos em perspectiva com nossos pares latino-americanos. Col\u00f4mbia, Chile, Peru, Uruguai, Paraguai, Bol\u00edvia, s\u00e3o apenas alguns exemplos de economias latino-americanas que t\u00eam taxas reais de juros menores que a brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para que a pol\u00edtica monet\u00e1ria seja de fato expansionista &#8211; ou catalisadora de investimentos &#8211; h\u00e1 um longo caminho pela frente. O Banco Central do Brasil ter\u00e1 que insistir em um ciclo mais arrojado de corte de juros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>E como os Estados Unidos impactam o Brasil?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, Jerome Powell emitiu preocupa\u00e7\u00f5es mistas e indicou que o movimento de baixa da \u00faltima reuni\u00e3o pode n\u00e3o ser um ciclo de cortes, mas algo mais pontual Ou seja, como o Fed vem agindo de forma cautelar e preventiva, o corte da taxa alvo dos t\u00edtulos americanos pode n\u00e3o ser visto nas pr\u00f3ximas reuni\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode realmente acontecer, mas o mercado espera que haja pelo menos mais dois cortes ainda em 2019. A aposta se baseia na expectativa de desacelera\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento da maior economia do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A parte boa da hist\u00f3ria \u00e9 que, apesar de as decis\u00f5es do Bacen dependerem, em parte, do Fed, n\u00f3s ainda temos espa\u00e7o para agir. Em primeiro lugar; a economia brasileira est\u00e1 travada. Ent\u00e3o, um est\u00edmulo monet\u00e1rio \u00e9 providencial para tentar fazer a atividade econ\u00f4mica apresentar algum crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo, mesmo que os Estados Unidos n\u00e3o entrem em um novo ciclo de corte de juros, outros pa\u00edses e regi\u00f5es j\u00e1 o fizeram. Ou seja, o mundo entrou, de novo, em um processo de corte das taxas de juros. Isso deve servir de al\u00edvio e condicionante para as decis\u00f5es do Bacen. E melhora em alguma medida o balan\u00e7o de riscos em favor do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perspectivas para o c\u00e2mbio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Um novo ciclo global de flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria come\u00e7ou com a intensifica\u00e7\u00e3o da Guerra Comercial entre Estados Unidos e China. E a desacelera\u00e7\u00e3o das principais economias da Europa tamb\u00e9m exercem papel relevante nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento de cortes nas taxas de juros em n\u00edvel mundial aumentar\u00e1 o apetite pelo risco do capital financeiro. Isto pode intensificar o movimento de capitais em dire\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses emergentes, como \u00e9 o caso do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, apesar da redu\u00e7\u00e3o na taxa b\u00e1sica de juros no Brasil, a taxa real ainda \u00e9 bastante atrativa. Isto vale principalmente quando colocamos em perspectiva a queda das taxas em diversos pa\u00edses de forma simult\u00e2nea. A expectativa de valoriza\u00e7\u00e3o do Real frente ao D\u00f3lar americano permanece vigente, mantendo-se condicionada aos desdobramentos da pol\u00edtica nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguimos de olho.<\/p>\n\n\n\n<p><em><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/andr%C3%A9-galhardo-fernandes-159043a3\/\" target=\"_blank\">Andr\u00e9 Galhardo<\/a> \u00e9 economista-chefe da <a href=\"https:\/\/www.analiseeconomica.com.br\/index\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (opens in a new tab)\">An\u00e1lise Econ\u00f4mica Consultoria<\/a>, professor e coordenador universit\u00e1rio nos cursos de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas. Mestre em Economia Pol\u00edtica pela PUC-SP, possui ampla experi\u00eancia em an\u00e1lise de conjuntura econ\u00f4mica nacional e internacional, com passagens pelo setor p\u00fablico.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima quarta-feira (31\/7), Brasil e Estados Unidos reduziram a taxa b\u00e1sica de juros de suas respectivas economias. Entenda o que isso significa. Nos Estados Unidos, a taxa alvo dos t\u00edtulos do Federal Reserve (Fed) saiu do intervalo entre 2,25% e 2,5% para entre 2% e 2,25%. 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