﻿{"id":87563,"date":"2026-01-31T06:51:00","date_gmt":"2026-01-31T09:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/?p=87563"},"modified":"2026-01-30T19:11:12","modified_gmt":"2026-01-30T22:11:12","slug":"james-webb-registra-borda-de-um-buraco-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/james-webb-registra-borda-de-um-buraco-negro\/","title":{"rendered":"James Webb registra a imagem mais n\u00edtida j\u00e1 feita da borda de um buraco negro"},"content":{"rendered":"\n<p>O <strong>Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST)<\/strong> registrou a vis\u00e3o mais n\u00edtida j\u00e1 obtida da <strong>regi\u00e3o que circunda um buraco negro supermassivo<\/strong>, revelando detalhes cruciais da estrutura de poeira e g\u00e1s que envolve o objeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A imagem, divulgada em 19 de janeiro de 2026, mostra a \u00e1rea ao redor do buraco negro da gal\u00e1xia Circinus com precis\u00e3o, permitindo aos cientistas revisar teorias de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas sobre a origem da <strong>emiss\u00e3o infravermelha<\/strong> observada nesses n\u00facleos gal\u00e1cticos ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>A gal\u00e1xia Circinus, localizada a cerca de 13 milh\u00f5es de anos-luz, abriga um buraco negro ativo que j\u00e1 havia sido observado por telesc\u00f3pios anteriores, mas nunca com o n\u00edvel de resolu\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ado pelo Webb. Utilizando dados combinados de m\u00faltiplos instrumentos e observa\u00e7\u00f5es terrestres, os pesquisadores conseguiram distinguir pela primeira vez a estrutura interna do anel de poeira e mapear a distribui\u00e7\u00e3o exata da radia\u00e7\u00e3o infravermelha ao redor do n\u00facleo.<\/p>\n\n\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que exatamente o James Webb capturou<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora nenhum telesc\u00f3pio consiga observar diretamente o horizonte de eventos de um buraco negro, o JWST obteve a vis\u00e3o mais detalhada da periferia desse limite, registrando:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>1. O disco de acre\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cO disco de acre\u00e7\u00e3o \u00e9 uma regi\u00e3o muito ca\u00f3tica, cheia de turbul\u00eancia, e o g\u00e1s fica ainda mais ca\u00f3tico e comprimido \u00e0 medida que se aproxima do buraco negro, sob gravidade extrema\u201d<\/em>. &#8211; <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/tecnologia\/telescopio-webb-observa-caos-em-torno-do-buraco-negro-central-da-via-lactea\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Farhad Yusef\u2011Zadeh (astrof\u00edsico da Universidade Northwestern<\/a>, autor principal do estudo)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O estudo revelou que<strong> 87% da radia\u00e7\u00e3o infravermelha na regi\u00e3o prov\u00e9m da poeira superaquecida que est\u00e1 caindo em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro<\/strong>, e n\u00e3o dos jatos de mat\u00e9ria expelidos, como se acreditava anteriormente. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso foi confirmado pela an\u00e1lise dos <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-66010-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados publicados em janeiro de 2026 no peri\u00f3dico Nature Communications<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>2. O anel espesso de poeira (toro)<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A imagem mostrou que o chamado \u201cexcesso infravermelho\u201d, observado desde os anos 1990, n\u00e3o se origina de outflows, mas sim da parte interna do \u201ctoro\u201d de poeira que alimenta o buraco negro. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa regi\u00e3o, equivalente ao que se considera a \u201cborda observ\u00e1vel\u201d do buraco negro, \u00e9 formada por material que espirala antes de atravessar o horizonte de eventos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>3. Estruturas finas pr\u00f3ximas ao n\u00facleo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O Webb tamb\u00e9m distinguiu turbilh\u00f5es de poeira, regi\u00f5es de choque e varia\u00e7\u00f5es de brilho muito sutis, imposs\u00edveis de serem detectadas em observa\u00e7\u00f5es anteriores, permitindo entender melhor como o material se comporta nas imedia\u00e7\u00f5es do buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que a descoberta \u00e9 t\u00e3o importante?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Revis\u00e3o de um conceito aceito por mais de 30 anos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Desde o final do s\u00e9culo passado, acreditava\u2011se que boa parte do brilho infravermelho observado em torno de buracos negros ativos era causada por mat\u00e9ria sendo expelida em alta velocidade. Os dados do JWST mostraram que menos de 1% da emiss\u00e3o prov\u00e9m desses outflows, enquanto a grande maioria origina-se da poeira do disco de acre\u00e7\u00e3o.<a href=\"https:\/\/www.usatoday.com\/story\/news\/nation\/2026\/01\/17\/nasa-james-webb-space-telescope-black-hole\/88179822007\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impacto na compreens\u00e3o do crescimento de buracos negros<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A descoberta contribui para o entendimento de como buracos negros supermassivos acumulam massa e influenciam as gal\u00e1xias ao seu redor. Os pesquisadores agora t\u00eam evid\u00eancias de que a maior parte da radia\u00e7\u00e3o \u00e9 gerada pelo material que est\u00e1 sendo absorvido, e n\u00e3o por ventos externos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A imagem mais detalhada j\u00e1 obtida da \u00e1rea ao redor de um buraco negro<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo os pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo, esta \u00e9 a vis\u00e3o mais precisa j\u00e1 registrada da \u00e1rea interna que circunda um buraco negro supermassivo, algo que s\u00f3 foi poss\u00edvel devido \u00e0 capacidade do Webb de captar luz infravermelha e separar elementos que antes eram sobrepostos pela luminosidade intensa da gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como o James Webb conseguiu esse n\u00edvel de detalhe<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O JWST combina sua sensibilidade ao infravermelho com instrumentos de alta resolu\u00e7\u00e3o que permitem enxergar estruturas escondidas pela poeira. Isso inclui:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>NIRCam (Near Infrared Camera), respons\u00e1vel pelas imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>MIRI (Mid-Infrared Instrument), que detecta emiss\u00f5es de poeira aquecida.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A uni\u00e3o desses instrumentos permitiu filtrar o brilho das estrelas, isolar a poeira e reconstruir a estrutura pr\u00f3xima ao buraco negro, algo imposs\u00edvel para telesc\u00f3pios \u00f3pticos como o Hubble.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que os cientistas esperam descobrir daqui para frente<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o abre caminho para uma compreens\u00e3o mais profunda sobre os processos de alimenta\u00e7\u00e3o dos buracos negros. Com as novas t\u00e9cnicas aplicadas \u00e0 gal\u00e1xia Circinus, ser\u00e1 poss\u00edvel replicar o estudo em:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>M87*, o buraco negro da famosa imagem de 2019.<\/li>\n\n\n\n<li>Sagittarius A*, o buraco negro central da Via L\u00e1ctea.<\/li>\n\n\n\n<li>Outros buracos negros ativos em gal\u00e1xias pr\u00f3ximas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores acreditam que novas observa\u00e7\u00f5es podem ajudar a construir um modelo unificado do comportamento das regi\u00f5es internas de n\u00facleos ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou interessado nesse tema e n\u00e3o quer perder mais atualiza\u00e7\u00f5es? 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Na pr\u00e1tica, isso significa captar gal\u00e1xias formadas nos primeiros 300 a 400 milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang, quase no limite do Universo observ\u00e1vel. <\/p>\n\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"faq-question-1769810542468\" class=\"rank-math-list-item\">\n<h3 class=\"rank-math-question \">O que tem do outro lado do buraco negro?<\/h3>\n<div class=\"rank-math-answer \">\n\n<p>Do ponto de vista cient\u00edfico, n\u00e3o sabemos o que existe al\u00e9m do interior de um buraco negro. N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de um \u201coutro lado\u201d acess\u00edvel. Quando algo ultrapassa o <strong>horizonte de eventos<\/strong>, nem luz consegue retornar, impedindo qualquer observa\u00e7\u00e3o direta. A f\u00edsica atual descreve o interior como uma <strong>singularidade<\/strong>, uma regi\u00e3o onde a densidade seria infinita e as leis conhecidas da f\u00edsica deixam de valer. <\/p>\n\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"faq-question-1769810550056\" class=\"rank-math-list-item\">\n<h3 class=\"rank-math-question \">O que exatamente \u00e9 um buraco negro?<\/h3>\n<div class=\"rank-math-answer \">\n\n<p>Um buraco negro \u00e9 uma regi\u00e3o do espa\u00e7o onde a gravidade \u00e9 t\u00e3o intensa que nada consegue escapar, nem mesmo a luz. Ele geralmente se forma quando uma estrela muito massiva colapsa ap\u00f3s esgotar seu combust\u00edvel nuclear. No centro fica a singularidade, onde a mat\u00e9ria estaria comprimida em extrema densidade, e ao redor dela est\u00e1 o <strong>horizonte de eventos<\/strong>, a fronteira que nada atravessa de volta. <\/p>\n\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"faq-question-1769810632335\" class=\"rank-math-list-item\">\n<h3 class=\"rank-math-question \">Onde est\u00e1 o James Webb hoje?<\/h3>\n<div class=\"rank-math-answer \">\n\n<p>O <strong>Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST)<\/strong> est\u00e1 atualmente localizado no <strong>ponto de Lagrange 2 do sistema Sol\u2011Terra<\/strong>, conhecido como <strong>L2<\/strong>, a aproximadamente <strong>1,5 milh\u00e3o de quil\u00f4metros da Terra<\/strong>. Nesse local, ele mant\u00e9m uma <strong>\u00f3rbita em halo<\/strong> ao redor do ponto gravitacional, onde a atra\u00e7\u00e3o do Sol e da Terra se equilibra, permitindo ao telesc\u00f3pio operar com estabilidade t\u00e9rmica e energ\u00e9tica<\/p>\n\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O telesc\u00f3pio James Webb registrou a imagem mais n\u00edtida j\u00e1 feita da regi\u00e3o ao redor de um buraco negro, revelando detalhes in\u00e9ditos do disco de poeira e ajudando a esclarecer mist\u00e9rios de d\u00e9cadas sobre esses objetos c\u00f3smicos.<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":87564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"content-type":"","om_disable_all_campaigns":false,"footnotes":""},"categories":[43401],"tags":[42761,33656],"class_list":["post-87563","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-miscelanea","tag-curiosidades","tag-tecnologia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87563"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87563\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":87566,"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87563\/revisions\/87566"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.remessaonline.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}