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Um evento astronômico notável foi capturado por espaçonaves que estudam Marte, oferecendo aos cientistas uma rara oportunidade de observar o cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar já detectado.
Esse visitante cósmico, originário de fora do nosso Sistema Solar, foi fotografado quando se aproximou do planeta vermelho no início de outubro. As imagens foram registradas por sondas da Agência Espacial Europeia (ESA) e representam uma conquista, especialmente porque as câmeras foram originalmente projetadas para observar a superfície marciana.
Continue a leitura para entender os detalhes dessa observação, o que ela revela sobre o 3I/ATLAS e a importância de estudar um cometa de fora do Sistema Solar.
O que é o 3I/ATLAS?
Também identificado como C/2025 N1 (ATLAS), o cometa possui um excesso hiperbólico de velocidade de 58 km/s em relação ao Sol. Sua descoberta confirma-o como o terceiro objeto interestelar, depois de 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov, e mostra que o nosso sistema solar recebe visitantes de outros sistemas estelares.
O nome “3I/ATLAS” reflete sua natureza interestelar (“I”) e o fato de ser o terceiro objeto confirmado, enquanto o acrônimo ATLAS se refere ao telescópio que identificou o corpo celeste.
O Cometa 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já detectado
O 3I/ATLAS é classificado como um objeto interestelar porque se originou de fora do sistema estelar em que a Terra está, sendo apenas o terceiro corpo celeste desse tipo já identificado. Ele foi descoberto em julho de 2025 por um telescópio do projeto ATLAS, no Chile, e rapidamente chamou a atenção dos astrônomos. Os dois outros objetos interestelares conhecidos são o ‘Oumuamua (observado em 2017) e o Borisov (em 2019).
Com base em sua trajetória e velocidade, alguns astrônomos estimam que o 3I/ATLAS possa ser até 3 bilhões de anos mais antigo que o Sol.
Espaçonave da ESA fotografa o cometa perto de Marte
A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou imagens do cometa interestelar capturadas por uma de suas naves, a ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO). A sonda, que orbita Marte desde 2016 para estudar o planeta vermelho, conseguiu fotografar o cometa quando ele se aproximou, no sábado, dia 4 de outubro.

Como o Cometa 3I/ATLAS foi fotografado
A observação aconteceu quando o cometa 3I/ATLAS estava a cerca de 32 milhões de quilômetros de distância. A nave da ESA teve que redirecionar sua câmera, que normalmente aponta para a superfície de Marte (a 400 quilômetros abaixo), para um ponto muito mais distante.
- O cometa é estimado como sendo entre 10 mil e 100 mil vezes menos brilhante do que os alvos de observação habituais da câmera.
- Para conseguir captar o objeto interestelar em meio ao brilho fraco, a câmera, que geralmente usa exposições de 1,5 milissegundos, foi reconfigurada para exposições de cinco segundos.
- Cinco segundos se provaram suficientes para captar a luz necessária, mas não tão longos a ponto de o objeto ficar borrado devido ao seu movimento.
Nicolas Thomas, professor de física experimental e investigador principal do instrumento CaSSIS (Sistema de Imagens de Superfície Coloridas e Estéreo) a bordo do TGO, afirmou estar “surpreso que foi tão bom“.

Reprodução: ATLAS/Universidade do Havaí/NASA
A imagem mostra o cometa como um pequeno ponto branco e difuso, que é o seu núcleo gelado e rochoso envolto por uma nuvem de gás e poeira chamada coma (ou cabeleira).
Onde está o 3I/ATLAS agora?
Com o aplicativo interativo Eyes on the Solar System da NASA (https://eyes.nasa.gov/apps/solar-system/#/c_2025_n1), é possível acompanhar o trajeto do cometa 3I/ATLAS pelo sistema solar e monitorar seu próximo destino.
Quando o 3I ATLAS passará perto da Terra?
De acordo com o monitoramento do site TheSkyLive, o cometa 3I/Atlas terá sua máxima aproximação da Terra em 19 de dezembro de 2025, alcançando uma distância de aproximadamente 1,7984 unidades astronômicas (≈ 269 milhões de km).
Importante frisar que, apesar de parecer “próximo” em termos astronômicos, essa distância ainda é segura e muito maior que a distância entre a Terra e a Lua (~384 mil km). Portanto, não representa risco.
Durante esse período, astrônomos amadores com telescópios razoáveis poderão avistar o 3I/Atlas ao amanhecer ou após o pôr‑do‑sol, dependendo das condições de visibilidade e localização geográfica.
O 3I/ATLAS é maior que a Terra?
Embora o 3I/Atlas tenha gerado especulações sobre seu tamanho, os dados oficiais da NASA indicam que o núcleo desse cometa interestelar ainda está sob investigação. A agência estima que o diâmetro seja no mínimo 440 metros (1.444 pés) e no máximo 5,6 quilômetros (3,5 milhas). Ou seja: o objeto não ultrapassa o tamanho da Terra (que tem cerca de 12.742 km de diâmetro), ele é muito menor, porém imponente por sua origem interestelar.
Apesar disso, sua massa, composição e ejeção de gás atuam como intrigantes indicadores de atividade comparável a cometas maiores do nosso Sistema Solar.
Novas imagens do 3I/ATLAS são registradas pela China
Telescópios chineses e internacionais têm capturado imagens detalhadas do 3I/Atlas após sua conjunção solar, ou seja, após passar “por trás” do Sol em relação à Terra. A estrutura da cauda agora exibe múltiplos jatos de gás que se estendem de maneira irregular, o que despertou atenção dos astrônomos.

Imagem: Divulgação/CNSA
Essas imagens ajudam a compreender como o sol está “ativando” o cometa à medida que ele passa mais perto da estrela, liberando jatos de material volátil que podem indicar atividade de formação de gelo antigo ou compostos exóticos.
Qual a velocidade do 3I/ATLAS?
No momento da descoberta, o 3I/ATLAS apresentava uma velocidade estimada de ≈ 61 km/s (≈ 220.000 km/h) em relação ao Sol. À medida que se aproximou do periélio, os registros calculam que ele atingiu um pico de ≈ 68 km/s (≈ 245.000 km/h).
O aumento decorre da combinação de aceleração gravitacional solar e das forças não-gravitacionais provocadas pela ejeção de gás e partículas do núcleo, características que destacam o objeto como um visitante interestelar e não apenas um cometa convencional.
Principais descobertas do objeto interestelar 3I/ATLAS
Massa e tamanho notáveis
Sua massa é estimada em mais de 33 bilhões de toneladas, um cálculo baseado em sua aceleração e trajetória anômalas.
O diâmetro de seu núcleo sólido deve ser maior que 3,1 milhas, tornando-o de 3 a 5 ordens de magnitude mais massivo que ‘Oumuamua e 2I/Borisov.
Hipótese da Sonda Tecnológica (Avi Loeb)
A natureza e a composição (principalmente dióxido de carbono) levaram à sugestão de que o 3I/ATLAS possa ser um artefato tecnológico ou sonda alienígena.
Evidências-chave: aceleração não-gravitacional; aproximação incomum e planeada (trajetória de baixa inclinação retrógrada) de Vênus, Marte e Júpiter, sugerindo a coleta intencional de dados do Sistema Solar.
Segurança e trajetória
Os cientistas concordam que o ATLAS não representa ameaça à Terra, pois passará a uma distância segura da órbita de Marte.
Apesar de ser considerado seguro, as dimensões e o comportamento orbital anômalo do 3I/ATLAS continuam a alimentar o debate sobre a possível presença de tecnologia extraterrestre em nosso sistema.
Sinal de rádio detectado confirma atividade e origem natural
O radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, captou pela primeira vez emissões de rádio provenientes do 3I/Atlas, resultado da quebra de moléculas de hidroxila (OH) que sugerem sublimização de gelo de água.
Presença de gás hidroxila (OH) indica presença de água congelada
Estudos ultravioletas registraram emissão de moléculas de OH no núcleo e coma do cometa, com taxa de produção estimada em ~1,35 × 10²⁷ moléculas/s (~40 kg/s) a 3,51 UA do Sol, pouco usual para cometas distantes dessa posição.
Aumento de brilho de mais de sete vezes à medida que se aproximou do Sol
O 3I/Atlas registrou um aumento repentino de brilho, cerca de 7,5 vezes maior que o esperado para sua categoria, possivelmente por intensa atividade de aquecimento ou jetting de material, fenômeno observado em imagens recentes que mostraram estrutura incomum de jatos.
Conspirações do 3i/Atlas: o que é fato e o que é teoria?
Afinal, estamos diante de uma cápsula do tempo galáctica ou da primeira nave alienígena detectada? Compilamos aqui, as principais teorias que circulam sobre o enigmático 3I/ATLAS, das teses mais sérias de Harvard às mais mirabolantes do TikTok.
Hipótese de tecnologia alienígena
A teoria mais proeminente, defendida pelo astrofísico de Harvard, Dr. Avi Loeb, sugere que o 3I/ATLAS pode ser uma peça de tecnologia alienígena ou uma nave disfarçada de cometa.
Pontos de sustentação da teoria de tecnologia alienígena
- Química Anômala: o cometa possui uma composição rara, com muito mais dióxido de carbono, do que água, e uma alta concentração de níquel atômico com pouco ou nenhum ferro detectado.
- Interpretação Conspiratória: o dióxido de carbono é visto como um subproduto de propulsão ou queima de combustível. O níquel seria um material de revestimento de uma nave interestelar, projetado para se desintegrar.
- Comportamento Anormal: o cometa exibiu um jato de gás direcionado para o Sol, chamado sunward jet, o que é incomum e levantou a suspeita de um controle de manobra artificial.
A comunidade científica majoritária explica as anomalias como variações naturais na formação de cometas em outros sistemas estelares, desmentindo a necessidade de uma origem artificial. O níquel pode ser resultado da decomposição de moléculas voláteis.
O silêncio da Nasa
A paralisação parcial das atividades da NASA (shutdown) por questões orçamentárias nos EUA, coincidindo com a máxima aproximação do cometa, foi interpretada como um ato deliberado de ocultação de informações.
Tese da ocultação da NASA
- Censura de imagens: Conspiracionistas alegam que o shutdown foi uma desculpa para a agência parar de monitorar o objeto ou para reter imagens cruciais, temendo que elas revelassem a natureza artificial ou perigosa do 3I/ATLAS.
- Pânico global: O governo estaria agindo para evitar o pânico mundial que a confirmação de uma tecnologia alienígena causaria.
O shutdown foi um evento político interno nos EUA. As observações do 3I/ATLAS continuaram ativas por agências espaciais internacionais e telescópios independentes, e algumas imagens do cometa foram liberadas, refutando o sigilo total.
Ameaça e aniquilação
A teoria de que o 3I/ATLAS representa um perigo de nível de extinção para a Terra é popularizada apesar das garantias da agência espacial.
- Colisão impossível: O cometa é classificado como seguro. Sua trajetória hiperbólica o levará para fora do Sistema Solar, e ele passará a uma distância segura de cerca de 270 milhões de quilômetros da Terra.
- Arma disfarçada: Versões mais extremas sugerem que o cometa é uma sonda de reconhecimento hostil ou uma arma disfarçada, preparando o Sistema Solar para algum evento futuro.
Sua trajetória é de passagem e sem risco de impacto. A maior parte de seu valor reside em ser uma cápsula do tempo galáctica para o estudo da formação de outros sistemas estelares.
Ligação com o Sinal “Wow!”
Esta teoria conecta o 3I/ATLAS a um dos mistérios não resolvidos da radioastronomia.
- Coincidência direcional: O cometa se origina de uma região próxima à direção da constelação de Sagitário, a mesma de onde o famoso Sinal “Wow!” foi captado em 1977.
- Mensagem Alienígena: A coincidência é vista como prova de que a civilização que criou o 3I/ATLAS pode ter sido a emissora daquele sinal de rádio décadas antes.
O Sinal “Wow!” tem explicações naturais mais recentes, como um magnetar. Além disso, a distância interestelar torna a ligação temporal entre o sinal e a detecção do cometa improvável.
Observações do 3I/ATLAS podem ajudar a entender o espaço profundo
Embora as imagens iniciais do cometa interestelar não revelem nada novo por si só, elas se somam a uma série de observações que ajudarão a comunidade científica a entender como um cometa de fora do Sistema Solar difere daqueles que circulam no nosso.
- Composição Química: as equipes da ESA estão analisando os dados dos espectrômetros das sondas para tentar identificar a composição da cabeleira e da cauda do 3I/ATLAS.
- Pistas sobre o Cometa: a câmera do TGO capturou imagens usando filtros de cor (vermelho, infravermelho próximo e azul), que podem fornecer pistas sobre as propriedades do cometa. Por exemplo, a proporção de luz azul para vermelha pode indicar se as partículas estão diminuindo de tamanho à medida que o gelo se transforma em vapor.
- Colin Wilson, cientista da ESA, ressaltou que “é emocionante ver nossos orbitadores, que normalmente estudam Marte, reagirem a eventos inesperados como este”.
O futuro da observação
O cometa interestelar 3I/ATLAS voltará a ser observado em novembro pela sonda JUICE (Explorador das Luas Geladas de Júpiter) da ESA. Embora esteja mais longe, a sonda o verá logo após sua máxima aproximação do Sol, quando o cometa estará mais brilhante e ativo, liberando mais poeira e gás.
A ESA também está preparando a missão Comet Interceptor, com lançamento previsto para 2029, que será um observatório “de prontidão” para interceptar um cometa primitivo ou outro objeto interestelar que passe perto o suficiente.
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Resumindo
Por que o Cometa 3I/ATLAS é Considerado Interestelar?
O 3I/ATLAS é considerado um cometa interestelar porque se originou fora do nosso Sistema Solar. É o terceiro objeto desse tipo já detectado, após ‘Oumuamua e Borisov.
Qual espaçonave fotografou o Cometa 3I/ATLAS?
O cometa foi fotografado pela ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO), uma espaçonave da Agência Espacial Europeia (ESA) que estuda Marte. As imagens foram capturadas quando o cometa se aproximou de Marte.
Quão distante o 3I/ATLAS estava de Marte?
O cometa passou a cerca de 30 milhões de quilômetros de Marte durante sua máxima aproximação. A TGO estava a uma distância de quase 32 milhões de quilômetros ao fazer o registro.