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Ao longo da semana, o real mostrou relativa estabilidade frente às principais moedas, sustentado pelo diferencial de juros ainda elevado. A surpresa no IPCA-15, com pressão em núcleos, reforçou a expectativa de postura mais cautelosa do Banco Central do Brasil. No exterior, o dólar seguiu forte com dados robustos nos EUA e incertezas geopolíticas, limitando ganhos mais amplos do real.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #374 do “De Olho no Câmbio“.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,2347 na segunda-feira (23/mar), um nível 0,03% superior à abertura da semana anterior (16/mar). Ao longo da semana, a moeda norte-americana ganhou força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (27/mar) cotado a R$5,2374, patamar 1,5% inferior à abertura da sexta-feira anterior (20/mar). Entre as aberturas desta sexta (27/mar) e da segunda-feira da semana anterior (16/mar), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 0,1%.

O movimento do dólar na semana foi menos técnico e mais guiado pelo ambiente externo, especialmente pelos dados dos Estados Unidos. Indicadores mais fortes de atividade e trabalho reforçaram a percepção de que o Federal Reserve deve manter juros elevados por mais tempo.

Além disso, houve influência relevante do cenário geopolítico, com tensões no Oriente Médio ainda no radar e sinais de possíveis negociações ganhando espaço. Esse tipo de incerteza eleva a aversão ao risco em momentos pontuais, fortalecendo o dólar como ativo de proteção, enquanto qualquer perspectiva de acordo tende a suavizar esse movimento.

No Brasil, o cenário interno teve papel secundário, mas ainda contribuiu na margem. Ruídos fiscais, dúvidas sobre a trajetória da dívida e a percepção de política monetária restritiva por mais tempo mantiveram o real mais vulnerável. A surpresa inflacionária com o IPCA-15 de março reforçam essa leitura.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (23/mar) cotado a R$6,1325. Na abertura desta sexta-feira (27/mar), a cotação foi de R$6,0423. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 1,4% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.

Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1542 na segunda-feira (23/mar) para US$1,1534 nesta sexta-feira (27/mar). Assim, observou-se uma valorização de 0,1% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.

O euro perdeu força frente à moeda brasileira após uma bateria de indicadores mais fracos. Os PMIs vieram próximos da estagnação, com o setor industrial ainda em contração e serviços mostrando desaceleração, enquanto a inflação seguiu cedendo na margem. 

Já na relação com o dólar, o euro apresentou leve recuperação apoiada em ajustes técnicos e alguma estabilização dos dados, mas sem mudança relevante de tendência. O mercado segue sensível ao diferencial de juros, já que, os riscos inflacionários aumentaram muito nos últimos dias, colocando em dúvida os próximos passos do Banco Central Europeu e do Federal Reserve.

Nos EUA, ferramentas que acompanham o comportamento das curvas de juros futuros sugerem que o primeiro corte de juros venha apenas na última reunião de 2027, em dezembro. A ferramenta da bolsa de Chicago, por exemplo, indica aumento de juros pelo Fed no meio do ano.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (23/mar) cotada a R$7,0727, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (27/mar), cerca de R$6,9845. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 1,2% em relação à moeda britânica ao longo da semana.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (27/mar) cotada a US$1,3334 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3311, uma valorização de 0,1% da moeda britânica em relação ao dólar.

Frente ao real, a libra foi pressionada após a divulgação de dados mais fracos de inflação no Reino Unido, com o índice de preços ao consumidor se mantendo estável em 3% ao ano. O número reforçou a leitura de que o ciclo inflacionário está cedendo mais rápido, abrindo espaço para cortes de juros pelo Banco Central. Esse ajuste de expectativas reduz o diferencial de juros e tira força da moeda britânica no curto prazo.

Já na relação com o dólar, a libra encontrou algum suporte justamente nesse conjunto de dados, mas também em indicadores de atividade que vieram menos negativos do que o esperado, evitando uma correção mais forte. Além disso, houve influência do ambiente global, com oscilações nos rendimentos dos Treasuries e alguma melhora pontual no apetite por risco. Ainda assim, a política do Federal Reserve segue como principal âncora do dólar, limitando ganhos mais consistentes da libra.

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Perspectivas

Os dados recentes de inflação no Brasil, especialmente o IPCA-15 acima do esperado, reforçam um cenário de desancoragem marginal das expectativas no curto prazo. Embora a composição não tenha mostrado pressão em núcleos e serviços, o mercado ajustou para cima as projeções do mês e do ano. Esse quadro eleva a sensibilidade do mercado à condução da política monetária e às próximas comunicações do Banco Central do Brasil.

Com isso, o Comitê de Política Monetária tende a adotar uma postura mais cautelosa, sinalizando juros elevados por um período mais prolongado. Esse diferencial de juros continua sendo um dos principais vetores de sustentação do real, sobretudo em um ambiente externo volátil. Ainda assim, o cenário segue condicionado ao risco geopolítico e à trajetória das commodities, que podem alterar rapidamente o fluxo cambial.

Seguimos de olho.