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A última semana de 2025 foi marcada por movimentos pouco expressivos no câmbio, típicos de um mercado operando com liquidez reduzida, mas atento a sinais importantes sobre 2026. Ajustes de posição, leitura da ata do Fed e a reprecificação das expectativas de juros nos Estados Unidos ditaram o ritmo do real frente às principais moedas. Mais do que tendências estruturais, o período revelou como o câmbio respondeu a fatores técnicos e ao cenário externo em transição.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #362 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,5889 na segunda-feira (29/dez), um nível 0,7% superior à abertura da semana anterior (22/dez). Ao longo da semana, porém, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta quarta-feira (31/dez) cotado a R$5,4834, patamar 1,8% inferior à abertura da quarta-feira anterior (24/dez). Entre as aberturas desta quarta (31/dez) e da segunda-feira da semana anterior (22/dez), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 1,2%.

A última semana de 2025 foi dominada por baixa liquidez e, por isso, por movimentos mais “técnicos” do que estruturais. Mesmo assim, houve preço: na segunda (29), o dólar ganhou tração e fechou em R$ 5,5707 (+0,48%), num dia em que (i) o petróleo subiu forte por tensões geopolíticas (EUA–Venezuela) e (ii) o mercado operou em compasso de espera pela ata do Fed, com cautela e volumes reduzidos.

Na terça (30), o foco foi ainda mais claro: a ata do Fed (após o banco ter cortado juros pela terceira vez consecutiva) era lida como sinal de pausa em janeiro, o que orientou preços globais e manteve o dólar e os Treasuries relativamente estáveis no “pré”. No Brasil, o noticiário ficou dividido entre contas públicas (déficit primário esperado em torno de R$13,3 bi em novembro) e mercado de trabalho (Pnad com desemprego esperado em 5,4% e Caged com criação líquida estimada perto de 79 mil vagas).

O movimento mais relevante veio no fim: na terça (30), o dólar caiu forte. Em ambiente de liquidez curta, isso é típico de desmonte de proteção e ajuste de posição na virada, amplificado por um pano de fundo de dólar global mais fraco e reequilíbrio de posições.

O real terminou sustentado por (i) sinal de juros externos menos pressionados em 2026 (via Fed), (ii) movimentação de commodities (petróleo/minério como suporte pontual) e (iii) ajustes de fim de ano — com o custo de uma volatilidade maior do que o usual para poucos dias de pregão.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (29/dez) cotado a R$6,5273. Na abertura desta quarta-feira (31/dez), a cotação foi de R$6,4392. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 1,4% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.

Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou leve enfraquecimento nesta semana, interrompendo a tendência de valorização observada anteriormente. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1810 na segunda-feira (29/dez) para US$1,1785 nesta quarta-feira (31/dez). Assim, observou-se uma desvalorização aproximada de 0,2% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.

Na última semana do ano, o Euro não teve um catalisador “próprio”, mas esteve mais sensível ao dólar global e ao risco. Nesse sentido, o euro não aparece como vetor primário: o que comandou o par BRL/EUR foi a dinâmica do dólar global + apetite por risco num mercado muito raso. 

Quando o dólar ficou mais firme (29), o real perdeu um pouco de tração contra moedas fortes; quando o dólar enfraqueceu e as taxas longas ficaram contidas (30–31), o real ganhou respiro também frente ao euro — mas com movimentos mais “curtos” e técnicos, típicos do período.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (29/dez) cotada a aproximadamente R$7,4821, nível superior ao registrado na abertura desta quarta-feira (31/dez), cerca de R$7,3704. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 1,5% em relação à moeda britânica ao longo da semana, refletindo o enfraquecimento da libra no mercado doméstico. 

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização observada na semana anterior, e abriu esta quarta-feira (31/dez) cotada a US$ 1,3516 após ter iniciado a semana cotada a US$ 1,3379, uma valorização de 1,02% da moeda britânica em relação ao dólar.

A libra, assim como o euro, entrou na semana mais como “moeda forte do G10” do que como história própria. Vários mercados tiveram horários reduzidos/fechamentos e a precificação ficou muito dependente de ajustes de posição e do comportamento do dólar e dos Treasuries. 

Nesse contexto, o BRL/GBP oscilou mais por fluxo e hedge do que por fundamentos britânicos.

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Perspectivas

A semana de 5 a 9 de janeiro deve marcar a volta gradual da liquidez e, com isso, uma mudança importante: o câmbio sai do modo “técnico de virada” e volta a responder mais aos dados econômicos e movimentos políticos.

O que tende a mexer mais com o dólar (e, por tabela, com o real):

  • Payroll (EUA) – sexta, 9/01: é o grande evento da semana e costuma mover Treasuries, dólar global e moedas emergentes. Um dado mais forte pode reacender a precificação de juros (dólar mais firme); um dado mais fraco tende a reforçar o cenário de condições financeiras mais leves (dólar mais fraco).
  • JOLTS (EUA) – quarta, 7/01: ajuda a calibrar a leitura do mercado de trabalho e pode mexer na curva de juros, especialmente se vier muito fora do esperado.
  • PMIs globais (início de janeiro): o mercado costuma usar os PMIs como “primeiro termômetro” do ano para atividade; isso afeta apetite por risco e, indiretamente, o real.

A partir disso, algumas implicações práticas para o câmbio (o que esperar) para a próxima semana:

  • BRL/USD: com a liquidez voltando, é comum vermos correção de excessos da virada. Se os dados dos EUA vierem benignos (trabalho sem reacender inflação/juros), o real tende a ter janela de apreciação; se vierem fortes a ponto de endurecer Treasuries, o real pode devolver parte do ganho e voltar a sofrer.
  • BRL/EUR e BRL/GBP: devem seguir como “derivadas” do mesmo motor: dólar global + risco + juros longos. Sem surpresa europeia/britânica grande, o comportamento tende a ser mais “espelho” do BRL/USD, com ruído extra de liquidez.

Seguimos de olho.