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A atenção dos mercados migrou de forma decisiva para a intensificação do conflito no Oriente Médio. A deterioração do quadro envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos elevou o prêmio de risco global e recolocou a geopolítica no centro das decisões de investimento.
Os desdobramentos recentes incluíram novos ataques e sinalização de possível ampliação das operações militares, aumentando o receio de envolvimento regional mais amplo. O fechamento do estreito de Ormuz reacendeu preocupações com oferta global de petróleo e provocou ajustes relevantes nos preços das commodities energéticas.
O que pode acontecer agora?
Se, até então, o foco estava nos potenciais efeitos inflacionários das tarifas americanas, o risco agora se desloca para o canal energético. A alta do petróleo, impulsionada pela escalada do conflito, amplia a probabilidade de pressões inflacionárias mais disseminadas, com capacidade de atingir tanto economias avançadas quanto emergentes.
Nesse contexto, o Federal Reserve passa a monitorar não apenas a trajetória doméstica de preços, mas, também, os efeitos secundários de um eventual choque de energia. Diferentemente das tarifas, cujo impacto tende a ser mais localizado, um movimento persistente nas commodities pode contaminar expectativas e influenciar decisões de política monetária em escala global.
No Brasil, o excesso de cautela pode vir à tona novamente
O processo de desinflação segue em curso e, até o momento, não há sinais de reversão estrutural dessa tendência. A acomodação dos índices de preços continua refletindo arrefecimento da demanda e condições monetárias ainda restritivas.
No entanto, a elevação dos riscos externos, especialmente via petróleo e câmbio, pode tornar o ambiente mais cauteloso para o Comitê de Política Monetária. A piora do balanço de riscos tende a reduzir o espaço para cortes mais intensos da Selic.
Complementarmente, considerando também a cautela excessiva do Copom nos últimos meses, o ciclo de cortes de juros pode se mostrar mais curto do que o projetado pelo mercado neste momento.
E os criptoativos?
O Bitcoin apresentou recuperação ao longo do período, mesmo em um ambiente marcado por dólar fortalecido e elevação das tensões geopolíticas. O movimento sugere recomposição de posições e entrada tática de fluxo, em meio à busca por ativos alternativos e à elevada liquidez.
Apesar da melhora recente, a trajetória segue sensível à dinâmica dos juros nos Estados Unidos e ao comportamento das bolsas globais. A continuidade da alta dependerá da manutenção do apetite por risco e da estabilidade no mercado de Treasuries.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:
| Ativo | Empresa | Compra | Pagamento | Provento | Valor por ação |
| VALE3 | Vale | 11/12/2025 | 04/03/2026 | Dividendos | R$ 0,77 |
| VALE3 | Vale | 11/12/2025 | 04/03/2026 | JSCP | R$ 1,57 |
| BBAS3 | Banco Do Brasil | 23/02/2026 | 05/03/2026 | Rend. Trib. | R$ 0,01 |
| BBAS3 | Banco Do Brasil | 23/02/2026 | 05/03/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| ITSA3 | Itaúsa | 09/12/2025 | 06/03/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| ITSA4 | Itaúsa | 09/12/2025 | 06/03/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| ITUB3 | Banco Itaú | 09/12/2025 | 06/03/2026 | JSCP | R$ 0,37 |
| ITUB4 | Banco Itaú | 09/12/2025 | 06/03/2026 | JSCP | R$ 0,37 |
| CAML3 | Camil | 27/02/2026 | 09/03/2026 | Dividendos | R$ 0,07 |
| BBAS3 | Banco Do Brasil | 02/03/2026 | 11/03/2026 | JSCP | R$ 0,07 |
| BRAP3 | Bradespar | 17/12/2025 | 13/03/2026 | Dividendos | R$ 0,19 |
| BRAP3 | Bradespar | 17/12/2025 | 13/03/2026 | JSCP | R$ 0,61 |
| BRAP4 | Bradespar | 17/12/2025 | 13/03/2026 | Dividendos | R$ 0,21 |
| BRAP4 | Bradespar | 17/12/2025 | 13/03/2026 | JSCP | R$ 0,68 |
| FIQE3 | Unifique | 29/12/2025 | 16/03/2026 | Dividendos | R$ 0,08 |
| GGBR3 | Gerdau | 10/03/2026 | 18/03/2026 | Dividendos | R$ 0,10 |
| GGBR4 | Gerdau | 10/03/2026 | 18/03/2026 | Dividendos | R$ 0,10 |
| GRND3 | Grendene | 26/12/2025 | 18/03/2026 | Dividendos | R$ 0,22 |
De olho no câmbio
O dólar deve permanecer sustentado pelo aumento do risco geopolítico envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos. A permanência do conflito mantém elevada a demanda por proteção. O ambiente global segue propenso a movimentos defensivos.
A trajetória do petróleo será variável central. Caso os preços avancem de forma persistente, o risco inflacionário pode ganhar força. Apesar disso, o Fed provavelmente manterá a taxa de juros inalterada na próxima reunião.
Por outro lado, o diferencial de juros, muito favorável ao Brasil, pode encaminhar uma nova rodada de valorização do real ao menor sinal de redução das tensões e eventuais (e remotos, por enquanto) acordos de cessar-fogo.
Seguimos de olho.