Investidores Estrangeiros Reforçam Confiança no Brasil

Na segunda-feira, dia 28 de janeiro, iniciamos a semana lamentando a tragédia de Brumadinho. Os danos sociais e ambientais ainda são incalculáveis e o mercado, obviamente, reagiu ao acontecimento. O dia foi de queda forte para a Vale (empresa responsável pelo ocorrido) e para a Bolsa brasileira.

Algo que também chamou atenção foi o comportamento do dólar ao longo da semana. Ainda que nossa imagem tenha sido abalada, pudemos observar que os investidores de mercado de câmbio estão reforçando o seu voto de confiança no Brasil, e, em especial, na condução da política econômica.

Mesmo com todo o cenário turbulento e sem definições, a posição do dólar inverteu-se; isto é, a perspectiva atual é de ganhos com o real brasileiro. Quando olhamos um ranking com as principais moedas globais, o destaque é novamente nosso.

Já tínhamos acompanhado o país como a promessa de melhor desempenho da Bolsa, isso em nível global – o que de fato já vem acontecendo. Porém, a Bolsa está conseguindo manter essa performance devido ao entusiasmo local, pois o investidor daqui vem comprando mais.

Primeiros Sinais de Investimento Estrangeiro no País

Eu tinha comentado, aqui neste espaço, que para vermos o real boom da Bolsa e queda mais forte do dólar, seria necessário que o investidor externo também mudasse a sua percepção do Brasil.

Apenas o aumento de sua confiança e forte fluxo estrangeiro seriam suficientes para fazer com que pudéssemos observar, de uma vez por todas, uma mudança de paradigma.

Mas calma, pois este momento ainda não chegou. Estamos diante dos primeiros sinais de entrada de recursos no país (o que não víamos há meses). Na Bolsa brasileira, os estrangeiros estão voltando às compras de ações domésticas. Com isso, o saldo de capital externo está positivo em pouco mais de R$ 3 bilhões.

Após o encontro mundial em Davos na última semana, somado às falas de alinhamento de uma agenda de privatizações e reformas importantes, o rumor de que veremos melhoras por aqui vem sendo alimentado.

Com isso, o estrangeiro retoma a (tão esperada) confiança com os ativos brasileiros e traz o dinheiro para cá, beneficiando a queda do dólar.

Dólar Pode Cair Ainda Mais

Ainda mantenho a projeção de que a moeda oscile no patamar dos R$ 3,70 por mais tempo até que possamos observar maior vinda de recursos. É possível experimentarmos no curto prazo algumas quedas abaixo desse valor, mas creio que serão pontuais.

Os fatores que sustentarão quedas mais acentuadas são bem conhecidos do leitor. No cenário internacional: confiança de que o Fed (banco central norte-americano) mantenha a taxa de juros no atual patamar e conversas entre os EUA e a China visando reduzir os impactos da guerra comercial. E por aqui, a efetiva mudança e aprovação das reformas. Apenas com isso, o dólar a R$ 3,50 será uma nova realidade.

Glenda Mara Ferreira é Economista, bacharel em Relações Internacionais com experiência em planejamento financeiro. Atualmente é especialista em investimentos na Levante e acabou de inaugurar um canal no YouTube sobre finanças pessoais, Glenda Mara.