Acordo EUA-China e eleições no Reino Unido afetam câmbio

por André Galhardo
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Acordo comercial entre EUA e a China e as eleições no Reino Unido afetam câmbio. Foto: Isac Nóbrega/Agencia Brasil

A semana foi marcada pela tomada de decisões importantes a nível mundial. Finalmente a primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China foi assinada. O resultado das eleições no Reino Unido afetou câmbio e valorizou a Libra Esterlina. Euro se mantém estável.

Acordo comercial encaminhado, novas perspectivas para o crescimento europeu e a vitória do Partido Conservador no Reino Unido. Acompanhe os desdobramentos desses acontecimentos sobre as principais moedas globais.

Dólar em queda em semana marcada por acordo comercial

A cotação do Dólar aqui no Brasil cedeu um pouco mais ao longo desta semana. A moeda americana, que abriu a semana na casa dos R$ 4,1417, chega a esta sexta-feira (13) aos R$ 4,0908.

O principal catalisador desse movimento foi o conflito comercial entre EUA e China. Finalmente, após meses de negociações, os dois gigantes assinaram um acordo preliminar. 

Maiores detalhes ainda são incertos. Contudo, a perspectiva de resolução do conflito trouxe ânimo aos mercados e outros economistas.

As bolsas asiáticas, especialmente Hang Seng (Bolsa de Valores de Hong Kong), registraram forte alta graças a essas notícias que, por sua vez, podem pavimentar um caminho de retomada do crescimento global em 2020.

Com isso, a moeda americana saiu de 4,1417 na segunda-feira (9) e na abertura do pregão desta sexta-feira (13), recuou para R$ 4,0908, uma apreciação de 1,23% do Real.

Discussões na COP-25 trouxeram impacto ao Euro

O tema do crescimento econômico segue em voga no velho continente, mas, dessa vez, com um olhar especial ao meio ambiente. 

Essa foi a proposta dos diálogos na COP-25, que aconteceria no Chile no final de novembro, mas passou a Madri, na Espanha. 

Há uma proposta ousada na mesa: de extinguir os gases de efeito estufa até 2050. Com isso – e os investimentos previstos para viabilizar esse plano – a Europa pode vir a ser a potência ambiental que almeja ser.

Infelizmente, a Polônia não se submeteu ao acordo, colocando novamente uma interrogação nos planos de crescimento da região.

Dadas as expectativas, a moeda europeia abriu a semana cotada a R$ 4,5790. Na abertura desta sexta-feira (6), a cotação do Euro foi de R$ 4,5750, uma depreciação de 0,09% da moeda europeia. 

Resultados das eleições no Reino Unido valorizam Libra Esterlina

Por fim, o resultado das urnas foi conhecido e o partido do então primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Johnson foi reconduzido ao cargo, uma vez que agora é o parlamento é de maioria conservadora.

Ao agradecer pela Vitória, Johnson salientou que “recebeu um novo e poderoso mandato para realizar o Brexit – e não apenas para fazer o Brexit, mas para unir este país [Reino Unido] e levá-lo adiante”. 

E destacou ainda que agora ele tem a “chance de respeitar a vontade democrática do povo britânico, mudar este país para melhor e liberar o potencial de todo o povo”.

No mais, acompanhando o movimento político, a Libra Esterlina abriu a semana cotada a R$ 5,4413. Nesta sexta (13), o Real seguiu trajetória de depreciação em relação à Libra. Na abertura, a cotação da Libra era de R$ 5,5115, uma variação semanal de 1,29%.

Perspectivas

A exemplo da semana passada, o Real se fortaleceu frente às principais moedas, exceto a Libra, especialmente pelo movimento político no Reino Unido.

Mas é interessante observar que há um ambiente diferente sendo concebido neste final de ano e que deve ter reflexos em 2020 adiante, com esforços pro-crescimento econômico.

No mais, parece-nos evidente que o Real continua ao bel-prazer do movimento externo e, nesse sentido, podemos esperar um movimento de apreciação sutil e gradual rumo aos R$4.

O fundamental é que não nos esqueçamos que a economia brasileira permanece com suas dificuldades e seus desafios, portanto, é natural esperar que o Real se mantenha acima dos R$4.

Seguimos de olho. 

André Galhardo é economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, professor e coordenador universitário nos cursos de Ciências Econômicas. Mestre em Economia Política pela PUC-SP, possui ampla experiência em análise de conjuntura econômica nacional e internacional, com passagens pelo setor público.

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