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As tarifas vieram e foram mais leves que o esperado

A política tarifária de Trump voltou a dominar o noticiário econômico. O presidente anunciou uma nova rodada de tarifas que atinge diretamente o Brasil. Saiba mais.

Símbolos mostram o cálculo das principais tarifas alfandegárias no Brasil
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A política tarifária de Trump voltou a dominar o noticiário econômico. O presidente anunciou uma nova rodada de tarifas que atinge diretamente o Brasil, com sobretaxas de 50% sobre tubos e fios de cobre e outros produtos industriais. Apesar de impactante, a medida veio mais branda do que se temia. 

Ao invés de atingir todas as exportações brasileiras, o pacote deve incidir sobre aproximadamente 60% delas, poupando segmentos como aeronáutico, energético e suco de laranja. Ao que parece, a estratégia de Trump é taxar o Brasil em setores que ele considera que os EUA são menos dependentes do Brasil.

Nos EUA, as tarifas também estão deixando suas marcas. Em julho, foram criadas apenas 73 mil vagas, enquanto os dados de maio e junho foram drasticamente revisados para baixo, somando menos 258 mil empregos do que o inicialmente reportado, sendo a pior leitura líquida desde a pandemia. 

Na mesma semana, o Fed manteve os juros entre 4,25% e 4,50%, mas o mercado começa a apostar em um corte no curto prazo, diante da notória queda nas contratações. Ainda é cedo para garantir como a economia americana se comportará, mas a nova política tarifária não passará imperceptível. 

E o cenário doméstico?

No Brasil, o IPCA-15 de julho avançou 0,33%. Por outro lado, o IGP-M voltou a registrar deflação (-0,77%), puxado pelo recuo de 1,29% no IPA, o que sugere alívio nos preços ao produtor e continuidade no processo de deflação em alimentos e commodities. 

No setor externo, o déficit em transações correntes se ampliou para US$5,1 bilhões em junho, refletindo menor saldo comercial e aumento nos gastos com serviços. O Investimento Direto no País decepcionou, com entrada líquida de apenas US$2,8 bilhões.

No campo fiscal, o setor público consolidado apresentou déficit primário de R$47,1 bilhões em junho. Ainda assim, em 12 meses, houve superávit de R$17,9 bilhões (0,15% do PIB). 

Além disso, o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, conforme esperado. De forma geral, a inflação tem arrefecido e o fiscal melhorado. Deste modo, os principais determinantes do câmbio seguem sendo os fatores externos. 

Impactos no câmbio

De forma geral, o real tem mostrado um desempenho positivo em 2025, com recuperação relevante frente às perdas acumuladas no fim do ano passado. Entre janeiro e junho, a moeda brasileira valorizou 12,15%, saindo de R$6,18 para R$5,43. 

No entanto, essa trajetória favorável foi interrompida em julho com o anúncio das tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos. 

A tensão comercial e até mesmo política, com Trump fazendo citações ao STF, tem gerado incerteza no mercado e levou a uma nova rodada de desvalorização do real, que já acumula queda de 2% frente ao fim de junho, oscilando mais próxima dos R$5,50 do que dos R$5,40.

E os criptoativos?

Após alcançar níveis históricos no fim de julho, o Bitcoin iniciou agosto com um movimento de correção. A moeda segue negociada acima dos US$110 mil, mas vem mostrando sinais de enfraquecimento no curto prazo, com tendência de queda gradual nos próximos dias. 

Essa leve desvalorização, no entanto, ocorreu após uma recuperação expressiva ao longo do mês passado, o que sugere um ajuste natural de mercado. 

O patamar de US$116 mil se consolida como resistência importante no momento, enquanto os investidores acompanham os desdobramentos macroeconômicos e o apetite por ativos de risco para calibrar os próximos movimentos da cripto.

E os Dividendos? 

Confira alguns dos pagamentos agendados no mercado brasileiro:

📅 Agenda de Dividendos

CódigoEmpresaData ComPagamentoTipoValor Por Ação
SANB11Banco Santander17/07/2508/08/25JSCPR$0,54
SANB3Banco Santander17/07/2508/08/25JSCPR$0,26
SANB4Banco Santander17/07/2508/08/25JSCPR$0,28
SMTO3São Martinho30/07/2508/08/25JSCPR$0,46
VITT3Vittia18/07/2508/08/25JSCPR$0,05
CSMG3Copasa23/06/2511/08/25JSCPR$0,43
JHSF3JHSF31/07/2511/08/25DividendosR$0,03
WEGE3Weg21/03/2513/08/25JSCPR$0,08
WEGE3Weg25/07/2513/08/25DividendosR$0,17
WEGE3Weg20/06/2513/08/25JSCPR$0,09
FRAS3Fras-le04/07/2514/08/25JSCPR$0,34
CXSE3Caixa Seguridade01/08/2515/08/25DividendosR$0,31
INTB3Intelbras01/08/2515/08/25DividendosR$0,21
MOTV3Motiva Sa05/08/2515/08/25DividendosR$0,18
GGBR3Gerdau11/08/2518/08/25DividendosR$0,12

De olho no câmbio

As incertezas continuam marcando o cenário cambial. Por um lado, houve alívio nos riscos inflacionários, com desaceleração dos núcleos e menor disseminação de aumentos de preços, além de uma melhora nos resultados fiscais em comparação ao ano anterior, favorecendo o real.

Por outro, o ambiente internacional segue pressionando a moeda brasileira, principalmente diante da política comercial mais agressiva do governo Trump, que trouxe novas tarifas e ameaças diretas à economia do Brasil. 

Com isso, embora os fundamentos domésticos tenham evoluído, é o cenário externo que continua predominando na formação do câmbio. 

Seguimos de olho.

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