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Os últimos dados divulgados sobre a atividade econômica brasileira apresentam níveis baixos e, em linguagem popular, podemos dizer que a economia está caminhando a passos bem lentos, quase parando.

Analisando as expectativas dos principais economistas no Brasil pelo relatório Focus, a projeção de um PIB (Produto Interno Bruto) menor foi estimada nas últimas 17 semanas.

O relatório é resultado de levantamento feito com mais de 100 instituições financeiras e divulgado semanalmente e constata que o otimismo dos grandes nomes do mercado continua caindo, já que a perspectiva inicial de crescimento do PIP era de 2,5% no início ano e agora atinge 0,87%.

Quando observamos os números mais detalhadamente, não vemos perspectivas de melhora para 2019. O setor de serviços, responsável por mais de 70% do PIB do país, acumula queda de 1,8% nos três primeiros meses do ano. A indústria também não está conseguindo se recuperar e foi o principal recuo na atividade econômica no primeiro trimestre. Atualmente, a projeção é de crescimento de mínimos 0,47% para o setor.

A nossa balança comercial, apesar de apresentar um superávit (quando as exportações superam as importações), de US$ 1,737 bilhão na terceira semana de junho, deve fechar o ano com um número menor do que foi visto no último ano. Mais um golpe na atividade econômica do país.

Até mesmo em produtos em que somos líderes globais de exportação, como o suco de laranja, estamos com 16% menos exportações do que a safra anterior. Não é diferente com o minério de ferro, que tem sua queda próxima a 16% também, quando comparado a maio de 2018.

Obviamente, o efeito Brumadinho devido à tragédia da Vale será sentido e já representa perdas sociais e ambientais, além de impactar negativamente o PIB devido a relevância do setor em nossa atividade econômica.

Com esses poucos dados, temos a constatação básica: existem diversos fatores que dificultam a retomada do crescimento até mesmo em setores que somos referência.

Mais do que conseguir vender nossos produtos lá fora, é necessário reconquistamos a confiança do empresário nacional e internacional para investirem no país e fazer com o a roda econômica gire.

Quais impactos nossa atividade econômica possuem no dólar?

Analisado sob outro ótica: sem o comércio e negociação efetiva de produtos, não temos a entrada de mais dólares no Brasil. Se a moeda forte não entra aqui, não conseguimos ver a sua cotação caindo. Simples assim.

De forma geral, uma economia fraca é sinalização de que o real também continuará enfraquecido – por mais tempo que o consenso insiste em acreditar. Há falta de confiança e credibilidade em nosso país, que deve voltar com mais potência apenas em meados 2020.

Ademais, estamos em um contexto de necessidade de perspectivas de melhora da economia como um todo, para assim então podermos ver a atividade econômica voltando a crescer.

Diante disto, podemos traçar um paralelo – salvo todas as ressalvadas – entre o PIB e o dólar. Com economia enfraquecida, o cenário atual deixa o dólar no patamar dos R$ 3,80 por mais algum tempo.

Glenda Mara Ferreira é Economista, bacharel em Relações Internacionais com experiência e planejamento financeiro. Atualmente é especialista em investimentos na Levante e acabou de inaugurar um Instagram sobre finanças pessoais e economia:@glendamaraf.