Banco Digimais entra no radar do Banco Central após rombo de R$ 8,5 milhões ligado a Edir Macedo

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O Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, enfrenta um cenário de severa deterioração patrimonial que mobiliza o Banco Central (BC) e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
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O Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, enfrenta um cenário de severa deterioração patrimonial que mobiliza o Banco Central (BC) e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Com um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões e patrimônio líquido negativo, o banco tornou-se o novo foco de instabilidade no sistema financeiro nacional. A crise ganhou tração após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, revelando conexões societárias e práticas operacionais que agora estão sob rigorosa auditoria.

Origem do rombo financeiro no Digimais

A fragilidade do Digimais decorre de uma combinação de inadimplência elevada no pós-pandemia e inconsistências contábeis graves. Relatórios de 2024 e 2025 já indicavam a corrosão do patrimônio, exigindo aportes recorrentes dos controladores para evitar uma quebra técnica imediata. 

A situação se agravou com a suspeita de ativos superavaliados e registros de difícil comprovação nos balanços da instituição.

Investigações apontam para a venda de carteiras de crédito fraudulentas, estratégia similar à utilizada por outras instituições liquidadas. Um caso emblemático envolve o fundo EXP1, onde uma auditoria da UHY International constatou que R$ 500 milhões em contratos não possuíam lastro real. 

Dos 55 mil contratos analisados, cerca de 22 mil seriam falsos, originários de operações ligadas ao ecossistema do antigo Banco Master e da gestora Reag.

Estratégias de captação agressiva acendem alerta de risco

Para manter a liquidez diante da crise, o Digimais passou a oferecer títulos de renda fixa com rentabilidades muito acima da média de mercado. Investidores encontram CDBs pagando até 135% do CDI, patamar que sinaliza alto risco e necessidade urgente de atrair recursos. No mercado secundário, alguns ativos prefixados chegam a oferecer 17% ao ano para vencimentos em 2027.

Embora esses investimentos possuam a garantia do FGC para valores até R$ 250 mil por CPF, analistas recomendam cautela. A experiência recente com o Banco Master demonstrou que, em caso de liquidação, o tempo de espera pelo ressarcimento pode corroer a rentabilidade real do investidor. 

A governança do Digimais é questionada por ser uma empresa de capital fechado, o que limita a transparência sobre seus documentos financeiros.

O papel do Banco Central e as tentativas frustradas de venda

O Banco Central tem exercido pressão direta sobre a gestão do banco, exigindo mudanças na diretoria e aportes de capital. Em dezembro de 2025, Edir Macedo injetou R$ 250 milhões de recursos próprios na tentativa de estabilizar a operação. Contudo, o movimento foi insuficiente para sanar o déficit, especialmente após a retirada de R$ 2 bilhões que o Grupo Record mantinha investidos na instituição.

A autoridade monetária incentivou a venda do controle acionário como saída para evitar a liquidação extrajudicial, mas as negociações fracassaram sucessivamente:

  • Maurício Quadrado: o ex-sócio do Banco Master chegou a anunciar a compra, mas o negócio não avançou devido a vetos regulatórios.
  • Nubank: a fintech iniciou tratativas por sugestão do BC, porém desistiu da aquisição após análise de risco.
  • Tércio Borlenghi Jr.: o fundador da Ambipar demonstrou interesse, mas a proposta naufragou antes do pedido de recuperação judicial de sua própria companhia.

Impactos no FGC e a influência política da instituição

O mercado observa com apreensão o impacto de um eventual colapso do Digimais sobre o patrimônio do FGC, que já foi severamente onerado pelo rombo de R$ 52 bilhões do grupo Master. A análise do balanço atual do Digimais busca definir se haverá intervenção ou se uma nova tentativa de fusão é viável.

Há também um componente político na crise, dado que o banco possui ligações com o partido Republicanos e a bancada evangélica. Enquanto o desfecho não ocorre, o banco respondeu, em nota:

O plano do banco foca no fortalecimento patrimonial e na reestruturação de passivos de longo prazo. O objetivo é assegurar a sustentabilidade operacional e uma sucessão de controle que preserve a higidez da instituição. O foco atual do banco está em aplicar a senioridade da alta gestão para organizar a gestão financeira e entregar resultados aos controladores ou futuros compradores.

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Resumindo

O que aconteceu com o Banco Digimais?

O Banco Digimais enfrenta uma grave crise financeira com um rombo estimado em R$ 8,5 bilhões e patrimônio líquido negativo. A instituição tornou-se uma preocupação central para o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) devido a evidências de insolvência e irregularidades operacionais.

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