Câmbio: Volatilidade e guerra cambial

Câmbio da semana: volatilidade e guerra cambial

O ponto alto da última semana foi o novo capítulo da Guerra Comercial entre China e Estados Unidos. O Dólar se fortaleceu frente às principais moedas do globo, especialmente dos países emergentes. O destaque foi o Yuan, a moeda chinesa que, por outro lado, perdeu força a níveis não vistos em mais de uma década. O movimento reacendeu uma discussão acerca de uma eventual Guerra Cambial.  Acompanhe. 

Real x Dólar

em meio às ações americanas e respostas chinesas na guerra comercial, investidores direcionam recursos para o dólar

O que tem caracterizado o movimento do dólar esta semana é a busca por segurança em detrimento da rentabilidade por parte dos investidores na moeda estadunidense. 

Em meio às ações americanas e às respostas chinesas no âmbito da guerra comercial, investidores direcionam seus recursos para o dólar a fim de proteger seu capital.

O movimento de fortalecimento do Dólar em relação ao Real foi bastante intenso no início desta semana (5/8), após a forte desvalorização do Yuan realizada pelo Banco do Povo da China (BPC).

A manipulação da cotação do Yuan foi uma resposta às pressões americanas e a imposição de 10% de tarifas de importação a mais de US$ 300 bilhões sobre mercadorias oriundas do gigante asiático.

As tensões comerciais tiveram um alívio temporário após o anúncio do BPC, na terça-feira (6/8), de fixar a cotação do Yuan em torno de ¥ 7 para cada US$ 1. O posicionamento do BPC se deu após fortes acusações americanas de manipulação cambial contra a China.

Nesse contexto, o Dólar registrou alta ao longo desta semana em relação às principais moedas do mundo, mas abriu o pregão desta sexta-feira (9/8) em patamar mais confortável, após alívio temporário das tensões comerciais. 

Desde a segunda-feira (5/8), a moeda americana saiu de R$ 3,8859 e abriu o pregão de sexta-feira negociada na casa dos R$ 3,9232, após ter atingido a máxima de R$ 3,9931 ao longo da semana. 

Real x Euro

o euro está sendo impactado pelos problemas entre EUA e China

O Euro é um capítulo à parte, preso em seus próprios problemas, mas impactado diretamente pelos problemas externos entre EUA e China. Mas, em primeiro lugar, seu grande desafio tem sido em retomar o crescimento com um mercado sem tração.

Na madrugada de sexta-feira (9/8), a balança comercial da Alemanha referente ao mês de junho registrou um desempenho marginalmente abaixo das expectativas de mercado: € 18,1 bilhões. O resultado decorreu de uma forte queda das exportações e uma aceleração das importações. 

Complementarmente, a produção industrial alemã registrou uma queda mais profunda do que esperava o mercado inicialmente. A queda foi de 1,5%, referente ao mês de junho, mostrando que a maior economia da zona euro está com dificuldade em concretizar uma recuperação.

Os dados vindos da Alemanha alimentam a contínua preocupação com o desempenho da maior economia da zona do euro e, por conseguinte, do próprio bloco. 

O Euro abriu a semana cotado a R$ 4,3149 e ganhou força frente ao Real, chegando a ser cotado a R$ 4,4871 durante a semana. Na abertura do pregão desta sexta-feira, o Euro era cotado a R$ 4,3837, uma variação semanal de aproximadamente +1,58%.

Real x Libra Esterlina

Libra Esterlina está sendo impactada há semanas pelo Brexit
Libra Esterlina

As últimas semanas para a Libra Esterlina foram marcadas pela novela do Brexit e pelas expectativas em torno da atuação de Boris Johnson à frente do Reino Unido. Sob a ótica dos indicadores econômicos, a incerteza se fazia presente em meio a alguns dados ambíguos.

Mas no início do pregão desta sexta-feira (9/8), o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) divulgou o resultado preliminar do PIB referente ao segundo trimestre. E o pessimismo se confirmou. 

O PIB do Reino Unido surpreendeu negativamente o mercado com uma queda inesperada. As projeções mais pessimistas indicavam uma variação neutra do PIB na passagem do 1º para o 2º trimestre, ou seja, 0%. No entanto, o indicador registrou uma variação negativa em 0,2%. Trata-se da primeira queda desde 2012.

Por se tratar de um dado preliminar, ainda não há muitos detalhes. Mas os indicadores econômicos divulgados anteriormente dão conta de explicar que boa parte do resultado é creditado ao desempenho da indústria e do comércio exterior, além de um varejo bastante volátil.

O resultado coloca mais problemas para a Libra Esterlina. Com o governo do premiê Boris Johnson comprometido em deixar a União Europeia no dia 31 de outubro independente de acordo com o bloco, o restante de 2019 fica imerso em mais incertezas para a economia e para a moeda.

Nesse contexto, a Libra abriu o pregão de sexta-feira perdendo força com relação ao Dólar, depreciando mais de 0,5%. Com relação ao Real, por sua vez, a Libra abriu a semana cotada a R$ 4,8301 mas perdeu força em relação ao Real, alcançando o patamar de R$ 4,7509 na abertura do pregão de sexta-feira, (9/8).

Perspectivas

A atual conjuntura alimenta expectativas pessimistas com relação ao desempenho das principais moedas globais e insere um conjunto de desafios extras ao Real. 

É importante lembrar que o Brasil se encontra em meio a um processo de ajustamento de sua economia e que os problemas externos podem dificultar esse processo.

De todo modo, a perspectiva geral para a cotação do Real frente às principais moedas no médio prazo é de valorização, influenciada pelos ajustes na economia. Contudo, tal perspectiva segue em risco pelo prolongamento das tensões externas. 

Seguimos de olho.

André Galhardo é economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, professor e coordenador universitário nos cursos de Ciências Econômicas. Mestre em Economia Política pela PUC-SP, possui ampla experiência em análise de conjuntura econômica nacional e internacional, com passagens pelo setor público.