Cessar-fogo temporário resgata desvalorização do dólar
Cessar-fogo temporário resgata desvalorização do dólar
|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A última quinzena foi marcada por incertezas geopolíticas e volatilidade cambial. O dólar, por vezes, ultrapassou os R$5,30, em momentos marcados por tensões e ataques diretos envolvendo os EUA e o Irã. Nesta quarta, a moeda tocou nos R$5,06.
Além das questões políticas, o risco inflacionário influenciado pela alta energética permaneceu no radar, com o petróleo passando de US$110 por barril. A reabertura do estreito de Ormuz aliviou os preços, com as cotações de volta na casa dos US$90. O movimento também teve influência direta no câmbio.
Guerra continua como vetor de valorização do dólar
A guerra no Oriente Médio segue como principal vetor de valorização do dólar. Apesar da elevada volatilidade, o ambiente ainda favorece a moeda norte-americana como ativo de proteção. As declarações contraditórias do presidente dos EUA, Donald Trump, alternando entre cessar-fogo e escalada militar, ampliam a incerteza.
Nesse contexto, movimentos pontuais de alívio também têm gerado correções no câmbio. A reabertura do estreito de Ormuz trouxe uma acomodação temporária nos preços do petróleo. Com isso, houve um respiro momentâneo na pressão sobre o dólar, ainda que sem mudança estrutural de tendência.
A principal preocupação global permanece concentrada no risco de uma crise energética. Diversos países já buscam medidas para mitigar os impactos da alta dos combustíveis. No Brasil, a revisão da MP do diesel reforça esse movimento e adiciona novas camadas de incerteza ao cenário doméstico.
Mas Selic alta garante força relativa do real
Apesar do cenário, o diferencial de juros elevados no Brasil permanece atraindo capital para o país, reforçando o real entre as moedas emergentes. Complementarmente, o volume de exportação, impactado pelo súbito aumento do preço do barril de petróleo, também tem favorecido a moeda brasileira.
Os mercados reajustaram as expectativas quanto à Selic, projetando cortes mais graduais ao longo do ano, o que reforça a postura extremamente cautelosa do BC. O aumento das projeções de inflação sugere um ciclo de cortes curto, com a Selic em cerca de 14% no final do ajuste.
O risco inflacionário segue no radar, pressionado sobretudo pela alta dos combustíveis, mesmo diante de medidas de contenção. Ao mesmo tempo, apesar de alguma recuperação pontual nos indicadores de atividade, o quadro geral ainda sugere desaceleração da economia brasileira.
E os criptoativos?
Apesar da fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio, a expectativa de arrefecimento do conflito impulsionou uma forte reprecificação dos ativos nesta quarta-feira (08). A perspectiva de menor pressão inflacionária reduz a probabilidade de elevação de juros pelo Fed em 2026, o que melhora o ambiente para o Bitcoin. Em síntese, a diminuição dos riscos inflacionários, combinada à expectativa de juros mais estáveis, tende a sustentar o desempenho de ativos de maior risco, como os criptoativos.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:
| Ativo | Empresa | Compra | Pagamento | Provento | Valor por ação |
| ALOS3 | Allos | 27/03/2026 | 09/04/2026 | JSCP | R$ 0,29 |
| JHSF3 | Jhsf | 30/03/2026 | 09/04/2026 | Dividendos | R$ 0,07 |
| ENMT3 | Energisa Mato Grosso | 17/03/2026 | 10/04/2026 | Dividendos | R$ 0,76 |
| ENMT4 | Energisa Mato Grosso | 17/03/2026 | 10/04/2026 | Dividendos | R$ 0,76 |
| HBRE3 | Hbr Realty | 30/12/2025 | 10/04/2026 | Dividendos | R$ 0,49 |
| ROMI3 | Romi S.A. | 22/09/2025 | 10/04/2026 | JSCP | R$ 0,18 |
| TOTS3 | Totvs | 25/03/2026 | 10/04/2026 | JSCP | R$ 0,18 |
| B3SA3 | B3 | 31/03/2026 | 13/04/2026 | JSCP | R$ 0,07 |
| B3SA3 | B3 | 30/12/2025 | 13/04/2026 | JSCP | R$ 0,07 |
| BEES3 | Banco Banestes | 26/03/2026 | 13/04/2026 | JSCP | R$ 0,07 |
| BEES4 | Banco Banestes | 26/03/2026 | 13/04/2026 | JSCP | R$ 0,07 |
| REDE3 | Rede Energia | 17/03/2026 | 13/04/2026 | Dividendos | R$ 0,10 |
| VITT3 | Vittia | 09/04/2026 | 13/04/2026 | Bonificação | 10,00% |
| LREN3 | Lojas Renner | 24/03/2026 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 22/09/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,12 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 25/07/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,10 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 22/05/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,15 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 25/08/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,08 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 27/10/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,12 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 29/12/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,11 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 11/04/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,15 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 24/11/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,11 |
| VIVT3 | Vivo – Telefônica Br | 23/06/2025 | 14/04/2026 | JSCP | R$ 0,06 |
De olho no câmbio
O dólar tende a permanecer oscilando, dependendo muito do cenário geopolítico do momento. Declarações mais duras de Donald Trump podem alterar a dinâmica da moeda americana, e a incerteza quanto às escaladas militares podem ser retomadas de forma abrupta.
Os mercados seguem atentos às questões energéticas, observando de perto quaisquer sinais de alívio. O estreito de Ormuz foi reaberto hoje (08) com intensa movimentação após o cessar-fogo provisório, o que suaviza movimentos da moeda norte-americana. Neste contexto, esperamos por valorização da moeda brasileira, sustentada pela desvalorização do dólar em nível global.
Seguimos de olho.
