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O fim de julho reserva um espetáculo duplo no céu. Duas chuvas de meteoros, a Delta Aquáridas do Sul e a Alfa Capricornídeas, atingem o pico de atividade nas madrugadas de quinta-feira (30) e de sexta-feira (31), e as duas poderão ser observadas de qualquer região do Brasil.

Há uma ressalva importante antes de programar a madrugada em claro. O pico acontece logo depois da Lua cheia de 29 de julho, e a Sociedade Americana de Meteoros calcula que o satélite ainda estará com 98% da superfície iluminada na quinta-feira, o que apaga os rastros mais fracos.

Segundo o Observatório Nacional, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, não é preciso telescópio nem binóculo para acompanhar o fenômeno: as estrelas cadentes aparecem a olho nu, desde que o céu esteja limpo e o observador fique longe da iluminação artificial.

De onde surgiu essa chuva de meteoros?

Cada uma das duas chuvas desta semana tem um “cometa de origem” diferente, o chamado corpo progenitor.

  • Delta Aquáridas do Sul: os fragmentos vêm do cometa 96P/Machholz. Os meteoros são rápidos, esbranquiçados e, em geral, discretos.
  • Alfa Capricornídeas: o material vem do cometa 169P/NEAT, descoberto em 2002. Estudos apontam que ele seria o pedaço de um cometa maior, que se partiu há alguns milhares de anos.

A diferença de origem explica a diferença de comportamento no céu. As Alfa Capricornídeas produzem poucos meteoros, mas eles são lentos, grandes e muito brilhantes, às vezes classificados como bolas de fogo, ou fireballs, meteoros tão intensos que chegam a iluminar o entorno por uma fração de segundo.

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Quando vai ocorrer a chuva de meteoros?

As duas chuvas ficam ativas por várias semanas, mas concentram o maior número de meteoros nas noites de pico. Veja o resumo:

ChuvaPeríodo de atividadePicoTaxa estimada por hora
Delta Aquáridas do Sul12 de julho a 23 de agostoMadrugadas de 30 e 31 de julho15 a 25 meteoros
Alfa Capricornídeas3 de julho a 15 de agostoMadrugadas de 30 e 31 de julhoCerca de 5 meteoros

As taxas acima valem para condições ideais, ou seja, céu escuro, sem nuvens e sem Lua. Com a Lua quase cheia, o número real de meteoros visíveis tende a ser menor.

O melhor horário é entre a meia-noite e o amanhecer, quando o radiante das duas chuvas já subiu bastante no céu.

Dá para ver a chuva de meteoros no Brasil?

Sim, e o Brasil está em posição privilegiada. As Delta Aquáridas do Sul são mais bem observadas em regiões tropicais e no Hemisfério Sul, exatamente onde o país está.

Nenhuma região fica de fora. O que muda de um lugar para outro não é a chuva em si, mas duas condições locais: a quantidade de luz artificial e a cobertura de nuvens no momento da observação.

Julho ainda joga a favor. É inverno em boa parte do país, com noites mais longas e ar mais seco no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, o que costuma deixar o céu mais limpo.

Na prática, quem está em áreas rurais, serras, praias pouco iluminadas e cidades pequenas do interior tem uma experiência muito melhor do que quem tenta observar do centro de uma capital.

Como ver a chuva de meteoros a olho nu?

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Observatório Nacional dão orientações parecidas, resumidas nos passos abaixo:

  1. Saia da luz. Procure um local escuro, longe de postes, letreiros e prédios iluminados.
  2. Esconda a Lua. Fique de costas para ela ou posicione uma árvore, um morro ou uma construção entre você e o satélite. Esse é o truque mais importante neste ano.
  3. Espere a vista se adaptar. Os olhos levam de 20 a 30 minutos para se ajustar ao escuro. Mexer no celular com o brilho alto zera esse processo.
  4. Olhe para o céu inteiro. Os meteoros podem surgir em qualquer direção, então o ideal é abranger a maior área possível, deitado ou em uma cadeira reclinável.
  5. Não use telescópio. Equipamentos com muita ampliação estreitam o campo de visão e atrapalham. A olho nu é melhor.
  6. Tenha paciência. Reserve pelo menos uma hora de observação e leve agasalho, já que julho é frio na maior parte do país.

Como encontrar as constelações de Capricórnio e Aquário?

Olhar para a região do radiante não é obrigatório, mas aumenta as chances de identificar de qual chuva veio cada meteoro. As constelações de Capricórnio e Aquário ficam vizinhas no céu e nascem no lado leste ao longo da noite.

O caminho mais simples é usar um aplicativo gratuito de mapa celeste, como Stellarium, Sky Map ou SkyView. Basta apontar a câmera do celular para o céu e o aplicativo mostra o nome das constelações em tempo real.

Como localizar Capricórnio

Capricórnio surge no leste no começo da noite e vai ganhando altura em direção ao norte durante a madrugada. O desenho lembra um triângulo alongado, parecido com um barco ou uma pipa de cabeça para baixo, formado por estrelas de brilho fraco a médio.

Nas noites de pico deste ano há um atalho involuntário: a Lua cheia de 29 de julho ocorre justamente na região de Capricórnio. Ou seja, o clarão que atrapalha a observação também serve de referência para achar a constelação.

Como localizar Aquário

Aquário fica logo ao lado de Capricórnio, um pouco mais a leste, e cruza o céu na mesma faixa. Também é uma constelação discreta, sem estrelas muito brilhantes, o que torna o aplicativo ainda mais útil.

O radiante das Delta Aquáridas do Sul fica na parte sul de Aquário. Como referência prática, ele vai estar alto no céu, na direção norte ou quase acima da cabeça, entre 2h e 4h da manhã no horário de Brasília.

Uma dica final: não fixe o olhar exatamente no radiante. Os meteoros ficam mais longos e mais fáceis de ver a uns 30 ou 40 graus de distância dele.

O que observar nas próximas semanas

  • 12 e 13 de agosto: pico das Perseidas, a chuva mais famosa do ano. Em 2026 ela coincide com a Lua nova, o que promete condições muito melhores do que as desta semana, embora o radiante fique baixo no horizonte para quem observa do Brasil.
  • 28 de agosto: eclipse lunar parcial visível em todo o território brasileiro.
  • Até 23 de agosto: as Delta Aquáridas do Sul seguem ativas, com atividade reduzida. Conforme a Lua for minguando, nas noites seguintes ao pico, as condições melhoram aos poucos.

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Perguntas frequentes sobre a chuva de meteoros

Que horas é a chuva de meteoros hoje?

O melhor período é depois da meia-noite, com maior concentração de meteoros entre 2h e 4h da manhã, no horário de Brasília. Antes disso, o radiante ainda está baixo no horizonte.

Precisa de telescópio para ver a chuva de meteoros?

Não. A observação é feita a olho nu, e o telescópio até atrapalha, porque reduz o campo de visão. O que faz diferença é a escuridão do local e o tempo de adaptação dos olhos.

A Lua cheia impede de ver a chuva de meteoros?

Não impede, mas reduz bastante o número de meteoros visíveis. Os rastros mais fracos somem no clarão, enquanto as bolas de fogo das Alfa Capricornídeas continuam aparecendo mesmo em condições ruins.