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A relação de Neymar com o pôquer voltou a chamar atenção após vídeos, participações em torneios e declarações do jogador sobre a prática circularem nas redes sociais. Os episódios levantaram questionamentos sobre a quantidade de tempo dedicada ao jogo e sobre o limite entre entretenimento e uma possível perda de controle.

Um dos registros que volta a ter repercussão, mostra Neymar acompanhando uma partida de pôquer pelo celular durante o parabéns do mesversário de sua filha Mavie, filha do relacionamento com Bruna Biancardi. Em outras ocasiões, a presença do jogador em torneios presenciais e competições online também provocou críticas relacionadas ao seu foco no futebol e à rotina de recuperação física.

Essas imagens, no entanto, não permitem afirmar que Neymar tenha ludopatia. O diagnóstico de vício em apostas não pode ser feito com base em vídeos, frequência aparente ou opiniões publicadas nas redes sociais.

O caso serve como ponto de partida para uma discussão mais ampla: quando jogar deixa de ser uma forma de lazer e passa a dominar o tempo, as decisões, as finanças e os relacionamentos de uma pessoa?

Neymar é viciado em pôquer?

Não existem informações públicas suficientes para afirmar que Neymar seja viciado em pôquer ou que tenha ludopatia.

O jogador mantém há anos uma relação pública com a modalidade. Ele participa de torneios, acompanha competições online e já declarou que o pôquer está entre suas principais atividades de lazer fora dos gramados.

Jogar com frequência, porém, não é suficiente para caracterizar uma dependência. Para que exista um transtorno do jogo, é necessário observar perda de controle, prioridade excessiva atribuída à atividade e continuidade do comportamento mesmo diante de prejuízos concretos.

A discussão voltou a ganhar força depois que Neymar confirmou ter participado de torneios online durante um período em que estava afastado de uma partida do Santos por controle de carga.

As críticas se concentraram principalmente em três pontos:

  1. a quantidade de tempo dedicada ao pôquer;
  2. o possível impacto sobre o descanso e a recuperação física;
  3. a prioridade dada ao jogo durante compromissos profissionais ou familiares.

Em resposta, Neymar afirmou que jogava pela internet em seu tempo livre e que a atividade fazia parte de seus momentos de entretenimento.

Sem uma avaliação clínica e sem evidências de perda de controle ou de prejuízos provocados pelo jogo, não é possível concluir que exista dependência.

Vídeo de Neymar jogando durante o parabéns da filha voltou a circular

Neymar em jogo online de Poker em aniversário de filha

Outro vídeo resgatado nas redes sociais mostra Neymar olhando para uma partida de pôquer no celular durante o parabéns do mesversário de seis meses de Mavie, sua filha com Bruna Biancardi.

A gravação, originalmente divulgada em abril de 2024, voltou a circular em meio às discussões recentes sobre a relação do jogador com o pôquer. Na ocasião, Neymar recebeu críticas por permanecer com o jogo aberto durante um compromisso familiar.

O episódio pode levantar questionamentos sobre prioridade, atenção e frequência, mas um diagnóstico exige a identificação de um padrão persistente de perda de controle e prejuízos.

O que é ludopatia?

Ludopatia é o transtorno do jogo, também chamado de vício em apostas. É uma dependência comportamental marcada pela dificuldade de controlar o impulso de jogar, mesmo diante de prejuízos. A condição é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde.

Entre as principais características estão:

  1. perda de controle sobre o jogo;
  2. prioridade crescente dada às apostas;
  3. continuidade mesmo com consequências negativas.

Não é falta de força de vontade, mas uma condição de saúde que afeta o controle dos impulsos.

A ludopatia, ou jogo patológico, é um transtorno mental crônico reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde)

Qual é a diferença entre jogo recreativo e ludopatia?

A diferença não está necessariamente no tipo de jogo ou na frequência, mas no nível de controle e nas consequências provocadas pelo comportamento.

Como funciona o jogo recreativo?

No jogo recreativo, a pessoa mantém controle sobre a atividade. Ela consegue:

  • estabelecer limites de tempo e dinheiro;
  • interromper o jogo quando deseja;
  • aceitar uma perda sem tentar recuperá-la imediatamente;
  • preservar o dinheiro destinado a despesas essenciais;
  • manter normalmente seus compromissos pessoais e profissionais;
  • falar sobre o jogo sem esconder valores ou comportamentos.

Nesse cenário, o jogo ocupa um espaço limitado na rotina e não compromete outras áreas da vida.

Como funciona a ludopatia?

Na ludopatia, o jogo passa a controlar decisões, prioridades e recursos.

A pessoa pode:

  • pensar constantemente em apostas;
  • precisar jogar valores cada vez maiores;
  • tentar parar repetidamente, mas não conseguir;
  • apostar para aliviar ansiedade, tristeza ou estresse;
  • esconder perdas e dívidas;
  • utilizar dinheiro destinado a contas;
  • fazer empréstimos para continuar jogando;
  • negligenciar a família, os estudos ou o trabalho;
  • tentar recuperar prejuízos por meio de novas apostas.

O ponto central é a perda de controle. No jogo recreativo, a pessoa controla a atividade. Na ludopatia, a atividade começa a controlar a pessoa.

Como o vício em apostas afeta o cérebro?

Jogos de azar ativam o sistema de recompensa do cérebro, ligado ao prazer e à expectativa. Ganhos e até a possibilidade de ganhar estimulam esse sistema, o que ajuda a explicar por que algumas pessoas continuam jogando mesmo após perdas.

Com o tempo, pode surgir a necessidade de apostar mais para sentir o mesmo efeito, além de crenças equivocadas, como achar que uma vitória está próxima ou que é possível recuperar prejuízos.

Essas ideias não mudam o caráter imprevisível dos jogos, mas podem aumentar a compulsão.

A ludopatia não decorre da falta de força de vontade, mas é um transtorno de saúde que requer acompanhamento e tratamento profissional.

Quais são os principais sinais de ludopatia?

Os sinais podem surgir gradualmente e, em muitos casos, demoram a ser reconhecidos pela própria pessoa.

  1. Pensar frequentemente em jogos ou apostas.
  2. Planejar formas de conseguir dinheiro para jogar.
  3. Aumentar progressivamente os valores apostados.
  4. Tentar diminuir ou parar, mas não conseguir.
  5. Ficar irritado ou ansioso quando não pode jogar.
  6. Apostar para escapar de problemas ou emoções negativas.
  7. Tentar recuperar perdas com novas apostas.
  8. Mentir sobre o tempo ou o dinheiro gasto.
  9. Esconder dívidas e movimentações financeiras.
  10. Utilizar dinheiro destinado a contas ou necessidades básicas.
  11. Prejudicar o trabalho, os estudos ou os relacionamentos.
  12. Pedir empréstimos ou vender bens para continuar jogando.

Um comportamento isolado não confirma o transtorno. O alerta aumenta quando os sinais se repetem e começam a provocar prejuízos.

Quais são as consequências do vício em apostas?

Os impactos da ludopatia não se limitam ao dinheiro perdido. A dependência pode afetar praticamente todas as áreas da vida.

Consequências financeiras

Os prejuízos mais frequentes incluem:

  • endividamento;
  • atraso de contas;
  • uso excessivo do cartão de crédito;
  • contratação de empréstimos;
  • venda de bens;
  • utilização de economias;
  • comprometimento do orçamento familiar;
  • uso de recursos destinados a alimentação, saúde ou moradia.

Um caso recente foi o do cantor cearense Vittim, que declarou ter perdido cerca de R$ 800 mil ao longo de cinco anos. Segundo o artista, o comportamento comprometeu cachês de apresentações, equipamentos profissionais e pagamentos destinados à equipe.

O relato mostra como o jogo pode deixar de ser uma atividade isolada e passar a afetar trabalho, patrimônio e relações pessoais.

Como sair do vício em apostas?

O primeiro passo é reconhecer que existe um problema. Não é necessário esperar a perda de todo o dinheiro ou o rompimento de relacionamentos para buscar ajuda.

Algumas medidas podem ajudar a interromper o ciclo:

  1. contar a situação a uma pessoa de confiança;
  2. interromper o acesso às contas de apostas;
  3. remover aplicativos do celular;
  4. bloquear propagandas e notificações;
  5. evitar movimentar grandes quantias sem acompanhamento;
  6. organizar as dívidas sem realizar novas apostas;
  7. procurar atendimento psicológico ou psiquiátrico;
  8. utilizar as ferramentas de autoexclusão;
  9. participar de grupos de apoio;
  10. envolver familiares no tratamento.

Essas medidas não substituem o acompanhamento profissional, mas ajudam a criar barreiras enquanto a pessoa inicia o tratamento.

Como funciona a autoexclusão de apostas?

A Plataforma Centralizada de Autoexclusão permite que o usuário bloqueie, em uma única solicitação, suas contas em plataformas autorizadas pelo Ministério da Fazenda.

A ferramenta pode:

  • bloquear contas já existentes;
  • impedir novos cadastros com o mesmo CPF;
  • suspender publicidade direcionada;
  • permitir a escolha de um período determinado ou indeterminado;
  • comunicar o pedido às operadoras abrangidas.

A autoexclusão também pode ser usada preventivamente por pessoas que ainda não possuem contas.

Veja o passo a passo para solicitar a autoexclusão de apostas.

O bloqueio é uma medida importante, mas não trata sozinho os fatores emocionais e comportamentais relacionados à dependência.

Onde buscar tratamento para o vício em apostas?

O tratamento da ludopatia pode incluir psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico, apoio familiar e organização financeira. A terapia cognitivo-comportamental ajuda a controlar impulsos e prevenir recaídas.

Também é possível buscar atendimento pelo SUS, em unidades básicas de saúde, CAPS ou serviços municipais.

O Ministério da Saúde mantém ainda uma página destinada à avaliação da relação com jogos e apostas:

https://jogosdeapostas.saude.gov.br

Também existem grupos como os Jogadores Anônimos, que oferecem apoio a pessoas que enfrentam dificuldades para controlar as apostas.

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Fotos: Reprodução e Envato Elementos