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Apenas oito meses após receber os líderes do G20, o Rio de Janeiro volta a ser o centro das atenções internacionais ao sediar, neste domingo (6) e segunda-feira (7), a Cúpula do BRICS

O encontro, que ocorrerá no Museu de Arte Moderna (MAM), consolida a cidade como um ponto nevrálgico para as discussões geopolíticas e reúne os chefes de Estado e representantes dos países que formam a principal voz do chamado Sul Global. Sob a presidência rotativa do Brasil em 2025, o evento define os rumos da cooperação econômica, política e social do bloco.

O que é Cúpula do BRICS?

A Cúpula do BRICS é o encontro anual de mais alto nível do grupo, reunindo os chefes de Estado e de Governo dos países-membros para tomar as decisões estratégicas que guiam o bloco. Este evento representa o ponto culminante de um ano de trabalho, coordenado pelo país que detém a presidência rotativa, e serve como o principal fórum para a deliberação sobre temas de interesse comum, como cooperação econômica, finanças, segurança, saúde e tecnologia.

Durante a cúpula, os líderes buscam alinhar suas posições sobre os grandes desafios da agenda internacional e fortalecer a voz do chamado Sul Global. Ao final do encontro, é tradicionalmente publicada uma Declaração Final, um documento que formaliza os acordos alcançados e as posições consensuais do bloco, funcionando como um roteiro para as ações futuras.

O grupo BRICS representa quase metade da população mundial

Longe de ser uma aliança formal com secretariado permanente, o BRICS se define como um foro de articulação político-diplomática. Seu objetivo principal é ampliar a cooperação e garantir maior equidade para seus membros em instituições globais como a ONU, o FMI e o Banco Mundial. O peso do grupo é inegável: juntos, os 11 países-membros representam 48,5% da população do planeta e 39% da economia mundial.

O poder do bloco também se estende a setores estratégicos. Em energia, os países do BRICS são responsáveis por 43,6% da produção mundial de petróleo e 36% do gás natural. Além disso, detêm 72% das reservas globais de minerais de terras raras, elementos químicos essenciais para a indústria de alta tecnologia.

O BRICS mais que dobrou de tamanho desde sua criação

O termo “BRIC” foi cunhado em 2001 pelo economista Jim O’Neil para se referir ao potencial econômico de Brasil, Rússia, Índia e China. O grupo se formalizou em 2006 e, em 2011, com a entrada da África do Sul, o acrônimo ganhou o “S” final. A expansão mais significativa ocorreu em 2024, com a adesão de Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Em 2025, foi a vez da Indonésia.

Para ampliar seu alcance, o grupo criou a categoria de “país-parceiro”, que permite a participação nos debates, mas sem poder de voto. Atualmente, o bloco é composto por 11 membros plenos e 10 parceiros.

Países-membros do BRICS:

  • África do Sul
  • Arábia Saudita
  • Brasil
  • China
  • Egito
  • Emirados Árabes Unidos
  • Etiópia
  • Índia
  • Indonésia
  • Irã
  • Rússia

Países-parceiros convidados:

  • Belarus
  • Bolívia
  • Cazaquistão
  • Cuba
  • Malásia
  • Nigéria
  • Tailândia
  • Uganda
  • Uzbequistão
  • Vietnã

Quando será a próxima Cúpula do BRICS?

A próxima Cúpula do BRICS será realizada no Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de julho de 2025. Contudo, a cidade do Rio de Janeiro já recebe a partir desta sexta-feira, 4 de julho de 2025, eventos de finanças relacionados ao grupo.

Créditos de imagem: Reprodução/Gov.br

Últimos encontros do BRICS

AnoEdiçãoDataPaísCidadeLíder Anfitrião
200916 de junhoRússiaEcaterimburgoDmitri Medvedev
201015 de abrilBrasilBrasíliaLula da Silva
201114 de abrilChinaSanyaHu Jintao
201229 de marçoÍndiaNova DéliManmohan Singh
201326 de marçoÁfrica do SulDurbanJacob Zuma
201415 de julhoBrasilFortalezaDilma Rousseff
20159 de julhoRússiaUfaVladimir Putin
201616 de outubroÍndiaGoaNarendra Modi
20175 de setembroChinaXiamenXi Jinping
201810ª26 de julhoÁfrica do SulJoanesburgoCyril Ramaphosa
201911ª13-14 de novembroBrasilBrasíliaJair Bolsonaro
202012ª17 de novembroRússiaSão Petersburgo (Virtual)Vladimir Putin
202113ª9 de setembroÍndiaNova Déli (Virtual)Narendra Modi
202214ª23-24 de junhoChinaPequim (Virtual)Xi Jinping
202315ª22-24 de agostoÁfrica do SulJoanesburgoCyril Ramaphosa
202416ª22-24 de outubroRússiaKazanVladimir Putin
202517ª6-7 de julhoBrasilRio de JaneiroLula da Silva

A pauta brasileira na Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro foca em saúde, tecnologia e clima

A presidência brasileira estabeleceu seis prioridades para sua gestão, que foram discutidas em mais de 200 reuniões preparatórias. O embaixador Mauricio Lyrio, sherpa do Brasil, coordenou os trabalhos que resultaram em consensos importantes antes mesmo da cúpula. “O grupo busca melhorar a legitimidade, a equidade na participação e a eficiência das instituições globais”, afirma o texto oficial que guia as negociações, refletindo a ambição de reformar a governança mundial.

As discussões avançaram em propostas concretas, como a criação de uma parceria para eliminar doenças socialmente determinadas, o estabelecimento de uma governança internacional para o uso ético da inteligência artificial e, pela primeira vez, a assinatura de um documento conjunto sobre financiamento climático para o Sul Global.

Prioridades da presidência brasileira na Cúpula do Brics

  • Cooperação em saúde global
  • Comércio, investimento e finanças
  • Combate à mudança do clima
  • Governança da inteligência artificial
  • Arquitetura multilateral de paz e segurança
  • Desenvolvimento institucional do BRICS

O grupo possui um banco de desenvolvimento e um fundo de reservas

Para além do discurso, o BRICS materializou sua cooperação em duas instituições financeiras robustas. O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do BRICS e presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff, foi criado em 2015 para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Até o momento, já aprovou US$ 39 bilhões para 120 projetos.

Outro pilar é o Arranjo Contingente de Reservas (ACR), um fundo de US$ 100 bilhões que funciona como uma rede de segurança financeira. Ele pode ser acionado por qualquer membro que enfrente dificuldades em seu balanço de pagamentos, oferecendo uma alternativa ao FMI. A China contribui com a maior parte (US$ 41 bilhões), seguida por Brasil, Índia e Rússia (US$ 18 bilhões cada) e África do Sul (US$ 5 bilhões).

Lista de confirmados na Cúpula do BRICS 2025 no Rio de Janeiro

Líderes e representantes de alto escalão na reunião:

  • Anwar bin Ibrahim, primeiro-ministro da Malásia
  • António Guterres, secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas)
  • Bola Ahmed Tinubu, presidente da Nigéria
  • Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul
  • Dilma Rousseff, presidente do banco do BRICS
  • Faisal bin Farhan Al Saud, príncipe e ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita
  • Gabriel Boric, presidente do Chile
  • Jessica Alupo, vice-presidente de Uganda
  • Jiraporn Sindhuprai, vice-ministra da Tailândia
  • Khalid bin Mohamed bin Zayed al Nahyan, príncipe de Abu Dhabi
  • Li Qiang, primeiro-ministro da China

A cidade do Rio terá um forte esquema de segurança e logística para realizar o evento

A realização da cúpula do BRICS exigiu uma operação complexa pela magnitude do encontro. O governo federal decretou a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), autorizando o emprego das Forças Armadas na segurança do perímetro. Apesar da expectativa, três líderes importantes confirmaram ausência: Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China) e Abdel Fattah al-Sisi (Egito).

Para facilitar a mobilidade das delegações, o Aeroporto Santos Dumont será fechado nos dias 6 e 7, com voos transferidos para o Galeão, e a prefeitura decretou feriado municipal na segunda-feira (7). O trânsito na orla da Zona Sul será restrito, com acesso à Avenida Atlântica permitido apenas a moradores credenciados. Em uma nota curiosa, o manual oficial entregue às delegações recomenda o uso de repelentes para evitar picadas de mosquitos transmissores de doenças como dengue e zika, um lembrete dos desafios locais em meio às discussões globais.

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Resumindo

O que significa Cúpula do BRICS?

As cúpulas do BRICS são encontros anuais entre os líderes dos países membros do grupo, que visa promover a cooperação econômica e diplomática entre as principais economias emergentes do mundo.

Quando será a próxima Cúpula do BRICS?

A próxima Cúpula do BRICS será realizada no Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de julho de 2025.

O que é a 16ª Cúpula do Brics?

A 16ª Cúpula do BRICS ocorreu em Kazan, Rússia, de 22 a 24 de outubro de 2024. O evento teve como tema central “Fortalecendo o multilateralismo para um desenvolvimento e segurança globais justos”.