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De Olho no Câmbio #326: EUA e China distensionam guerra comercial e mercado de câmbio agradece

Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real x dólar, euro e libra, no ‘De Olho no Câmbio’ de 21 de março a 25 de abril.

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As declarações de Donald Trump pressionaram os mercados nesta semana, ao criticar duramente o Fed e exigir cortes imediatos nos juros, em meio a dados fracos da economia dos EUA e maior incerteza comercial. No Brasil, a confiança do consumidor subiu levemente, mas segue baixa, com famílias de menor renda sentindo os efeitos dos juros elevados. O programa de Consignado CLT trouxe algum alívio, enquanto o IPCA-15 mostrou desaceleração inflacionária. Na Europa, PMIs mistos e falas do BCE indicam cortes de juros mais agressivos e prolongados que os do Fed, favorecendo o euro frente a emergentes como o real. No Reino Unido, a atividade enfraquece, mas o varejo surpreende, elevando incertezas sobre os próximos passos do Banco da Inglaterra.

Acompanhe as nossas análises a seguir.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,8668 na segunda-feira (21/abr), um nível 1,0% inferior à abertura da semana anterior (14/abr). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (25/abr) cotado a R$5,6825, patamar 2,2% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (18/abr). Entre as aberturas desta sexta-feira (25/abr) e da segunda-feira da semana anterior (14/abr), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 3,1%.

As declarações do presidente Donald Trump voltaram a mexer com os mercados nesta semana. Na segunda-feira (21), Trump criticou duramente a condução da política monetária norte-americana, dizendo que a economia dos EUA caminha para uma desaceleração “a menos que o Sr. Tarde Demais, um grande perdedor, reduza as taxas de juros AGORA”. 

A fala gerou instabilidade nos ativos financeiros, com queda expressiva nos principais índices acionários, em especial o Nasdaq, pressionado pelo fraco desempenho das chamadas Sete Magníficas. Apesar da retórica agressiva, Trump afirmou na terça-feira (22) que não pretende substituir Jerome Powell antes do fim de seu mandato no Federal Reserve, mas voltou a exigir cortes imediatos nos juros.

No campo dos dados, o Índice de Indicadores Antecedentes dos EUA caiu 0,7% em março, superando as expectativas negativas e reforçando os sinais de enfraquecimento da economia americana no curto prazo. Esse ambiente de menor dinamismo, somado à crescente incerteza em torno da guerra comercial, tende a ampliar a pressão sobre o dólar frente a moedas fortes, mas reforça sua posição como moeda de proteção frente aos emergentes.

No Brasil, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV IBRE avançou 0,5 ponto em abril, alcançando 84,8 pontos. Em médias móveis trimestrais, porém, houve recuo de 0,5 ponto, o que indica que a melhora ainda é tímida. A recuperação parcial, que representa apenas 11% das perdas acumuladas entre dezembro de 2024 e fevereiro deste ano, reflete um avanço nas expectativas futuras, mas não uma melhora concreta das condições econômicas atuais. 

A percepção das famílias de menor renda segue pessimista, com destaque para o impacto da taxa de juros elevada, que encarece o crédito e limita o consumo. Nesse contexto, o programa de Consignado CLT lançado pelo governo, que já movimentou R$8 bilhões, pode aliviar parte da tensão ao viabilizar linhas de crédito mais baratas para trabalhadores formais.

Além disso, o IPCA-15 de abril, prévia da inflação oficial, apontou alta de 0,43%. O dado veio em linha com o consenso de mercado e mostra uma desaceleração relevante frente ao mês anterior (0,64%). O acumulado em 12 meses do IPCA-15 segue acima do teto da meta (4,5%) em 5,49%. 

Combinando um cenário externo mais volátil com fragilidades estruturais internas, o real permanece sob pressão frente ao dólar, apesar de ter tido um bom desempenho nesta semana, A expectativa é de que China e EUA se aproximem de relações relativamente mais harmoniosas, o que deve gerar alívio na tensão o cenário externo e consequente fluxo de capitais aos emergentes. 

Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.

Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (21/abr) cotado a R$6,6160. Na abertura desta sexta-feira (25/abr), a cotação foi de R$6,4641. Portanto, a moeda brasileira registrou valorização de 2,4% frente ao euro nesta semana. 

Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, rompendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1385 na segunda (21/abr) para US$1,1372, sexta-feira (25/abr). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,1% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).

Na Zona do Euro, os dados de atividade referentes a abril mostraram sinais mistos, com o PMI Composto recuando para 50,1 pontos — ligeiramente abaixo das expectativas — e indicando estabilidade marginal da economia do bloco. O setor industrial, embora ainda em território contracionista, apresentou alguma melhora: o PMI Industrial subiu para 48,7 pontos, surpreendendo positivamente. 

Na Alemanha, os números reforçaram esse quadro de recuperação lenta. O PMI Industrial caiu para 48 pontos, mas o índice de Expectativas de Negócios avançou 2,4 pontos, o que sugere um gradual aumento da confiança empresarial, mesmo diante de uma indústria ainda fragilizada.

Nesse contexto, a fala do dirigente do Banco Central Europeu, François Villeroy, ganhou destaque ao sinalizar que o BCE deve cortar juros de forma mais rápida e intensa do que o Federal Reserve em 2025. A estratégia do Banco Central Europeu visa estimular o crescimento diante das pressões comerciais crescentes e de um cenário global incerto. Para Villeroy, a decisão de iniciar o ciclo de afrouxamento monetário antes dos Estados Unidos é “justa e apropriada”, refletindo um compromisso com a retomada da atividade econômica.

O discurso europeu tem se voltado de forma cada vez mais explícita à necessidade de dinamizar o crescimento, inclusive como reação à escalada da guerra comercial liderada pelos EUA. Neste ambiente, o euro tende a manter sua força relativa frente às moedas emergentes, inclusive o real, combinando uma política monetária mais favorável ao crescimento com a percepção de estabilidade institucional e compromisso com uma agenda de investimentos em infraestrutura e defesa.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (21/abr) cotada a R$7,7217, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (25/abr), R$7,5727. Trata-se de uma valorização de 1,9% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (25/abr) cotada a US$1,3327 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3268, uma valorização de 0,4% da moeda britânica em relação ao dólar.

O Reino Unido teve uma semana marcada por sinais mistos na economia. Os dados de atividade, especialmente os PMIs de abril, decepcionaram: tanto o PMI Composto quanto o de Serviços recuaram de forma relevante e vieram abaixo das projeções, sugerindo uma desaceleração do setor privado britânico. 

Esse enfraquecimento no ritmo de expansão levanta dúvidas sobre a resiliência da economia local, especialmente diante de uma inflação ainda pressionada, 2,7% em termos anualizados, e um Banco da Inglaterra que permanece cauteloso em suas sinalizações.

Apesar disso, o setor varejista surpreendeu positivamente. As vendas no varejo avançaram acima do esperado em março, com destaque para o crescimento anual do núcleo, que chegou a 3,3%.

A combinação de atividade mais fraca no setor de serviços com um varejo mais dinâmico coloca o Banco da Inglaterra em uma posição delicada. A tendência é que novos cortes venham dado que os EUA e a Zona do Euro também devem cortar juros no segundo semestre.

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Perspectivas

A incerteza no cenário internacional é a única garantia deste momento. EUA e China parecem caminhar para algum tipo de ajuste em suas relações comerciais, todavia, nada foi anunciado ainda. No mesmo sentido, a Europa também negocia com os EUA, mas sem grandes avanços até o momento – todos os países excluindo a China segue na tarifa padrão de 10%.

O arrefecimento das tensões, se confirmado, deve favorecer os fluxos de capitais ao redor do globo com destaque para países emergentes com juros elevados. Neste sentido, a expectativa é que o real se valorize frente dólar, euro e libra nos próximos dias tendo em vista que uma nova alta de juros já está  contratada para maio, e as tensões comerciais podem diminuir. Porém, enquanto o nível de incerteza seguir elevado, sem acordos concretos entre as duas potências globais, a volatilidade cambial deve permanecer.

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