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Em meio a dados locais mais brandos e um ambiente internacional ainda volátil, o real voltou a ganhar algum fôlego frente às principais moedas. A queda na inflação brasileira em maio contribuiu para aliviar os prêmios de risco, ao passo que o dólar perdeu tração no exterior, pressionado por incertezas políticas nos EUA e sinais de moderação econômica. No entanto, o pano de fundo global segue tenso. A ofensiva militar de Israel contra o Irã elevou os preços do petróleo, enquanto o euro se valorizou em ritmo acelerado. Já a libra segue se valorizando apesar dos sinais claros de enfraquecimento na economia britânica.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,5597 na segunda-feira (09/jun), um nível 3,0% inferior à abertura da semana anterior (02/jun). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (13/jun) cotado a R$5,5362, patamar 0,9% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (06/jun). Entre as aberturas desta sexta-feira (13/jun) e da segunda-feira da semana anterior (02/jun), vimos valorização de 3,4% do real em relação ao dólar.

O real registrou desempenho positivo ao longo da semana, impulsionado por dados domésticos de inflação mais benignos e pela moderação do dólar em âmbito global. O IPCA de maio avançou 0,26%, desacelerando frente à leitura anterior (0,43%). O resultado reforçou a percepção de um ambiente inflacionário sob controle, o que reduziu a inclinação da curva futura de juros.

No front fiscal, o mercado monitorou com cautela o novo pacote de medidas anunciado pelo ministro Fernando Haddad. Entre os principais pontos estão a criação de uma alíquota de 5% sobre LCI e LCA, o aumento da CSLL para fintechs, a elevação da tributação sobre apostas online, a unificação da alíquota de IR sobre aplicações financeiras em 17,5% e o aumento do imposto sobre Juros sobre Capital Próprio para 20%. Também foi sinalizada a revisão de isenções tributárias que somam R$800 bilhões, com meta de redução mínima de 5%. Embora represente um esforço relevante de recomposição de receitas, o plano foi recebido com reservas, dado seu viés arrecadatório e a ausência de propostas estruturais de contenção de gastos.

Na frente real da economia, as vendas no varejo caíram 0,4% em abril na margem, após avanço no mês anterior. Em termos interanuais, o setor ainda apresenta crescimento expressivo de 4,8%, sinalizando resiliência da demanda em meio a um ambiente de juros elevados. Movimento reforçado pelo crescimento de 0,2% do setor de serviços em abril.

Nos Estados Unidos, o CPI de maio subiu apenas 0,1%, abaixo do consenso de mercado (0,2%), o que reforçou as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve ainda em 2025. O movimento alimentou a fraqueza do dólar no exterior e favoreceu as moedas emergentes, inclusive o real.

Entretanto, o ambiente geopolítico voltou a deteriorar-se nas últimas horas, com ataques de Israel contra alvos no Irã. A escalada adiciona incerteza aos mercados globais e pode gerar volatilidade nos ativos de risco, particularmente em moedas de países exportadores de commodities e nos preços internacionais do petróleo. A depender da intensidade e desdobramentos do conflito, o episódio pode alterar o balanço de riscos para inflação e juros nos mercados centrais.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (09/jun) cotado a R$6,3394. Na abertura desta sexta-feira (13/jun), a cotação foi de R$6,4152. Portanto, a moeda brasileira registrou desvalorização de 1,2% frente ao euro nesta semana. 

Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1403 na segunda (09/jun) para US$1,1587 nesta sexta-feira (13/jun). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 1,6% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).

Desde o chamado “Liberation Day”, quando os EUA anunciaram sua nova política tarifária, o euro passou a ganhar tração frente ao dólar. No início do ano, o consenso apontava para uma retomada do dólar, amparado por um cenário global mais turbulento. Mas a realidade surpreendeu: as incertezas políticas nos Estados Unidos e o aumento da percepção de risco fizeram do euro uma alternativa mais estável, sustentando sua valorização nos últimos meses.

Pode ser cedo para cravar uma mudança de hierarquia no sistema monetário internacional, mas a valorização da moeda europeia começa a gerar este debate. Se no final de 2024 ainda se cogitava uma possível paridade entre euro e dólar, desde o início de 2025 o euro já se valorizou cerca de 12% frente à moeda americana.

Essa força cambial, no entanto, começa a gerar desconforto no bloco europeu. Um euro mais valorizado significa exportações menos competitivas, ainda mais em um cenário de barreiras tarifárias. Para uma economia que já emite sinais persistentes de fraqueza e enfrenta pressões deflacionárias, o câmbio valorizado se soma à lista de obstáculos econômicos. Os dados da indústria, recém-divulgado, mostraram queda anual de 2,4% na produção industrial de abril.

Portanto, a economia do euro parece estar em um novo equilíbrio complexo. Ao mesmo tempo que precisa recuperar sua indústria, situação em que um câmbio desvalorizado ajudaria, ter uma divisa forte e dominante perante as demais garante vantagens políticas e comerciais.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (09/jun) cotada a R$7,5242, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (13/jun), R$7,5393. Trata-se de uma desvalorização de 0,2% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (13/jun) cotada a US$1,3616 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3525, uma valorização de 0,7% da moeda britânica em relação ao dólar.

O mercado de trabalho britânico mostrou enfraquecimento, com aumento de 33,1 mil no número de desempregados em maio, acima da expectativa de 9,5 mil. A taxa de desemprego permaneceu em 4,6%.

Em relação à atividade econômica, a leitura de abril para o PIB mensal também frustrou: retração de 0,3%, frente à expectativa de -0,1%. Ademais, a produção industrial caiu 0,6%, e o saldo comercial veio com déficit de £23,2 bilhões. Os dados confirmam a fragilidade da retomada britânica, em um ambiente que combina inflação relativamente elevada e política monetária restritiva.

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Perspectivas

O cenário cambial segue marcado por múltiplas forças em direções opostas. No curto prazo, a valorização do real pode encontrar sustentação adicional caso os dados de inflação sigam benignos e o Congresso avance em alguma medida que reforce o compromisso fiscal. Na Europa, inclusive no Reino Unido, os próximos indicadores de atividade e inflação devem guiar expectativas sobre os respectivos ciclos de juros. Já a tensão geopolítica no Oriente Médio representa uma variável-chave, capaz de desorganizar preços de energia e afetar o apetite global por risco — inclusive em moedas emergentes como o real.

Seguimos de olho.