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Ao longo da semana, o real perdeu força tanto frente ao dólar quanto ao euro, refletindo um ambiente externo dominado pela forte atividade econômica dos EUA, que reduziu as apostas de corte de juros pelo Fed e fortaleceu globalmente a moeda norte-americana. No mercado europeu, embora o euro tenha recuado ante o dólar, a combinação de inflação ainda elevada e aversão ao risco global permitiu que a moeda avançasse sobre o real, enquanto no Reino Unido indicadores mistos como inflação alta, varejo fraco e PMIs moderados, mantiveram a libra relativamente estável frente ao real, mas também pressionada frente ao dólar. No Brasil, a queda do IBC-Br, a liquidação do Banco Master e dados domésticos heterogêneos limitaram qualquer impulso positivo, fazendo com que o câmbio refletisse o predomínio externo do dólar.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos. 

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,2969 na segunda-feira (17/nov), um nível 0,7% inferior à abertura da semana anterior (10/nov). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (21/nov) cotado a R$5,3308, patamar 0,6% inferior à abertura da sexta-feira anterior (14/nov). Entre as aberturas desta sexta (21/nov) e da segunda-feira da semana anterior (10/nov), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 0,04%.

Ao longo desta semana, o real perdeu força frente ao dólar, apesar da retirada das tarifas de 40% sobre produtos brasileiros pelos EUA. A medida melhora o ambiente diplomático e beneficia o comércio bilateral, mas não foi suficiente para conter a valorização da moeda norte-americana. O câmbio seguiu mais sensível ao cenário externo do que às notícias positivas no front comercial.

A pressão altista sobre o dólar decorreu principalmente da força da economia dos EUA. Indicadores como o Empire State, o modelo do Fed de Atlanta e os pedidos de seguro-desemprego reforçaram a resiliência da atividade e do mercado de trabalho. Esse conjunto enfraqueceu a probabilidade de um corte de juros pelo Fed no mês que vem, favorecendo o dólar globalmente.

No Brasil, os dados domésticos não ajudaram a sustentar o real. O IBC-Br caiu 0,24% em setembro, abaixo do esperado, reforçando sinais de desaceleração econômica. Apesar das notícias relativamente positivas vinda dos dados semanais vindos da balança comercial, por exemplo, a liquidação do Banco Master adicionou incerteza ao ambiente local.

Com isso, o câmbio refletiu a combinação de um exterior mais forte e dados internos mistos. A retirada das tarifas pelos EUA foi positiva, mas insuficiente para mudar o pano de fundo global dominado pela economia norte-americana. Assim, o real encerrou a semana pressionado pelo fortalecimento do dólar e pela reprecificação das apostas sobre o Fed.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (17/nov) cotado a R$6,1575. Na abertura desta sexta-feira (21/nov), a cotação foi de R$6,1492. Portanto, houve uma valorização de 0,1% do real frente à moeda europeia, mantendo a apreciação observada na semana anterior.

Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1625 na segunda (17/nov) para US$1,1529, nesta sexta (21/nov). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,2% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).

Ao longo desta semana, o real registrou forte desvalorização frente ao euro, que atingiu nesta sexta sua maior cotação intraday desde o fim de outubro. O movimento refletiu a maior aversão ao risco nos mercados globais, que penalizou moedas emergentes. Assim, o real perdeu força mesmo sem mudanças relevantes no cenário doméstico.

Apesar do avanço em relação ao real, o euro perdeu força frente ao dólar ao longo da semana. Dados robustos da economia dos EUA reforçaram o diferencial de juros a favor da moeda norte-americana. Com isso, o dólar ganhou tração global e limitou o desempenho da moeda europeia no mercado internacional.

Na Europa, a inflação ao consumidor subiu 0,2% em outubro, fazendo a taxa anual recuar de 2,2% para 2,1%, enquanto o núcleo permaneceu em 2,4%. Os dados reforçam a percepção de desaceleração gradual dos preços, mas ainda insuficiente para permitir cortes rápidos de juros pelo BCE. Esse quadro manteve o euro relativamente estável, sem grande impulso próprio, mas consistente o bastante para superar moedas mais voláteis, como o real.

Nesse contexto, a desvalorização do real frente ao euro foi menos sobre a força da Europa e mais sobre a fragilidade doméstica e o predomínio do dólar. Com atividade brasileira mais fraca e maior aversão ao risco externo, o euro encontrou espaço para subir contra o real.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (17/nov) cotada a R$6,9773, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (21/nov), R$6,9732. Trata-se de uma valorização de 0,1% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (21/nov) cotada a US$1,3075 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3173, uma desvalorização de 0,1% da moeda britânica em relação ao dólar.

Ao longo desta semana, a libra esterlina manteve-se relativamente estável em relação ao real, apesar do ganho expressivo observado nesta sexta-feira. O movimento refletiu uma combinação de dados britânicos mistos. Assim, a moeda britânica oscilou pouco na comparação semanal com a moeda brasileira.

Os dados do Reino Unido mostraram inflação anual de 3,6% em outubro, acima das projeções, enquanto a leitura mensal veio em 0,4%. Já o IPP de bens intermediários recuou 0,3%, sinalizando alívio parcial na cadeia produtiva. Esses números reforçam um cenário ainda heterogêneo, que limita eventuais movimentos do Bank of England.

No mercado doméstico britânico, as vendas no varejo vieram mais fracas: queda mensal de 1,0% no núcleo e de 1,1% no indicador cheio. Os PMIs (de serviços e composto) de novembro também apontaram para baixo: 50,5 pontos, endossando o cenário de uma economia ligeira e relativamente mais fraca.

Apesar disso, a libra perdeu força frente ao dólar ao longo da semana. A robustez dos dados econômicos dos EUA reforçou a valorização global da moeda norte-americana, pressionando pares importantes como a libra. Assim, mesmo estável frente ao real, a libra encerrou a semana enfraquecida no mercado internacional.

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Perspectivas

Na próxima semana, o dólar tende a permanecer fortalecido diante do real e de outras moedas, especialmente se os novos dados de mercado de trabalho e inflação dos EUA reforçarem a visão de que o Fed pode não cortar os juros em dezembro. Embora a inflação brasileira em queda favoreça momentaneamente o real ao elevar as taxas de juros reais, o ambiente externo segue mais determinante: a incerteza sobre os próximos passos do Fed e o prêmio de risco global devem continuar sustentando a moeda norte-americana em patamar elevado.

Seguimos de olho.