Getting your Trinity Audio player ready...

A moeda brasileira manteve trajetória firme nas últimas duas semanas, beneficiando-se da combinação entre juros domésticos elevados, melhora do cenário internacional e maior clareza sobre a política comercial dos Estados Unidos após o fim do mais longo shutdown da história. 

A normalização dos serviços públicos e a retomada da divulgação de indicadores norte-americanos reduziram parte da incerteza, favorecendo ativos de maior risco e ampliando o fluxo para emergentes, entre eles, o Brasil.

O encerramento do shutdown, após 43 dias de paralisação, deve dissipar dúvidas relevantes sobre atividade, emprego e inflação nos EUA, restaurando a capacidade de leitura do mercado e estimulando o apetite ao risco global.

Política monetária [extremamente] conservadora sustenta a força da moeda brasileira

A ausência de sinais de cortes na taxa Selic tem sido decisiva para manter o real valorizado. Na última reunião, o Copom manteve a taxa em 15% pela terceira vez consecutiva, reforçando, na Ata da reunião, uma postura mais dura. O Comitê descartou reduções no curto prazo e voltou a mencionar a possibilidade de aperto adicional, caso o processo de desinflação perca intensidade.

Essa comunicação mais conservadora, combinada à inflação em queda, tem elevado a taxa real de juros, ampliando o diferencial em relação às economias avançadas e sustentando o interesse por ativos domésticos.

O IPCA mais baixo desde 1998

A continuidade da desinflação fortalece o argumento de que o Brasil seguirá oferecendo retornos reais entre os mais altos do mundo. O Boletim Focus projeta o IPCA de 2025 em 4,43%, dentro do intervalo de tolerância da meta pela primeira vez em muitos meses. Em outubro, a inflação mensal foi a menor para o período desde 1998, ano em que o índice anual terminou em 1,66%.

Com a inflação cedendo e a Selic elevada, o prêmio de juros oferecido pelos títulos brasileiros permanece robusto, o que ajuda a manter o câmbio em patamar favorável.

E os criptoativos?

O Bitcoin acumula quedas relevantes e, em novembro, voltou ao menor nível em sete meses, refletindo incertezas sobre a política monetária dos EUA e o avanço rápido das stablecoins. Esse ambiente elevou o movimento de ajuste no mercado, pressionando ainda mais o BTC. Do ponto de vista técnico, a perda de um suporte importante indica que há espaço para novas desvalorizações nos próximos dias.

E os Dividendos?

Confira alguns dos pagamentos agendados no mercado brasileiro:

📅 Agenda de Dividendos

AtivoEmpresaData-CompraData-PagamentoProventoValor por Ação 
PETR3Petrobrás21/08/202521/11/2025JSCPR$ 0,34
PETR4Petrobrás21/08/202521/11/2025JSCPR$ 0,34
BRAP3Bradespar12/11/202524/11/2025JSCPR$ 0,74
BRAP4Bradespar12/11/202524/11/2025JSCPR$ 0,81
PFRM3Profarma31/10/202525/11/2025DividendosR$ 0,16
CGAS3Comgás13/11/202526/11/2025JSCPR$ 2,59
CGAS3Comgás13/11/202526/11/2025DividendosR$ 0,37
CGAS5Comgás13/11/202526/11/2025JSCPR$ 2,84
CGAS5Comgás13/11/202526/11/2025DividendosR$ 0,41
MILS3Mills17/11/202527/11/2025JSCPR$ 0,19
PINE3Banco Pine16/10/202527/11/2025JSCPR$ 0,25
PINE4Banco Pine16/10/202527/11/2025JSCPR$ 0,25
REDE3Rede Energia11/11/202527/11/2025DividendosR$ 0,08
AGRO3Brasilagro22/10/202528/11/2025DividendosR$ 0,75
EVEN3Even17/11/202528/11/2025DividendosR$ 0,77
EZTC3Ez Tec18/11/202528/11/2025DividendosR$ 0,40
MDIA3M. Dias Branco19/11/202528/11/2025DividendosR$ 0,03
VBBR3Vibra Energia S/A16/04/202528/11/2025DividendosR$ 0,50

De olho no câmbio

O real segue sustentado pela Selic enquanto o mercado avalia a possibilidade de um novo corte de juros pelo Fed em dezembro. Mesmo que a taxa permaneça inalterada, parte desse movimento já foi precificada após Powell indicar que o corte não é garantido. Nesse contexto, o diferencial de juros continua favorecendo a valorização do real nos próximos dias.

Frente ao euro e à libra, o real tende a manter desempenho positivo diante da fraqueza econômica europeia. A desaceleração na Alemanha pode levar o BCE a cortar juros em 2026, reforçando o câmbio real/euro. Já a libra segue perdendo força após o alívio das tensões comerciais globais, o que mantém tendência favorável ao real/libra.

Seguimos de olho.