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O comportamento do real nesta semana foi marcado por movimentos diferenciados frente às principais moedas globais, refletindo a combinação entre variáveis domésticas, atividade internacional e o humor dos mercados diante de novas tensões geopolíticas. Após um início mais turbulento, a moeda brasileira recuperou parte do terreno perdido frente ao dólar, sustentada por dados internos mais favoráveis e pela melhora gradual das expectativas para o consumo. Em relação ao euro, o real mostrou firme valorização, apoiado na persistente fraqueza da atividade na Zona do Euro e na expectativa de que o BCE adote postura mais acomodatícia ao longo do ano. Já frente à libra esterlina, a valorização brasileira decorreu da leitura de que a economia britânica, apesar de alguns sinais de retomada pontual, segue sem impulso sólido para sustentar um crescimento duradouro. No conjunto, o real se beneficiou de juros elevados, fundamentos domésticos relativamente estáveis e menor estresse geopolítico na reta final da semana.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #363 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,3694 na segunda-feira (16/jan), um nível 1,0% inferior à abertura da semana anterior (12/janeiro). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (16/jan) cotado a R$5,3674, patamar 0,3% inferior à abertura da sexta-feira anterior (09/jan). Entre as aberturas desta sexta (16/jan) e da segunda-feira da semana anterior (05/jan), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 1,0%.
O câmbio real–dólar iniciou a semana sob pressão, refletindo o aumento das tensões entre EUA e Irã e ruídos geopolíticos que elevaram a aversão ao risco. Ainda assim, a moeda brasileira recuperou parte das perdas à medida que os dados internos começaram a ser absorvidos pelo mercado. O avanço de 1,0% no varejo ajudou a reforçar a leitura de resiliência do consumo.
Mesmo com a queda de 0,1% nos serviços e o forte recuo de 15,8% na produção de veículos, sinais domésticos pontuais ajudaram a conter a pressão sobre o câmbio.A incipiente retomada da economia brasileira aumenta a chance de o Copom optar pela manutenção de juros mais uma vez na primeira reunião de política monetária do ano.
No exterior, o dólar seguiu fortalecido pelo crescimento robusto dos EUA, com projeção de alta de 5,3% do PIB no 4º trimestre e inflação de 0,3% em dezembro. O Livro Bege reforçou atividade moderada e mercado de trabalho firme, sustentando juros elevados por mais tempo. A melhora dos dados chineses e a flexibilização de alguns elementos da política monetária do país asiático também contribuíram com o fluxo de dólares para países emergentes
A volatilidade permaneceu elevada diante das ameaças de tarifas de 25% dos EUA a países que negociam com o Irã e do avanço da produção global de grãos, segundo o USDA. Esses elementos limitaram a apreciação do real. Mesmo assim, a combinação de dados domésticos favoráveis e menor estresse geopolítico permitiu uma leve recuperação da moeda brasileira no fim da semana.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (12/jan) cotado a R$6,2494. Na abertura desta sexta-feira (16/jan), a cotação foi de R$6,2305. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,2% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou enfraquecimento nesta semana, interrompendo a tendência de valorização observada anteriormente. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1635 na segunda-feira (12/jan) para US$1,1609 nesta sexta-feira (16/jan). Assim, observou-se uma valorização aproximada de 0,2% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.
O real se valorizou frente ao euro ao longo da semana, sustentado pela percepção de que a economia europeia segue em ritmo fraco. Mesmo com a alta de 0,7% da produção industrial em novembro, o resultado ainda não sinaliza retomada consistente.
A leitura é de que a atividade segue heterogênea entre os países do bloco, com demanda interna limitada e confiança empresarial ainda baixa. Esse quadro reduz o apetite por ativos europeus e favorece moedas emergentes com maior prêmio de juros, como o real.
Além disso, a continuidade do ambiente de inflação moderada na Zona do Euro reforça apostas de cortes de juros pelo BCE ao longo do ano. Essa expectativa reduz a atratividade relativa do euro e contribui para o fortalecimento do real, que ganhou tração mesmo com cenário externo volátil.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (12/jan) cotada a aproximadamente R$7,2389, nível inferior ao registrado na abertura desta sexta-feira (16/jan), cerca de R$7,1841. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 0,8% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (16/jan) cotada a US$1,3379 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3403, uma valorização de 0,2% da moeda britânica em relação ao dólar.
O real também se valorizou frente à libra esterlina em uma semana marcada por surpresa positiva, porém moderada, na atividade britânica. O PIB mensal avançou 0,3% em novembro, revertendo quedas anteriores, mas ainda sem alterar a percepção de fragilidade estrutural do crescimento no Reino Unido.
Os indicadores industriais também mostraram melhora, com alta de 1,1% na produção geral e salto de 2,1% na indústria não extrativa. Ainda assim, o movimento é visto pelos mercados como pontual, refletindo recomposição após meses fracos, sem indicar aceleração sustentada da demanda doméstica.
Essa leitura mais cautelosa sobre a força da economia britânica contribuiu para reduzir o apetite pela libra no curto prazo, abrindo espaço para ganho relativo do real. A combinação de recuperação econômica limitada e perspectiva de política monetária menos restritiva pelo BoE ao longo de 2026 reforçou o movimento de valorização da moeda brasileira na semana.
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Perspectivas
Para a próxima semana, a expectativa é de que o real mantenha algum suporte, especialmente se o mercado consolidar a leitura de que dados mais fortes do varejo podem levar o Copom a preservar a Selic inalterada na reunião primeira reunião de política monetária de 2026.
O diferencial de juros permanece um fator de atração em meio ao caos geopolítico promovido pelos EUA, que transforma o Brasil em uma espécie de porto seguro relativo entre emergentes.
A moeda brasileira também pode encontrar espaço para ganhos adicionais frente ao euro e à libra, caso novos sinais de fragilidade econômica apareçam na Europa e no Reino Unido. No entanto, a instabilidade global tende a manter o dólar mais volátil, limitando movimentos de apreciação mais intensos do real. Assim, o cenário para a próxima semana combina algum viés positivo, mas com elevada incerteza e possibilidade de reversões rápidas.
Seguimos de olho.