|

De Olho no Câmbio #369: Melhora do quadro inflacionário mantém força do Real

Getting your Trinity Audio player ready… O mercado cambial apresentou dinâmicas distintas entre as principais moedas, com o real mostrando…

Notas de 20 dolares
Getting your Trinity Audio player ready...
Seguir no Google Discover

O mercado cambial apresentou dinâmicas distintas entre as principais moedas, com o real mostrando resiliência relativa ao longo da semana. Mesmo com a valorização global do dólar, a moeda brasileira permaneceu estável frente à divisa americana, enquanto se fortaleceu de forma expressiva diante do euro e da libra esterlina. A fragilidade da atividade europeia e os sinais de desaceleração do mercado de trabalho britânico enfraqueceram suas moedas, ampliando o diferencial favorável ao Brasil. Nesse contexto, o euro atingiu a mínima desde novembro e a libra se aproxima do nível psicológico de R$7,00, refletindo juros reais elevados e melhora do quadro inflacionário doméstico.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #369 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,2244 na segunda-feira (16/fev), um nível 0,1% superior à abertura da semana anterior (09/fev). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (20/fev) cotado a R$5,2110, patamar 0,04% inferior à abertura da sexta-feira anterior (13/fev). Entre as aberturas desta sexta (20/fev) e da segunda-feira da semana anterior (09/fev), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 0,1%.

A taxa de câmbio apresentou relativa estabilidade ao longo da semana, mesmo com a valorização global do dólar frente às moedas fortes. A queda de 0,20% do IBC-Br em dezembro reforçou a percepção de desaceleração da atividade doméstica. Esse quadro reduziu pressões sobre juros e ajudou a conter movimentos de depreciação do real.

A revisão para baixo da inflação esperada para 2026, feita pelo Boletim Focus, agora em 3,95%, reforça a leitura de maior equilíbrio macroeconômico. A manutenção do crescimento projetado em 1,80% sustenta um cenário de expansão moderada e previsível. Mesmo com cortes graduais da Selic no horizonte, os juros reais seguem elevados e sustentam o real.

Os indicadores de preços sugerem dinâmica ainda controlada, com sinais benignos vindos do atacado. A segunda prévia do IGP-M registrou deflação de 0,70%, indicando alívio nos custos produtivos. Esse ambiente contribui para ancorar expectativas e reduz riscos inflacionários no curto prazo.

No exterior, dados fortes de atividade e emprego nos EUA sustentaram a valorização global do dólar. Em contraste, a fraqueza industrial europeia e o crescimento modesto no Japão limitaram o desempenho das moedas fortes. Ainda assim, o real mostrou resiliência relativa, apoiado por fundamentos domésticos e juros reais elevados.

Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.

Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (16/fev) cotado a R$6,2024. Na abertura desta sexta-feira (20/fev), a cotação foi de R$6,1343. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 1,1% no período, refletindo o enfraquecimento do euro no mercado doméstico.

Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou desvalorização nesta semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1868 na segunda-feira (16/fev) para US$1,1772 nesta sexta-feira (20/fev). Assim, observou-se uma desvalorização aproximada de 0,8% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.

A semana foi marcada por nova perda de força do euro, refletindo sinais persistentes de fragilidade na atividade europeia. A produção industrial da Zona do Euro recuou 1,4% em dezembro, interrompendo a sequência de avanços recentes. Indicadores de confiança, como o ZEW, surpreenderam negativamente, reforçando a percepção de crescimento fraco.

Na Alemanha, a produção industrial segue pressionada, apesar de sinais pontuais de estabilização. O índice de preços ao produtor caiu 0,6% em janeiro, indicando arrefecimento dos custos e demanda ainda contida. Por outro lado, os PMIs voltaram para patamar acima de 50 pontos, sugerindo uma recuperação moderada no mês de fevereiro.

Esse ambiente de crescimento frágil e inflação em desaceleração enfraqueceu o euro frente a diversas moedas, inclusive o real. A moeda brasileira se valorizou de forma consistente e atingiu a mínima frente ao euro desde novembro do ano passado. O diferencial de juros e a melhora do quadro inflacionário doméstico ampliaram a atratividade relativa do Brasil.

Aproveite e confira a cotação do euro hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.

Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (16/fev) cotada a R$7,1310, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (20/fev), cerca de R$7,0190. Portanto, houve valorização do real de aproximadamente 1,6% em relação à moeda britânica ao longo da semana.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (20/fev) cotada a US$1,3470 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3649, uma desvalorização de 1,3% da moeda britânica em relação ao dólar.

A libra esterlina perdeu força ao longo da semana, refletindo sinais discretos de enfraquecimento do mercado de trabalho britânico. O crescimento dos salários desacelerou e o número de desempregados aumentou além do esperado, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 5,2%. Esse conjunto reforça a percepção de perda de dinamismo na renda e no consumo.

No campo inflacionário, o IPC anual recuou para 3,0% e o índice mensal registrou queda de 0,5%, indicando arrefecimento das pressões de preços. Embora os preços ao produtor tenham mostrado leve alta, o quadro geral sugere espaço para uma postura monetária menos restritiva. Esse ambiente reduz o suporte estrutural à moeda britânica.

Apesar da forte recuperação das vendas no varejo e de PMIs ainda acima de 50 pontos, o mercado priorizou os sinais de desaceleração inflacionária e fragilidade do emprego. A libra se desvalorizou frente ao dólar e também perdeu terreno para o real. A cotação em reais se aproxima rapidamente do nível psicológico de R$7,00, refletindo o diferencial de juros e maior atratividade relativa do Brasil.

Aproveite e confira a cotação da libra esterlina hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes. 

Perspectivas

Para a próxima semana, a tendência é de continuidade da valorização relativa do real, sustentada pelo elevado diferencial de juros e pela melhora do quadro inflacionário doméstico. A combinação de desinflação e manutenção de taxas reais atrativas segue favorecendo fluxos financeiros para o Brasil. Esse quadro, de valorização da moeda brasileira, é reforçado pelos sinais de desaceleração das economias europeias Diante deste cenário, os bancos centrais da Zona do Euro e do Reino Unido devem operar uma política monetária mais frouxa ao longo de 2026. O principal risco de mudança nesse quadro reside no cenário geopolítico, especialmente em eventuais escaladas de tensão entre Estados Unidos e Irã. Um aumento da aversão global ao risco poderia fortalecer o dólar e interromper, ainda que temporariamente, o movimento favorável ao real.

Seguimos de olho.

Erros no cartão de crédito que podem acabar com seu dinheiro 7 erros financeiros que podem acabar com seu salário Nova regra da Anac prevê multa e suspensão para passageiros Ideias de negócios para ganhar dinheiro com baixo investimento Como negociar dívidas e sair do vermelho mais rápido 10 hábitos de consumo que fazem seu dinheiro desaparecer