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De Olho no Câmbio #378: Dólar retoma movimento de alta com incertezas sobre Oriente Médio

Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 20 a 24 de abril.

Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 20 a 24 de abril.
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A semana foi marcada por ligeira desvalorização do real frente ao dólar, pressionado pelo fortalecimento global da moeda americana em meio às tensões no Oriente Médio e ao aumento das incertezas fiscais domésticas. Apesar do fluxo externo ainda favorável, com entrada de investimentos e superávit comercial robusto, o déficit em transações correntes e a piora das expectativas no Banco Central do Brasil limitaram o suporte ao real, que apesar disso, tocou o nível mais baixo em mais de dois anos ao longo da semana.

No exterior, dados fortes dos EUA sustentaram a tese de juros elevados por mais tempo, reforçando o dólar e ampliando a aversão ao risco. Nesse ambiente, o euro perdeu força globalmente diante da deterioração dos indicadores de atividade e do aumento dos custos de energia, embora tenha avançado frente ao real. Já a libra apresentou leve enfraquecimento internacional, mas também se valorizou em relação ao real, refletindo a fragilidade da moeda brasileira em um cenário de maior incerteza global.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #378 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$4,9909 na segunda-feira (20/abr), um nível 0,3% inferior à abertura da semana anterior (13/abr). Ao longo da semana, a moeda norte-americana ganhou força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (24/abr) cotado a R$5,0324, patamar 0,8% superior à abertura da sexta-feira anterior (17/abr). Entre as aberturas desta sexta (24/abr) e da segunda-feira da semana anterior (13/abr), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 0,5%.

A semana foi marcada por desvalorização do real frente ao dólar, com movimento mais intenso nesta sexta-feira (24), quando a deterioração do ambiente externo se somou às incertezas fiscais domésticas. O fortalecimento global da moeda americana, em meio aos impasses no conflito no Oriente Médio, reforçou a pressão sobre o câmbio local.

No cenário doméstico, apesar do fluxo externo ainda favorável, com entrada líquida de IDP de US$6 bilhões e superávit comercial acumulado robusto, o déficit em transações correntes e a piora das expectativas inflacionárias no Banco Central do Brasil limitaram o suporte ao real. A elevação das projeções para a Selic e a resiliência da atividade também contribuíram para um ambiente de maior cautela.

No exterior, os dados mais fortes dos EUA, como vendas no varejo e PMI industrial acima do esperado, reforçaram a tese de juros elevados por mais tempo, sustentando o dólar globalmente. Ao mesmo tempo, sinais mistos na Europa e a alta do PPI alemão ampliaram as incertezas, consolidando um cenário de aversão a risco que penalizou moedas emergentes.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (20/abr) cotado a R$5,8862. Na abertura desta sexta-feira (24/abr), a cotação foi de R$5,9202. Portanto, observou-se uma desvalorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,6% no período, revertendo o movimento de valorização registrado na semana anterior.

Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou desvalorização nesta semana, revertendo a tendência de valorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1763 na segunda-feira (20/abr) para US$1,1684 nesta sexta-feira (24/abr). Assim, observou-se uma desvalorização de 0,7% do euro, isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro.

O euro teve uma semana marcada por perda no mercado internacional, interrompendo o movimento de alta observado anteriormente. A moeda passou a refletir um ambiente mais adverso, com investidores migrando para posições mais defensivas. Ainda assim, frente ao real, o euro avançou, acompanhando o enfraquecimento da moeda brasileira.

A mudança de direção esteve diretamente ligada à piora dos indicadores de atividade na Zona do Euro, com o PMI composto apontando contração após 15 meses de expansão. Em paralelo, o avanço dos custos de insumos, pressionados pela energia, reforça um cenário mais desafiador para crescimento e inflação.

O fortalecimento do dólar ganhou espaço com o aumento da aversão ao risco, pressionando ainda mais a moeda europeia. A alta do petróleo ampliou as preocupações com custos e estabilidade econômica. Esse contexto deixa o BCE em uma posição delicada, reduzindo a margem para movimentos de flexibilização da política monetária.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (20/abr) cotada a R$6,7552, nível inferior ao registrado na abertura desta sexta-feira (24/abr), de R$6,8245. Portanto, houve uma desvalorização do real de aproximadamente 1,0% em relação à moeda britânica ao longo da semana.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, revertendo a tendência de valorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (24/mar) cotada a US$1,3465 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3516, uma desvalorização de 0,4% da moeda britânica em relação ao dólar.

A libra esterlina teve uma semana de leve enfraquecimento no cenário internacional, especialmente frente ao dólar. O movimento reflete uma perda de tração da moeda britânica em meio a um ambiente mais incerto. Em contrapartida, frente ao real, a libra avançou, acompanhando a maior fragilidade da moeda brasileira ao longo dos últimos dias.

Nos dados de atividade, as vendas no varejo do Reino Unido vieram acima do esperado, impulsionadas principalmente pelo aumento nas compras de combustíveis diante do cenário externo. Ainda assim, o efeito sobre a libra foi limitado, já que o dado pontual não foi suficiente para alterar a percepção mais cautelosa sobre a economia. 

As tensões no Oriente Médio seguiram como principal vetor de pressão. Esse ambiente adiciona incerteza sobre a condução da política monetária, restringindo ganhos da moeda britânica.

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Perspectivas

A trajetória de queda do dólar segue condicionada aos desdobramentos da guerra, enquanto o real tende a se manter relativamente forte diante da expectativa de uma Selic próxima de 14%. O aumento dos riscos inflacionários, combinado a uma atividade mais resiliente, reforça esse cenário. O diretor do Banco Central do Brasil, Nilton David, voltou a mencionar hiato do produto positivo, elevando a cautela. Assim, embora ainda se espere cortes marginais de 0,25 p.p., o BC sinaliza postura mais prudente, o que tende a favorecer a moeda brasileira nos próximos dias.

Seguimos de olho.

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