De Olho no Câmbio #385: Dólar recua na semana e real ganha força com alívio externo
Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 08 a 12 de junho.
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No “De Olho no Câmbio” desta semana, o real encerrou a semana em apreciação frente ao dólar, ao euro e à libra, sustentado pelo elevado diferencial de juros e pela atratividade dos ativos locais. O movimento foi favorecido pela desaceleração do núcleo do CPI americano em maio, que aliviou a pressão sobre o dólar globalmente, e pelo anúncio de um acordo entre EUA e Irã, que reduziu a aversão ao risco e derrubou o petróleo.
Na zona do euro, o BCE elevou os juros em 0,25%, mas o crescimento fraco e a proximidade do limite do ciclo de aperto limitaram ganhos mais expressivos da moeda europeia. No Reino Unido, a contração do PIB em abril e a cautela do Banco da Inglaterra pesaram sobre a libra. O ambiente externo ainda guarda incertezas, sobretudo o mercado de trabalho americano robusto e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, mas o diferencial de juros segue como principal âncora do real no curto prazo.
Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #385 do “De Olho no Câmbio”.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,1719 na segunda-feira (08/jun), um nível 2,7% superior à abertura da semana anterior (01/jun). Ao longo da semana, a moeda norte-americana perdeu força frente ao real, e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (12/jun) cotado a R$5,0954, patamar 0,6% superior à abertura da sexta-feira anterior (05/jun). Entre as aberturas desta sexta (12/jun) e da segunda-feira da semana anterior (01/jun), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 1,2%.
A semana abriu com o dólar pressionado pelo payroll de maio, divulgado na sexta-feira anterior, que registrou mais que o dobro do esperado de vagas, e eliminou praticamente qualquer expectativa de corte de juros pelo Fed neste ano. O cenário foi agravado pela escalada do conflito no Oriente Médio, com novos ataques israelenses ao Irã intensificando a aversão ao risco global.
Ao longo da semana, o quadro se tornou mais favorável ao real. O núcleo do Índice de Preços americano de maio desacelerou para 0,2%, abaixo do esperado, reforçando a leitura de que a pressão inflacionária está concentrada no choque de energia e não se disseminou, ao menos por ora, pela economia. Esse dado pesou sobre o dólar globalmente.
No caso brasileiro, a melhora do humor externo, combinada ao diferencial de juros e à atratividade dos ativos locais, favoreceu o real. O anúncio de um acordo entre EUA e Irã na quinta-feira derrubou o petróleo e reduziu a aversão ao risco global, contribuindo para que o dólar encerrasse a semana abaixo dos níveis de abertura.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (08/jun) cotado a R$5,9593. Na abertura desta sexta-feira (12/jun), a cotação foi de R$5,9172. Portanto, observou-se uma valorização do real frente ao euro de aproximadamente 0,7% no período, mantendo o movimento de valorização registrado na semana anterior.
Em relação ao dólar, a moeda europeia apresentou valorização nesta semana, mantendo a tendência de valorização observada na semana anterior. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1523 na segunda-feira (08/jun) para U$1,1576 nesta sexta-feira (12/jun). Assim, observou-se uma valorização de 0,4% do euro, isto é, são necessários mais dólares para adquirir um euro.
Entre real e euro, a moeda brasileira também registrou apreciação ao longo da semana. O movimento ocorreu em um contexto em que o Banco Central Europeu elevou suas três taxas diretoras em 0,25%, citando as pressões inflacionárias geradas pela guerra no Oriente Médio, com a inflação da zona do euro projetada em 3,0% para 2026.
Apesar da postura do BCE, o ambiente de crescimento mais fraco na região, com o PIB projetado em apenas 0,8% para o ano, seguiu limitando ganhos mais expressivos do euro frente a moedas de países com maior retorno financeiro. A perspectiva de que o ciclo de aperto esteja próximo do seu limite também contribuiu para conter a valorização da moeda europeia.
No caso brasileiro, a combinação entre o diferencial de juros elevado e a atratividade relativa dos ativos locais seguiu como fator central para o desempenho do real frente ao euro. O alívio do cenário externo na segunda metade da semana, com a perspectiva de acordo no Oriente Médio, reforçou esse movimento de apreciação da moeda brasileira.
A piora nas condições de inflação torna o movimento do real ainda mais importante e mostra a força que o diferencial de juros tem oferecido à moeda brasileira.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (08/jun) cotada a R$6,8996, nível superior ao registrado na abertura desta sexta-feira (12/jun), de R$6,8352. Portanto, houve uma valorização do real de aproximadamente 0,9% em relação à moeda britânica ao longo da semana.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização observada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (12/jun) cotada a US$1,3414 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3341, uma valorização de 0,5% da moeda britânica em relação ao dólar.
A moeda britânica recuou ao longo da semana, em um contexto de atividade doméstica mais fraca no Reino Unido. Os dados do PIB de abril, divulgados nesta sexta-feira, mostraram uma contração de 0,1% na comparação mensal, a primeira queda desde agosto de 2025, puxada por um recuo de 0,2% no setor de serviços.
Apesar do dado negativo, o acumulado dos três meses até abril ainda registrou crescimento de 0,7%, sinalizando que a tendência de expansão segue preservada no médio prazo. O Banco da Inglaterra manteve a taxa básica em 3,75%, adotando postura de cautela enquanto avalia os efeitos do choque de energia sobre a inflação doméstica, prevista para se aproximar de 4% antes de recuar em 2027.
No caso brasileiro, o diferencial de juros e a atratividade dos ativos locais continuaram como fatores centrais para o desempenho do real frente à libra. A melhora do ambiente externo na segunda metade da semana, impulsionada pelas perspectivas de acordo entre EUA e Irã, reforçou a apreciação da moeda brasileira no período.
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Perspectivas
Na próxima semana, o mercado cambial deve ser dominado pela Super Quarta, a reunião do Fed e do Copom. O tom do Fed tende a pesar mais do que a decisão em si. A manutenção de juros acompanhada de sinalização mais dura sobre os próximos passos da política monetária será suficiente para sustentar o dólar globalmente. A formalização do acordo entre EUA e Irã também entra no radar e, caso se confirme, pode contribuir para um ambiente de menor aversão ao risco.
No Brasil, o Copom chega à reunião em um ponto delicado, com a Selic em 14,50% ao ano e o ambiente econômico menos confortável para novos cortes. O relatório Focus já registra 13 semanas seguidas de piora nas expectativas de inflação, atualmente em 5,11% ao final do ano, e a maior parte dos agentes financeiros, que antes esperava um corte em junho, já revirou essa expectativa. Uma pausa no ciclo de afrouxamento, combinada a um Fed cauteloso, tende a preservar o diferencial de juros favorável ao real.
Seguimos de olho.
