Dólar em queda e moedas emergentes em alta
De olho no câmbio – fevereiro de 2026
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O comportamento do câmbio nesta quinzena não pode ser atribuído exclusivamente à desvalorização global do dólar, captada pelo recuo do DXY. Embora esse fator tenha contribuído, ele não explica sozinho a valorização do real. A dinâmica doméstica teve papel relevante na performance da moeda.
Além do dólar mais fraco no exterior, o Brasil manteve a entrada de fluxos financeiros. Investidores continuam direcionando recursos ao país em busca de retorno, ampliando a oferta de dólares no mercado local e sustentando o fortalecimento do real, mesmo em um ambiente internacional ainda marcado por incertezas.
Dólar amplia perdas em nível global e países emergentes aproveitam a valorização cambial
O índice DXY, que reflete o comportamento do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, registrou amplas perdas na última quinzena. A variação acumulada em 12 meses chegou a superar 11%, na maior queda anualizada desde junho de 2011.
As perdas do dólar não ficaram restritas apenas às moedas fortes. A divisa americana também registrou quedas importantes em relação a um conjunto de moedas de países em desenvolvimento. Real (+4,7%), Peso chileno (+5,0%), Peso mexicano (+4,3%) e peso colombiano (+3,4%) são algumas das moedas que registram ganhos fortes em relação ao dólar desde o começo do ano.
Apesar de o dólar ter se recuperado de parte da desvalorização nos últimos pregões, a tendência de médio prazo continua sendo de desvalorização da moeda norte-americana.
Condições domésticas também têm favorecido o fluxo de dólares
Além do ambiente externo, fatores internos têm sustentado a entrada de dólares no Brasil. Em janeiro, o fluxo estrangeiro para a Bolsa superou os R$26 bilhões, valor maior do que todo o registrado ao longo de 2025. Esse volume elevado aumenta a oferta de moeda estrangeira no mercado local.
O diferencial de juros segue como um dos principais atrativos para o investidor internacional. Com taxas domésticas ainda em patamar elevado, ativos brasileiros continuam oferecendo retorno relativo superior. Esse fator ajuda a manter o Brasil no radar mesmo em um cenário global mais cauteloso.
A valorização das commodities também tem contribuído para esse movimento. Questões geoestratégicas, como a recomposição de estoques estratégicos de cobre pela China e a corrida dos EUA por minerais críticos, sustentam os preços. Além disso, anúncios e sinais recentes do PBoC reforçam expectativas de estímulo e demanda por matérias-primas.
E os criptoativos?
A queda acumulada superior a 15% em apenas 15 dias reforça a intensidade do movimento de baixa do Bitcoin. Apesar da profunda queda dos últimos dias, a análise gráfica e conjuntural sugere que os preços podem cair ainda mais nos próximos dias, rompendo a linha dos US$70 mil.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:
| Ativo | Empresa | Data-Compra | Data-Pagamento | Provento | Valor por ação |
| SANB11 | Banco Santander | 02/01/2026 | 05/02/2026 | JSCP | R$ 0,17 |
| SANB11 | Banco Santander | 20/01/2026 | 05/02/2026 | JSCP | R$ 0,54 |
| SANB3 | Banco Santander | 02/01/2026 | 05/02/2026 | JSCP | R$ 0,08 |
| SANB3 | Banco Santander | 20/01/2026 | 05/02/2026 | JSCP | R$ 0,26 |
| SANB4 | Banco Santander | 02/01/2026 | 05/02/2026 | JSCP | R$ 0,09 |
| SANB4 | Banco Santander | 20/01/2026 | 05/02/2026 | JSCP | R$ 0,28 |
| NEMO3 | Suzano Holding | 16/12/2025 | 06/02/2026 | Dividendos | R$ 0,56 |
| NEMO5 | Suzano Holding | 16/12/2025 | 06/02/2026 | Dividendos | R$ 0,62 |
| NEMO6 | Suzano Holding | 16/12/2025 | 06/02/2026 | Dividendos | R$ 0,62 |
| RENT3 | Localiza | 17/12/2025 | 06/02/2026 | JSCP | R$ 0,52 |
| YDUQ3 | Yduqs | 26/12/2025 | 06/02/2026 | Dividendos | R$ 0,57 |
| JHSF3 | Jhsf | 29/01/2026 | 09/02/2026 | Dividendos | R$ 0,07 |
| NEOE3 | Neoenergia | 30/12/2025 | 09/02/2026 | Dividendos | R$ 0,81 |
| ABCB4 | Banco Abc Brasil | 29/12/2025 | 11/02/2026 | JSCP | R$ 1,53 |
| BPAC11 | Banco Btg Pactual | 18/12/2025 | 13/02/2026 | JSCP | R$ 0,50 |
| BPAC11 | Banco Btg Pactual | 29/12/2025 | 13/02/2026 | JSCP | R$ 0,15 |
| BPAC3 | Banco Btg Pactual | 18/12/2025 | 13/02/2026 | JSCP | R$ 0,17 |
| BPAC3 | Banco Btg Pactual | 29/12/2025 | 13/02/2026 | JSCP | R$ 0,05 |
| BPAC5 | Banco Btg Pactual | 18/12/2025 | 13/02/2026 | JSCP | R$ 0,17 |
| BPAC5 | Banco Btg Pactual | 29/12/2025 | 13/02/2026 | JSCP | R$ 0,05 |
| COGN3 | Cogna Educação | 23/12/2025 | 13/02/2026 | Dividendos | R$ 0,07 |
| PETR3 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/02/2026 | JSCP | R$ 0,47 |
| PETR4 | Petrobrás | 22/12/2025 | 20/02/2026 | JSCP | R$ 0,47 |
De olho no câmbio
O câmbio deve seguir com oscilações, com o real encontrando algum suporte no fluxo financeiro direcionado ao mercado doméstico e no diferencial de juros ainda elevado. Esse movimento ajuda a conter pressões mais intensas sobre a taxa de câmbio. Por outro lado, a desaceleração da atividade econômica local limita uma apreciação mais consistente.
No cenário externo, o dólar tende a oscilar conforme os dados da economia americana e o ajuste das expectativas para a política monetária do Fed. Euro e libra continuam mais pressionados pela fraqueza econômica na Europa e no Reino Unido, mas podem voltar a representar uma espécie de porto seguro diante dos desdobramentos geopolíticos mais recentes.
Seguimos de olho.
