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A primeira metade de maio marcou a virada do dólar. Após iniciar o mês em trajetória de apreciação do real, o mercado passou a precificar um ambiente global mais defensivo e um aumento das incertezas domésticas. 

A mudança de direção ocorreu de forma relativamente rápida. O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio, somado ao aumento da percepção de risco político no Brasil, alterou o fluxo de capital para mercados emergentes e reforçou a demanda global por ativos considerados mais seguros.

Influências externas

O principal vetor externo para o dólar na quinzena foi a escalada das tensões no Oriente Médio. Novos ataques próximos ao Estreito de Ormuz elevaram o temor sobre interrupções no fluxo global de petróleo, ampliando a aversão ao risco nos mercados internacionais.

Com isso, o barril do Brent voltou a operar acima da faixa dos US$100, pressionando expectativas inflacionárias globais. O movimento fortaleceu o dólar frente às moedas emergentes, enquanto investidores migraram para títulos do Tesouro americano e outros ativos de proteção.

Além do petróleo, o ambiente internacional também refletiu uma postura mais cautelosa dos investidores em relação aos juros americanos. A combinação entre energia mais cara e atividade ainda resiliente nos Estados Unidos reforçou apostas de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve.

Influências domésticas

No cenário doméstico, o câmbio passou a incorporar um prêmio de risco maior após o aumento do ruído político em Brasília. Reportagens envolvendo articulações financeiras ligadas ao ambiente eleitoral antecipado ampliaram a percepção de instabilidade institucional.

A deterioração do humor local coincidiu com uma saída mais intensa de capital estrangeiro da Bolsa brasileira. O Ibovespa perdeu força ao longo da semana passada, enquanto o fluxo cambial favoreceu posições defensivas e pressionou a cotação do dólar.

O mercado também voltou a monitorar com mais atenção a trajetória fiscal. Mesmo com indicadores de atividade ainda relativamente sólidos, investidores passaram a exigir maior previsibilidade sobre gastos públicos e condução econômica, reduzindo o espaço para apreciação adicional do real.

E os criptoativos?

O bitcoin perdeu força nos últimos dias, acompanhando o aumento da aversão global ao risco e a deterioração do ambiente internacional. Mesmo conseguindo retornar ao patamar acima de US$77 mil, o mercado ainda demonstra dificuldade em sustentar um movimento consistente de valorização.

A pressão vinda dos juros elevados nos Estados Unidos, da alta do petróleo e das tensões geopolíticas continua limitando o fluxo para ativos mais arriscados. Ao mesmo tempo, o suporte institucional e os avanços regulatórios impedem movimentos mais abruptos de queda.

E os Dividendos? 

Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:

AtivoEmpresaCompraPagamentoProventoValor por ação
EMBJ3Embraer11/05/202620/05/2026JSCPR$ 0,20
EMBJ3Embraer11/05/202620/05/2026JSCPR$ 0,09
EMBJ3Embraer11/05/202620/05/2026JSCPR$ 0,20
EMBJ3Embraer11/05/202620/05/2026DividendosR$ 0,01
EMBR3Embraer11/05/202620/05/2026JSCPR$ 0,20
KLBN11Klabin15/12/202520/05/2026DividendosR$ 0,23
KLBN3Klabin15/12/202520/05/2026DividendosR$ 0,05
KLBN4Klabin15/12/202520/05/2026DividendosR$ 0,05
PETR3Petrobrás22/04/202620/05/2026JSCPR$ 0,31
PETR3Petrobrás22/04/202620/05/2026Rend. Trib.R$ 0,02
PETR4Petrobrás22/04/202620/05/2026JSCPR$ 0,31
PETR4Petrobrás22/04/202620/05/2026Rend. Trib.R$ 0,02
ALPK3Estapar24/04/202629/05/2026DividendosR$ 0,01
AUAU3União Pet14/05/202629/05/2026DividendosR$ 0,03
MDIA3M. Dias Branco21/05/202629/05/2026DividendosR$ 0,03
RADL3Raia Drogasil03/10/202529/05/2026JSCPR$ 0,08
RADL3Raia Drogasil05/12/202529/05/2026JSCPR$ 0,08
TFCO4Track E Field25/06/202529/05/2026JSCPR$ 0,06
TFCO4Track E Field23/12/202529/05/2026JSCPR$ 0,07
TFCO4Track E Field30/04/202629/05/2026DividendosR$ 0,01
TFCO4Track E Field25/09/202529/05/2026JSCPR$ 0,07
TFCO4Track E Field26/03/202529/05/2026JSCPR$ 0,05
BBDC3Banco Bradesco04/05/202601/06/2026JSCPR$ 0,02
BBDC4Banco Bradesco04/05/202601/06/2026JSCPR$ 0,02
BEES3Banco Banestes04/05/202601/06/2026JSCPR$ 0,03
BEES4Banco Banestes04/05/202601/06/2026JSCPR$ 0,03
ITUB3Banco Itaú30/04/202601/06/2026JSCPR$ 0,02
ITUB4Banco Itaú30/04/202601/06/2026JSCPR$ 0,02
CAML3Camil29/05/202609/06/2026DividendosR$ 0,07
GGBR3Gerdau13/05/202609/06/2026DividendosR$ 0,18
GGBR4Gerdau13/05/202609/06/2026DividendosR$ 0,18
JHSF3Jhsf28/05/202609/06/2026DividendosR$ 0,07

De olho no câmbio

O real perdeu força acompanhando o aumento global da aversão ao risco, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela alta do petróleo. No Brasil, o aumento dos ruídos políticos e a saída de fluxo estrangeira reforçaram o movimento de valorização da moeda norte-americana.

Apesar da alta recente, parte dos fatores que impulsionaram o dólar ganhou caráter mais conjuntural do que estrutural. A tendência segue de valorização do real, mas dependerá dos desdobramentos políticos domésticos e da resolução do conflito no Oriente Médio.

Seguimos de olho.