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Entre ajustes técnicos e expectativas para 2026

Acompanhe o impacto dos acontecimentos mais relevantes sobre o real versus dólar, euro e libra esterlina, no ‘De Olho no Câmbio’ de 22 a 24 de dezembro.

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A semana que antecedeu o Natal foi marcada por um mercado de câmbio mais técnico do que direcional. Com liquidez reduzida, dados pontuais de inflação e atividade, além da atuação do Banco Central, ganharam peso desproporcional nos preços. 

Nesse ambiente, o real oscilou de forma intensa frente às principais moedas, refletindo menos mudanças de fundamentos e mais ajustes de posição típicos do fim de ano.

Quer saber mais sobre Brasil, EUA, Zona do Euro e Reino Unido? Acompanhe a seguir os desdobramentos destes e outros acontecimentos na edição #361 do “De Olho no Câmbio”.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,6302 na segunda-feira (22/dez), um nível 0,7% superior à abertura da semana anterior (15/dez). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta quarta-feira (24/dez) cotado a R$5,4805, patamar 1,8% inferior à abertura da quarta-feira anterior (17/dez). Entre as aberturas desta quarta (24/dez) e da segunda-feira da semana anterior (15/dez), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 1,2%.

O real encerrou a semana curta de Natal sob forte influência de fatores técnicos e sazonais. O dólar avançou de forma relevante no início do período, atingindo patamares próximos à R$5,59, refletindo remessas ao exterior, busca por proteção e um ambiente político-fiscal ainda sensível. A pressão ocorreu apesar de um cenário internacional relativamente mais favorável às moedas emergentes.

Na sequência, a atuação direta do Banco Central, com leilões de linha para oferta de liquidez em dólar, e o recuo dos rendimentos dos Treasuries contribuíram para uma correção significativa, levando a moeda americana de volta para a faixa de R$5,52. Com volumes reduzidos, os movimentos foram rápidos e pouco direcionais, típicos do período de fim de ano.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (22/dez) cotado a R$6,3980. Na abertura desta quarta-feira (24/dez), a cotação foi de R$6,5150. Portanto, houve uma desvalorização de 1,8% do real frente à moeda europeia, ampliando o movimento de perda observado ao longo da semana.

Com relação ao dólar, a moeda europeia apresentou leve enfraquecimento nesta semana, interrompendo a tendência de valorização observada anteriormente. A cotação do euro em dólar passou de US$1,1810 na segunda-feira (22/dez) para US$1,1785 nesta quarta-feira (24/dez). Assim, observou-se uma desvalorização aproximada de 0,2% do euro (isto é, são necessários menos dólares para adquirir um euro).

O euro apresentou comportamento relativamente estável frente ao real ao longo do período. Os dados europeus, como o PIB do Reino Unido e indicadores de atividade do continente, não trouxeram surpresas relevantes capazes de alterar o fluxo cambial de forma estrutural.

Com mercados operando em regime de baixa liquidez, o par BRL/EUR respondeu mais a ajustes técnicos do que a mudanças de fundamentos. A ausência de novos sinais claros sobre política monetária do Banco Central Europeu manteve o euro sem tendência definida frente ao real, em um ambiente de cautela generalizada.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (22/dez) cotada a R$7,3995, patamar mais baixo que o registrado nesta quarta-feira (24/dez), R$7,4565. Trata-se de uma desvalorização de 0,77% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta quarta-feira (24/dez) cotada a US$1,3516 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3379, uma valorização de 1,02% da moeda britânica em relação ao dólar.

Os dados britânicos divulgados — especialmente PIB e transações correntes — vieram em linha com o esperado e não alteraram de forma significativa as expectativas para a economia do Reino Unido. O fortalecimento da libra se deu principalmente em função das expectativas com relação ao dólar e às outras moedas. 

Assim como no caso do euro, a libra foi impactada sobretudo pela dinâmica global de baixa liquidez e pela movimentação do dólar. A ausência de novos vetores fiscais ou monetários relevantes manteve o par BRL/GBP oscilando de forma contida.

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Perspectivas

A semana seguinte, marcada pela transição entre o Natal e o Ano Novo, seguirá com agenda esvaziada e liquidez ainda reduzida, mas com alguns pontos relevantes no radar. No exterior, os dados de mercado de trabalho dos EUA, especialmente os pedidos de seguro-desemprego, continuam sendo monitorados como termômetro da atividade e da trajetória da política monetária em 2026.

Indicadores fiscais e de confiança também podem gerar ajustes pontuais, mas sem expectativa de movimentos estruturais no câmbio. No Brasil, a tendência é de mercado mais técnico, guiado por fluxo, rolagens e eventuais atuações do Banco Central para suavizar oscilações excessivas.

Em síntese, o câmbio deve permanecer volátil no curto prazo, porém sem tendência clara, com o real reagindo mais à dinâmica internacional e aos efeitos sazonais do que a novos fundamentos econômicos.

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