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Ghostworking, ou trabalho fantasma, é uma tendência preocupante que vem crescendo em ambientes profissionais. Trata-se de colaboradores que simulam estar ocupados, mas não entregam resultados reais. Essa prática levanta alertas sobre gestão, engajamento e saúde organizacional.

Entenda abaixo o que é, se essa é uma prática ilegal e como as empresas podem lidar com essa situação. 

O que é ghostworking?

Ghostworking, ou “trabalho fantasma”, é a prática de aparentar produtividade sem realmente executar tarefas relevantes. Em vez de se dedicar às atividades do dia a dia, o profissional finge estar ocupado, seja marcando presença online, movimentando o mouse ou circulando no ambiente de trabalho. No entanto, sua atenção está voltada para assuntos paralelos ou simplesmente dispersa.

Dessa forma, embora pareça que o colaborador está engajado, na prática ele entrega pouco ou quase nada. Ou seja, é uma forma de disfarçar a falta de desempenho. 

Por que o ghostworking está crescendo?

O ghostworking tem ganhado espaço no mercado de trabalho, frequentemente como reflexo de ambientes corporativos tóxicos, metas excessivas ou do receio constante de perder o emprego.

Segundo um estudo do Resume Now, 58% dos funcionários nos Estados Unidos admitem fingir que estão trabalhando com frequência, enquanto outros 34% fazem isso ocasionalmente. 

Chefe cobrando resultados da funcionária
Ghostworking cresce devido a ambientes tóxicos, metas irreais e medo de perder o emprego.

Entre os principais motivos estão a pressão por resultados, a falta de tarefas claras e significativas e a desmotivação generalizada. Muitos profissionais recorrem ao ghostworking não por preguiça, mas porque se sentem perdidos, esgotados ou sobrecarregados por metas irreais. 

Outro fator que impulsiona essa prática é a busca por equilíbrio e autonomia. Em um cenário em que muitos repensam suas prioridades e buscam novas oportunidades de carreira, fingir produtividade pode ser uma forma de ganhar tempo ou evitar conflitos com a liderança.

Como o ghostworking funciona na prática?

  • Simulação de atividade: manter o status “online”, responder mensagens com rapidez, participar de reuniões desnecessárias ou produzir documentos irrelevantes apenas para parecer ocupado;
  • Busca por novas oportunidades: usar o horário de trabalho para enviar currículos, participar de entrevistas ou fazer networking com recrutadores;
  • Falta de engajamento real: quando o colaborador não sente conexão com a empresa ou com suas funções, busca formas de se ocupar com tarefas paralelas e improdutivas;
  • Criação de distrações propositais: agendar reuniões falsas, fingir ligações telefônicas ou até simular sons de teclado apenas para parecer imerso no trabalho.

O ghostworking não se resume a simples distrações ou momentos de baixa produtividade. Na prática, ele envolve estratégias ativas para simular engajamento profissional, mesmo quando o colaborador não está executando tarefas relevantes. Esse comportamento ocorre tanto em ambientes presenciais quanto remotos e, muitas vezes, passa despercebido pela liderança.

A motivação por trás desse hábito nem sempre está ligada à má-fé. Muitos profissionais recorrem ao ghostworking por estarem desmotivados, sem direção, pressionados por metas inalcançáveis ou buscando novos rumos na carreira. 

Quais os riscos e consequências do ghostworking?

O ghostworking pode parecer inofensivo à primeira vista, mas seus efeitos vão muito além da aparente ociosidade. Quando um colaborador finge estar ocupado recorrentemente, toda a dinâmica da equipe e da empresa acaba comprometida. O impacto pode ser silencioso, porém profundo.

Para começar, a produtividade real da equipe diminui, já que uma parte do time não está contribuindo efetivamente. Isso sobrecarrega os colegas engajados, que precisam compensar o que deixou de ser feito. Com o tempo, gera frustração, desmotivação e até pedidos de demissão.

Além disso, o ghostworking afeta diretamente a confiança entre líderes e liderados. Quando a liderança percebe a falta de entrega, tende a adotar posturas mais controladoras, prejudicando a autonomia e o clima organizacional. 

Outro risco importante é o comprometimento dos resultados estratégicos da empresa. Metas não atingidas, atrasos em projetos e queda na qualidade das entregas se tornam comuns em ambientes onde o ghostworking é frequente, afetando o desempenho da organização como um todo e até prejudicando sua reputação no mercado.

Existe legislação sobre ghostworking no Brasil?

Atualmente, não há uma legislação específica que trate diretamente do ghostworking no Brasil. No entanto, a prática pode ser enquadrada como descumprimento das obrigações contratuais e gerar consequências previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

De acordo com o Artigo 482 da CLT, constituem justa causa para a rescisão do contrato de trabalho pelo empregador:

  • b) incontinência de conduta ou mau procedimento;
  • e) desídia no desempenho das respectivas funções.

O ghostworking pode ser interpretado como mau procedimento, ao simular produtividade sem realmente cumprir as tarefas designadas, ou como desídia, quando o funcionário demonstra repetidamente negligência, falta de comprometimento ou baixo desempenho intencional.

Ou seja, embora o termo ghostworking não esteja citado na legislação, o comportamento associado a ele pode justificar advertência, suspensão ou até demissão por justa causa, desde que devidamente comprovado e conduzido dentro dos limites legais.

Ghostworking é ilegal?

Não, o ghostworking não é considerado ilegal em si, mas pode representar quebra de contrato ou má conduta profissional, dependendo da situação. Quando o colaborador é remunerado para cumprir determinada carga horária e responsabilidades, mas deliberadamente simula estar trabalhando, ele pode estar violando as regras internas da empresa.

Em contratos formais de trabalho, isso pode levar a advertências, demissão por justa causa ou outras sanções previstas na legislação trabalhista, seja no Brasil ou no mercado internacional. No caso de prestadores de serviço, o comportamento pode comprometer a reputação profissional, além da perda de clientes ou contratos.

Como as empresas estão reagindo ao ghostworking?

O ghostworking é um fenômeno relativamente novo, e as empresas ainda estão se adaptando para lidar com ele de forma eficaz. Por isso, as organizações estão começando a adotar estratégias como ferramentas de monitoramento digital, que acompanham o tempo online, a movimentação no computador e a participação em reuniões. 

Reunião com funcionários sobre ghostworking
Programas de engajamento e feedback são essenciais para prevenir ghostworking e melhorar resultados.

Outra estratégia é apostar nas relações humanas e preventivas, implantando programas de engajamento, feedback contínuo e reconhecimento, além de promover uma comunicação transparente para deixar claras as expectativas e objetivos. 

Como as empresas podem prevenir o ghostworking?

  • Promovendo conversas regulares e empáticas com os colaboradores: assim é possível identificar sinais de desmotivação e agir preventivamente;
  • Evitando conclusões precipitadas: a liderança consegue compreender as causas reais da queda de desempenho antes de rotular alguém como improdutivo;
  • Reconhecendo e valorizando os bons resultados: a empresa reforça o senso de propósito e estimula a motivação contínua;
  • Oferecendo oportunidades de crescimento profissional: como capacitações e planos de carreira, os colaboradores se sentem mais valorizados e engajados;
  • Estabelecendo metas claras e alinhadas com cada função: os colaboradores entendem melhor suas responsabilidades e entregas esperadas;
  • Incentivando o senso de pertencimento: ao incluir o time em decisões e escutar suas opiniões, a empresa fortalece o vínculo com a equipe;
  • Adotando uma cultura colaborativa de confiança em vez de controle rígido: evita-se o incentivo à produtividade apenas aparente e estimula-se o desempenho genuíno;
  • Criando um ambiente de trabalho saudável e transparente: promove-se um espaço onde os colaboradores se sentem seguros para serem autênticos e produtivos.

Perguntas frequentes

O que é ghostworking?

É quando um profissional finge estar trabalhando, simulando produtividade sem executar tarefas relevantes. Isso pode incluir parecer online, participar de reuniões desnecessárias ou movimentar o mouse, mas sem de fato trabalhar.

Por que o ghostworking está se tornando mais comum?

Porque muitos profissionais se sentem sobrecarregados, desmotivados, com metas irreais ou pressionados por ambientes tóxicos. Fingir que está trabalhando acaba sendo uma forma de se proteger ou ganhar tempo.

Ghostworking é ilegal?

Não é ilegal, mas pode ser considerado quebra de contrato ou mau procedimento. Se for comprovado que o colaborador está agindo de má-fé, pode haver advertência, suspensão ou até demissão por justa causa.