Guerra Comercial e Brexit sem acordo marcam a semana no mercado

Cenário político-econômico é incerto diante de novo governo.

Real x Dólar

As tensões em torno da Guerra Comercial condicionam o movimento do Dólar no mundo. Aqui no Brasil, o avanço das discussões acerca da Reforma da Previdência, além de polêmicas do presidente Jair Bolsonaro, condicionam o movimento do Real. Nesse jogo de forças, a tendência permanece de Real desvalorizado e Dólar forte.

As tensões comerciais sino-americanas permanecem e, a cada novo capítulo, fica evidente que a verdadeira intenção dos EUA é o domínio tecnológico da quinta Geração de Internet Móvel (5G).

Mesmo em meio ao caos, o fortalecimento do Dólar se dá pelo que o economista estadunidense Barry Einchengreen chamou de “privilégio exorbitante”, observado claramente na crise Financeira Internacional de 2008 e ao longo do conflito comercial.

Esse privilégio decorre do uso incontestável do Dólar como moeda de reserva internacional, uma vez que o Dólar é usado em aproximadamente 85% das transações comerciais, responde por quase metade do estoque global de títulos de dívida e algo em torno de 60% das reservas mantidas pelos bancos centrais.

Assim sendo, quando as tensões apertam ou alguma recessão entra no radar, ainda que o epicentro sejam os EUA, os investidores recorrem ao Dólar. Nesse sentido, a perspectiva de prolongamento do conflito EUA x China mantém o Dólar valorizado, deixando-o mais caro para o brasileiro.

Destacamos que, com as perspectivas políticas aqui no Brasil e no mundo, o Dólar parece ter encontrado um patamar confortável em torno dos R$ 4,00.

Real x Euro

O Euro encontra-se em patamar relativamente confortável, em torno de R$ 4,50. A economia europeia segue em stand by, uma vez que a perspectiva de fragilidade permanece.

Na sexta-feira (24), o dado preliminar do Índice de Gerentes de Compras da Indústria alemã, nação mais rica do bloco, reforçou essa expectativa ao registrar novo dado fraco, aos 44,3 pontos.

E a Guerra Comercial também tem reflexos na região. As exportações estão diminuindo em meio às tensões comerciais. Existe agora o medo de que o sentimento negativo possa se espalhar para o setor de serviços.

Em um relatório separado, o índice Business Climate do IFO, instituto de pesquisa econômica alemão, caiu para 97,9 pontos em maio, após ter registrado de 99,2 pontos em abril.

Mais uma vez, os gerentes das empresas não vêem uma melhora na situação atual e a perspectiva de curto prazo permanece sombria para a economia alemã, que se alastra para a economia europeia, dada a proeminência da Alemanha no bloco.

Real x Libra Esterlina

E não somente a Guerra Comercial marca a economia mundial. A Libra Esterlina continua sob pressão em meio à violenta tempestade política do Brexit.

A primeira-ministra Theresa May abriu mão das chaves da Downing Street número 10 (residência oficial da PM) na manhã de sexta-feira (24). Sua saída será oficialmente no dia 7 de junho. Uma série de críticas, dúvidas e abalos em seu governo, além de fortes desafios à sua liderança, tornaram inviável sua manutenção no poder.

O mercado aguarda agora a definição do quem ocupará o posto de May e quais serão os próximos passos do Brexit, que já atraiu críticas de todos os lados políticos. O foco está, portanto, diretamente ligado ao Brexit uma vez que o novo prazo final para votação se aproxima.

Com a saída de May, abre-se caminho para a disputa por sua sucessão como líder do Partido Conservador e, consequentemente, no comando do governo. Os nomes mais cotados para substituí-la são do ex-ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson,além do ex-secretário Dominic Raab, mas há outros possíveis nomes.

Cabe destacar que ambos são favoráveis ao Brexit e, nesse contexto, é possível que uma saída sem acordo ocorra. A Libra segue bastante volátil, orbitando na casa dos R$ 5,10.

André Galhardo é economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, professor e coordenador universitário nos cursos de Ciências Econômicas. Mestre em Economia Política pela PUC-SP, possui ampla experiência em análise de conjuntura econômica nacional e internacional, com passagens pelo setor público.