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O Comitê de Política Monetária (Copom) optou, nesta quarta-feira (18), por elevar a taxa básica de juros (Selic) a 15%. A decisão ocorre em meio às preocupações com o ritmo da atividade econômica, apesar da recente desaceleração da inflação e da valorização cambial.

Além da elevação da taxa básica de juros, a decisão reforçou a postura conservadora do Banco Central, refletindo a necessidade de demonstrar compromisso com o controle inflacionário. De modo geral, embora o comitê tenha antecipado o fim do ciclo de alta, o comunicado também abriu espaço para novos aumentos caso seja necessário.

Reunião do Copom traz impacto para a economia nacional

O Banco Central do Brasil decidiu nesta quarta-feira (18), por meio do Comitê de Política Monetária, pela elevação da taxa básica de juros brasileira, a Selic.

Apesar da diminuição relativa dos riscos inflacionários no segundo trimestre, como, por exemplo, a estabilidade cambial, perto de R$5,55, níveis mais valorizados do que aqueles observados em dezembro quando o dólar chegou a ser cotado acima de R$6,30, e os sinais de uma incipiente desaceleração da economia, o Copom manteve uma postura conservadora. Embora os riscos inflacionários sejam virtualmente menos intensos, outros fatores continuam a ameaçar o cumprimento da meta de inflação para este ano.

A decisão de elevar a taxa de juros garantirá uma política monetária bastante restritiva, razão pela qual diversas empresas do varejo brasileiro entraram com pedido de recuperação judicial ao longo dos últimos anos.

O Copom elevou a taxa Selic em 0,25p.p, que já estava no maior nível nominal em cerca de 19 anos. O cenário recente de inflação acima do teto da meta, incertezas fiscais e cenário externo desafiador justifica o movimento cauteloso do Banco Central.

A decisão de elevar os juros reflete, portanto, o fato de a taxa de inflação seguir acima do teto da meta. Em junho, a decisão foi de um aumento de 0,25%.

Qual o impacto no dólar depois da reunião do Copom de junho

Os impactos da decisão do Copom hoje sobre o mercado de câmbio devem ser relativamente moderados por diversos motivos:

  • Parte do movimento de valorização da moeda brasileira registrado nas últimas semanas já está relacionada ao nível da taxa básica de juros doméstica. Ou seja, apesar da expectativa de que o Copom mantenha a Selic inalterada, o nível já é suficientemente elevado para garantir um movimento de valorização do real.
  • Essa valorização do real decorrente da taxa de juros doméstica, no entanto, estará condicionada às questões internacionais. O conflito entre Irã e Israel e a guerra comercial promete trazer instabilidades em nível global, o que, por sua vez, pode impedir momentaneamente ganhos de divisas de países emergentes como o Brasil. 

Portanto, a elevação da taxa Selic pode não trazer impactos imediatos ao dólar, uma vez que na avaliação dos agentes do mercado financeiro as questões externas pesam mais sobre o mercado de câmbio neste momento.

Por outro lado, apesar da sobreposição das questões externas sobre os dados da economia doméstica, a melhora da inflação na leitura anualizada, garante aumento dos juros reais, o que, por sua vez, pode distender o ciclo de valorização do real nos próximos dias.

O que muda no Brasil com os dados da reunião do Copom em junho

Apesar das apostas de que a Selic permanecerá em 15% ao longo de todo o segundo semestre, a expectativa é de que a economia siga relativamente resiliente, refletindo o bom momento do mercado de trabalho e o crescimento do agronegócio neste ano.

Mesmo com essa resiliência, o aumento da Selic para patamares muito elevados começou a refletir nos dados de atividade econômica. Parte importante do crescimento do primeiro trimestre esteve associada ao desempenho sazonal do agronegócio. A expectativa é de que com este novo aumento a economia doméstica cresça em ritmo mais moderado nos próximos meses.

Os setores produtivos ainda mostram resiliência, mas o principal destaque positivo da economia brasileira tem sido o agronegócio. No que diz respeito aos investimentos financeiros, a elevação da Selic segue garantindo bons rendimentos para investimentos em renda fixa e de opções mais conservadoras, como as aplicações em poupança, cujos rendimentos foram significativamente majorados desde o início do ciclo de aumentos da taxa básica de juros.

Próxima reunião do Copom

O Copom deixou claro na última reunião, realizada nos dias 18 e 19 de junho, que a luta contra a inflação continua. A autoridade monetária brasileira se diz vigilante em relação ao comportamento dos preços e disse que decisões futuras estariam condicionadas à evolução dos preços e da economia.

A próxima reunião do COPOM ocorrerá nos dias 29 e 30 de julho e deve contar com a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. O comunicado e a ata da reunião deste mês já forneceram pistas sobre os próximos passos do comitê. O colegiado deve manter a taxa básica de juros em 15% por um período bastante prolongado..

A nossa expectativa é de que o comitê mantenha a Selic em 15% ao menos até o final de 2025.

Seguimos de olho!