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Apesar das incertezas no cenário internacional, o real deve permanecer no radar de investidores e especuladores globais. Essa preferência está fortemente associada ao elevado diferencial de juros oferecido pelo Brasil. 

Embora a expectativa majoritária seja de manutenção da taxa Selic na reunião do Copom desta quarta-feira (18), o aumento dos riscos inflacionários e o agravamento do ambiente externo devem levar o comitê a adotar um tom bastante firme no comunicado. 

A sinalização deve ser clara: a taxa básica permanecerá em patamar elevado pelo tempo que for necessário e, caso o cenário piore, não está descartada a possibilidade de novos ajustes da taxa Selic para cima.

A Selic é a atriz principal, mas essa história tem mais personagens

O atrito entre o Governo e o Congresso Nacional, embora prejudicial à governabilidade, carrega um componente potencialmente positivo do ponto de vista fiscal. A resistência do Legislativo em aprovar medidas de aumento de arrecadação reforça a percepção de que a única saída será o corte de gastos.

Em outras palavras, embora estejamos conscientes de que o apoio do Congresso em cortar os gastos seja meramente retórico, entendemos que chegamos a um ponto em que somente os cortes de gastos de forma estrutural serão capazes de resgatar a agenda de equalização das contas públicas.

Há uma expectativa de que desse imbróglio saia alguma medida positiva para contornar os problemas das despesas no médio e longo prazo, o que , em tese, tende a favorecer a moeda brasileira no mercado financeiro.

As tensões do Oriente Médio e mais contas públicas do Brasil

Apesar dos lamentáveis acontecimentos no Oriente Médio, a moeda brasileira segue com forte ritmo de valorização: já são mais de 4% de ganhos em relação ao dólar só em junho. E o mês ainda não acabou. A moeda brasileira tem o segundo melhor desempenho em nível global, atrás apenas do rublo russo.

O que mais ajuda a explicar a valorização do real diante de um cenário externo tão volátil? De novo as contas públicas. A discussão sobre o IOF ou a MP sobre os rendimentos de ativos financeiros visam equilibrar as contas públicas no médio e longo prazo, onde realmente mora o problema.

Em que pese os riscos fiscais, os dados desde o último trimestre de 2024 até o mês de maio deste ano são relativamente benignos e mostram um cenário melhor que o de 2024, ano em que o país cumpriu a meta descrita no novo arcabouço fiscal.

E os criptoativos?

O Bitcoin voltou a operar próximo dos US$105 mil, devolvendo parte dos ganhos recentes após um forte rally. A perspectiva de curto prazo não é das mais favoráveis: a manutenção das taxas de juros em níveis elevados nos Estados Unidos e Reino Unido tende a pressionar [para baixo] os ativos de risco.

Por outro lado, o Senado americano aprovou uma legislação voltada à regulamentação de stablecoins — criptomoedas atreladas a ativos estáveis — em um passo considerado decisivo para a institucionalização do mercado cripto. Ainda que o cenário de curto prazo sinalize ajustes negativos, esse avanço regulatório representa uma base mais sólida para o desenvolvimento do setor no médio e longo prazo.

E os Dividendos?

Confira alguns dos pagamentos agendados no mercado brasileiro:

📅 Agenda de Dividendos

CódigoEmpresaData comData de pagamentoTipoValor por ação
MULT3Multiplan26/06/202420/06/2025JCPR$ 0,23
PETR3Petrobras16/04/202520/06/2025DividendosR$ 0,35
PETR3Petrobras16/04/202520/06/2025Rend. Trib.R$ 0,02
PETR4Petrobras16/04/202520/06/2025Rend. Trib.R$ 0,01
PETR4Petrobras16/04/202520/06/2025DividendosR$ 0,35
ASAI3Assaí25/04/202523/06/2025DividendosR$ 0,01
BAUH3Excelsior Alimentos25/04/202523/06/2025DividendosR$ 1,12
BAUH4Excelsior Alimentos25/04/202523/06/2025DividendosR$ 1,24

De olho no câmbio

Dada a elevada volatilidade do cenário internacional e a natureza imprevisível da política doméstica, qualquer projeção para o câmbio deve ser feita com cautela. 

Ainda assim, o atual patamar da taxa de juros no Brasil, combinado com a possibilidade de avanços em medidas estruturais de contenção de gastos decorrentes das negociações entre o Executivo e o Congresso, pode sustentar a valorização do real frente ao dólar nos próximos dias. Há potencial para a taxa de câmbio atingir a faixa de R$5,37. 

Esse movimento, motivado por fundamentos domésticos, tende a se estender também em relação a outras moedas fortes, como a libra esterlina e, em menor grau, o euro. Naturalmente, os desdobramentos do conflito no Oriente Médio permanecem como um fator de risco que pode alterar essa trajetória.

Seguimos de olho.