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O robô humanoide saiu do campo da curiosidade futurista e começou a aparecer em eventos, fábricas e pré-vendas internacionais. Alguns modelos já têm preço anunciado; outros ainda avançam entre testes, demonstrações e promessas de chegada ao mercado.

Para quem acompanha tecnologia de perto, o movimento chama atenção porque comprar um robô humanoide já parece menos impossível do que há poucos anos.

Mas o caminho até ter um em casa ou na empresa ainda passa por preço em dólar, importação, suporte e limitações reais de uso. Entenda como esse mercado cresce e quais marcas já disputam espaço.

O que é um robô humanoide?

Um robô humanoide é uma máquina criada com formato semelhante ao corpo humano, geralmente com cabeça, tronco, braços, mãos e pernas. A ideia é permitir que ele circule em ambientes feitos para pessoas, como casas e indústrias.

A diferença para outros robôs está na proposta de uso. Enquanto um braço robótico executa uma tarefa específica, o robô humanoide tenta reunir locomoção, manipulação de objetos, comandos por voz e interação em uma estrutura mais parecida com a nossa.

O avanço mais recente ajuda a explicar por que o tema ganhou tanta atenção. Em abril de 2026, o Lightning, robô humanoide desenvolvido pela Honor, venceu uma meia-maratona de robôs em Pequim e completou os 21 km em 50min26s. O feito mostra como a locomoção bípede já saiu dos testes fechados e começou a aparecer até mesmo em eventos esportivos.

Por que o mercado de robô humanoide está crescendo?

O mercado de robôs humanoides cresce porque os modelos recentes combinam IA, visão computacional, sensores e motores mais precisos em estruturas capazes de andar, reconhecer ambientes e manipular objetos.

Essa evolução ainda não coloca humanoides em toda casa, mas já permite testes mais consistentes em fábricas, centros logísticos, lojas e atividades de apoio. 

As projeções ajudam a explicar o tamanho dessa corrida. A Morgan Stanley estima que o mercado de humanoides pode passar de US$ 5 trilhões até 2050, com aceleração mais forte a partir do fim da década de 2030.

Já a Goldman Sachs projeta US$ 38 bilhões até 2035, impulsionados por queda no custo de materiais, avanço da escala produtiva e maior interesse empresarial.

Mesmo com números altos, o setor ainda está no começo. A IFR, International Federation of Robotics, na Conferência World Robotics 2025, destacou que não há uso massivo de humanoides hoje e que muitas empresas seguem entre protótipos, produção sob demanda e primeiros testes comerciais.

Por enquanto, fábricas, centros logísticos e tarefas estruturadas devem avançar antes do uso doméstico em larga escala.

Quais robôs humanoides já estão à venda ou em pré-venda?

Robôs humanoides R1, G1, H2 e H1, da Unitree

Entre os modelos de robô humanoide, a Unitree aparece como uma das marcas mais acessíveis. O R1 está em pré-venda a partir de US$ 4.900 e combina locomoção ágil, 20 a 26 graus de liberdade, cabeça móvel para percepção do ambiente e IA multimodal para voz e imagem.

A mesma vitrine lista o G1 por US$ 13.500, o H2 por US$ 29.900 e o H1 por US$ 90.000, com confirmação de preço sob consulta.

No Brasil, a Unitree também ganhou visibilidade com o robô humanoide mostrado por Lucas Rangel nas redes sociais. O influenciador aparece frequentemente com o seu modelo G1 em situações cotidianas, como passeios, interações em casa e testes bem-humorados com tarefas simples.

Testes de luta do robô humanoide da Unitree na Agência Bolha

Fonte: Bolha: Laboratório de Inovação

Robô humanoide NEO, da 1X

O NEO, da 1X, entra em uma proposta mais doméstica. A empresa oferece assinatura de US$ 499 por mês ou compra antecipada por US$ 20.000, com entregas nos Estados Unidos previstas para 2026. Entre as funções anunciadas estão:

  • comandos por voz;
  • aplicativo para acompanhar tarefas;
  • recarga automática;
  • controle remoto; e
  • supervisão humana em atividades mais complexas — já que os primeiros usuários devem receber um robô com autonomia básica.

Robô humanoide Atlas, da Boston Dynamics

No uso empresarial, o Atlas, da Boston Dynamics, aparece em outro estágio de mercado. A marca não informa preço aberto para consumidor final, mas posiciona o robô para:

  • movimentação de materiais;
  • automação industrial;
  • leitura de códigos de barras;
  • integração com sistemas de operação; e
  • troca autônoma de bateria.

A Hyundai informou que pretende usar robôs humanoides em sua fábrica nos Estados Unidos a partir de 2028, começando por tarefas de sequenciamento de peças e avançando para operações mais complexas até 2030.

Robô humanoide Figure 03, da Figure AI

O Figure 03, da Figure AI, é apresentado no site oficial como um robô humanoide de uso geral com foco doméstico, pensado para tarefas como lavar louça, cuidar da lavanderia e apoiar a limpeza em geral.

O modelo tem 5 horas de bateria, capacidade de carga de 20 kg, velocidade de 1,2 m/s e usa a IA Helix para combinar visão, linguagem e ação em tempo real.

O projeto também reforça a proposta de uso em casas reais, com:

  • sensores redesenhados;
  • câmeras nas mãos;
  • pontas dos dedos mais sensíveis;
  • materiais macios;
  • tecidos removíveis; e
  • recarga sem fio pelos pés.

Ainda não há preço oficial nem venda direta ao público, mas o Figure 03 entra no radar por mirar tarefas domésticas, não apenas demonstrações técnicas.

Robô humanoide doméstico já funciona como nas demonstrações das marcas?

O robô humanoide doméstico já executa tarefas reais, mas ainda não funciona como um assistente completo para qualquer rotina da casa.

As demonstrações divulgadas pelas fabricantes mostram avanços importantes, só que costumam recortar tarefas específicas, em ambientes preparados ou com algum nível de supervisão.

A 1X, por exemplo, apresenta o Redwood como uma IA capaz de ajudar o NEO em tarefas de manipulação móvel, como buscar objetos, abrir portas e circular pela casa. O sistema também aprende com experiências reais e roda no próprio robô, ponto importante para ambientes com internet instável.

A Figure segue caminho parecido ao mirar a rotina doméstica. O Figure 03 promete cuidar de lavanderia, limpeza e louça com autonomia, além de circular por escadas, cantos estreitos e layouts que mudam com o uso diário da casa.

Ainda assim, o mercado pede cautela. A IFR trata os humanoides como uma tecnologia entre visão e realidade, com grande interesse público, muitos investimentos e desafios de adoção.

Por enquanto, a compra de um robô humanoide exige encarar a fase atual como começo de mercado — não como produto doméstico tão comum quanto um eletrodoméstico.

O que avaliar antes de comprar um robô humanoide do exterior?

Antes de comprar um robô humanoide do exterior, o preço anunciado pela fabricante precisa entrar em uma conta mais ampla. Para quem está no Brasil, câmbio, frete, seguro, tributos, desembaraço aduaneiro, garantia e suporte técnico podem mudar bastante o custo final da compra.

Compras internacionais registradas desde 1.º de agosto de 2024 seguem novas regras de tributação. Em compras fora do Programa Remessa Conforme, o Imposto de Importação chega a 60% até US$ 3.000, com cobrança de ICMS.

Quando o valor passa desse limite ou há outra exigência fiscal, pode ser necessário contratar despachante aduaneiro para seguir com a liberação.

Também convém checar se o modelo tem componentes sujeitos à homologação no Brasil, como conexão sem fio, controle remoto ou módulos de telecomunicação. A Anatel exige homologação para produtos de telecomunicações, e o uso ou a comercialização desses itens sem autorização não é permitido no país.

O robô humanoide ainda está em fase inicial, mas já entrou no radar de quem acompanha tecnologia, automação e compras internacionais. Se você pensa em importar um modelo no futuro, acompanhar preços em moeda estrangeira e entender o custo real da operação faz parte da decisão.

Com a Remessa Online, é possível fazer transferências internacionais com segurança, praticidade e câmbio comercial. Acesse o site para conhecer os serviços.

Resumindo

Quanto custa um robô humanoide?

Um robô humanoide pode custar de US$ 4.900 a US$ 90.000 entre modelos com preço público, como os da Unitree. O NEO, da 1X, aparece por US$ 20.000 na compra antecipada ou US$ 499 por mês em assinatura.

O que um robô humanoide faz?

Um robô humanoide pode andar, reconhecer ambientes, responder comandos, manipular objetos e apoiar tarefas domésticas ou industriais. Modelos recentes já miram funções como limpeza, lavanderia, transporte de itens, automação em fábricas e assistência pessoal.

Qual é o melhor robô humanoide do mundo?

Não existe um melhor robô humanoide para todos os usos. O Atlas, da Boston Dynamics, se destaca no uso industrial; o Figure 03 mira tarefas domésticas; e a Unitree chama atenção por modelos com preços mais acessíveis. A escolha depende da finalidade.