A recuperação do real frente ao dólar foi interrompida no dia 10 de outubro. Naquele momento, uma nova ameaça de recrudescimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, aumentou as incertezas sobre a economia global e os investidores buscaram abrigo em ativos mais seguros.
O episódio entre as duas maiores potências somou-se à persistência do shutdown nos Estados Unidos, aumentando as preocupações com relação ao futuro da economia mundial, em geral, e norte-americana, em específico.
A Selic em 15% explica a maior parte da resiliência do real
Desde o dia 10, no entanto, o Real engatou uma nova sequência de valorização, que já supera os 2% em relação ao dólar. Parte da explicação para essa resiliência da divisa brasileira está no nível atual da taxa básica de juros, a Selic.
O atual patamar da Selic, o mais alto em 15 anos, ajuda a atrair investidores internacionais ao país, criando um ambiente propício à valorização do real. Os sinais de que o início do ciclo de cortes de juros ainda está longe de acontecer também pesam nesta equação e atraem ainda mais capital ao Brasil.
Selic alta com inflação sob controle = real forte
A trajetória benigna de desinflação no Brasil, que aponta para o teto da meta, pode receber um impulso vindo do mercado de combustíveis. A decisão da Petrobras de reduzir em 4,96% o preço de venda da gasolina para as distribuidoras deve refletir no preço final ao consumidor.
A medida da estatal visa corrigir, em partes, a diferença que existia no preço da gasolina no mercado doméstico e internacional. Embora o preço do óleo diesel não tenha sofrido alteração, a redução no preço da gasolina deve contribuir para a convergência da inflação para 4,5% até o final do ano.
E os criptoativos?
Com base nos sinais técnicos e nas leituras recentes de algoritmos de tendência, o Bitcoin apresenta um comportamento misto entre o curto e o longo prazo. As projeções indicam uma tendência de baixa estrutural, refletindo a consolidação de um movimento corretivo após sucessivas altas.
Esse padrão sugere perda gradual de força compradora e possível acomodação dos preços ao longo das próximas semanas. Alguns modelos estatísticos sugerem que a cotação do criptoativo pode romper (para baixo) a linha dos US$100 mil nos próximos dias.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos agendados no mercado brasileiro:
📅 Agenda de Dividendos
| Ativo | Empresa | Data-Compra | Data-Pagamento | Provento | Valor por Ação |
| WHRL3 | Whirlpool | 15/10/2025 | 23/10/2025 | Red. Cap. | R$ 0,20 |
| WHRL4 | Whirlpool | 15/10/2025 | 23/10/2025 | Red. Cap. | R$ 0,20 |
| CPFE3 | Cpfl Energia | 29/04/2025 | 27/10/2025 | Dividendos | R$ 0,17 |
| PATI3 | Panatlantica | 24/04/2025 | 29/10/2025 | Dividendos | R$ 0,79 |
| PATI3 | Panatlantica | 20/10/2025 | 29/10/2025 | Dividendos | R$ 1,93 |
| PATI4 | Panatlantica | 24/04/2025 | 29/10/2025 | Dividendos | R$ 1,93 |
| PATI4 | Panatlantica | 20/10/2025 | 29/10/2025 | Dividendos | R$ 0,79 |
| PINE3 | Banco Pine | 20/10/2025 | 29/10/2025 | JSCP | R$ 0,10 |
| PINE4 | Banco Pine | 20/10/2025 | 29/10/2025 | JSCP | R$ 0,10 |
| BALM3 | Baumer | 02/10/2025 | 31/10/2025 | JSCP | R$ 0,93 |
| BALM4 | Baumer | 02/10/2025 | 31/10/2025 | JSCP | R$ 0,93 |
| BBDC3 | Banco Bradesco | 31/03/2025 | 31/10/2025 | JSCP | R$ 0,21 |
| BBDC4 | Banco Bradesco | 31/03/2025 | 31/10/2025 | JSCP | R$ 0,23 |
| CGAS3 | Comgás | 16/10/2025 | 31/10/2025 | Dividendos | R$ 5,17 |
| CGAS5 | Comgás | 16/10/2025 | 31/10/2025 | Dividendos | R$ 5,69 |
| EALT3 | Electro Aco Altona… | 29/04/2025 | 31/10/2025 | Dividendos | R$ 0,05 |
| EALT3 | Electro Aco Altona… | 29/04/2025 | 31/10/2025 | JSCP | R$ 0,14 |
| EALT3 | Electro Aco Altona… | 19/01/2022 | 31/10/2025 | Dividendos | R$ 0,03 |
| EALT4 | Electro Aco Altona… | 29/04/2025 | 31/10/2025 | Dividendos | R$ 0,05 |
| EALT4 | Electro Aco Altona… | 29/04/2025 | 31/10/2025 | JSCP | R$ 0,16 |
| EALT4 | Electro Aco Altona… | 19/01/2022 | 31/10/2025 | Dividendos | R$ 0,03 |
| MDIA3 | M. Dias Branco | 23/10/2025 | 31/10/2025 | Dividendos | R$ 0,03 |
| SMFT3 | Smartfit | 12/09/2025 | 31/10/2025 | JSCP | R$ 0,07 |
De olho no câmbio
As incertezas globais devem continuar sendo um importante vetor para o comportamento do dólar em âmbito mundial. Os próximos passos do novo capítulo da guerra comercial entre Estados Unidos e China e do shutdown podem ser decisivos no mercado cambial.
O Brasil, no entanto, possui uma barreira contra desvalorizações muito acentuada na moeda norte-americana: a elevada taxa de juros. A persistência dela no atual patamar deve manter a atratividade da renda fixa nacional, atraindo dólares para o país.
Seguimos de olho.