Bolsa Brasileira Andando de Lado

Entra semana e sai semana, e continuamos sem soluções. As expectativas quanto a resolução da trégua de tarifas entre EUA e China ainda caminham por uma estrada nebulosa (daquelas que você não consegue ver quase nada).

Se por um lado o mercado internacional buscou uma escalada diante da possibilidade de um acordo, por outro segue com tantas indefinições que não consegue se sustentar em direção mais positiva.

Vamos ao que de fato ocorreu.

A trégua tarifária iniciada há 90 dias atrás foi uma conquista, não podemos negar. Mas desde então, muita especulação sobre quais serão os próximos passos foram sentidas – com variações na Bolsa e moedas. Cada avanço de que teríamos um acordo seguido por “não é nada disso”, foram acompanhados por um sobe e desce nos ativos do mundo todo.

Quase ninguém passa ileso

Não é para menos, se as duas maiores potências mundiais estão em desacordo, todos nós sentimos. Os próprios países já perceberam que essa disputa mais traz danos do que benefícios. Principalmente, para o lucro de empresas que sofrem com o aumento de produtos importados e que dificulta a venda de exportadoras. Contudo, quando tratamos de Donald Trump na mesa de negociação, todos os cenários são possíveis.

Um acordo ou manutenção da trégua tarifária que era esperado já na sexta-feira (22), veio apenas no domingo. As rodadas de conversas se estenderam durante todo o final de semana e Trump anunciou no Twitter – sua rede social e canal de comunicação preferido – que iria adiar a entrada em vigor de um aumento das tarifas de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses.

À espera de um novo encontro 

Ainda que já seja uma boa notícia, os temas mais delicados da conversa não foram divulgados e cada dia para um acordo final parece uma eternidade.

Por ora, aguardamos o novo encontro, que seria uma cúpula proposta por Trump na última segunda-feira (25) para assinar um acordo que daria fim às disputas comerciais entre os dois países.

Eu, particularmente, estou bem ansiosa com o desenrolar dessa história. Neste momento, já queria ter um acordo, mas ainda não foi dessa vez. Com este panorama, os ativos globais ficam sem direção certa e aguardando a definição para a paz entre as potências e melhora do comércio mundial.

Em especial para o Brasil que é uma país emergente, todas as confirmações de que está tudo bem por lá, resultam em possibilidade de migração de fluxo internacional para cá. Por isso, seguirei com olhos bem abertos para todas as novidades que comentarei por aqui.

Sabatinado

Sem novidades e por unanimidade, o economista Roberto Campos Neto foi aprovado pelos membros da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado como o novo presidente do Banco Central brasileiro.

Se o nome soar familiar, é bom lembrar que ele é neto do ex-ministro do Planejamento e também economista, Roberto Campos. A marca de seu avô era de busca por um ideal liberal durante o governo Castelo Branco. Ou seja, apenas este fato da família já motiva os investidores locais.

Por enquanto, no que tange à política monetária, Campos Neto ainda deu poucas pistas sobre o que será feito. Neste primeiro contato, ele sinalizou que irá seguir o mesmo modelo já proposto pela última gestão e ainda defendeu a redução do tamanho do Estado brasileiro e a autonomia do Banco Centra – pontos positivos.

Além do novo presidente, o plenário do Senado também aprovou as indicações de Bruno Serra Fernandes e João Manuel do Pinho Mello para a diretoria do BC.

Uma nova formação que promete não ser de renovação, mas de sequência do trabalho bem executado e conduzido pela equipe de Ilan Goldfajn.

Para mim, é um ponto positivo e a ausência de novidades não representa nenhum problema. No entanto, este primeiro contato ainda não é o suficiente para tirarmos conclusões precipitadas. E tenho uma certa desconfiança de que ele nos surpreenderá.

Perspectivas

Com este cenário, espero que a Bolsa brasileira siga de lado, devido aos ativos já terem sofrido a precificação da reforma da Previdência, e com mais chances de ceder diante de fatos negativos do que de galgar em direção aos (tão esperados) 100 mil pontos.

Para o câmbio, é a mesma história. O patamar dos R$ 3,70 a R$ 3,75 está muito confortável. Diria que confortável até demais, mas enquanto não temos o que comemorar, não há como romper esta barreira. E para embalar o tom de espera, ainda teremos um feriadão prolongado de carnaval!  Por isso, investidores aproveitarão as festas tranquilos sem tantas alterações em suas posições por mais uma semana.

Glenda Mara Ferreira é Economista, bacharel em Relações Internacionais com experiência em planejamento financeiro. Atualmente é especialista em investimentos na Levante. Possui uma conta no Instagram sobre finanças pessoais e economia: @glendamara_ferreira