Câmbio 2021: confira as projeções para os próximos meses

por Andrea Cortes
3 minutos de leitura

O ano de 2020 foi de intensas altas no câmbio e a desvalorização do Real chegou a ser considerado como uma das piores moedas do mundo. No entanto, as projeções do câmbio em 2021 são mais esperançosas para a economia do Brasil.

Acompanhe o artigo abaixo para entender quais as projeções do câmbio para os próximos meses e quais fatores podem afetar essas mudanças. 

As projeções do câmbio para 2021

O Real vem passando por uma maxidesvalorização desde 2019 e este cenário apenas se agravou com os acontecimentos econômicos e políticos de 2020, fazendo o dólar encerrar o ano com valorização de 29% em relação ao Real. 

Porém, essa pode ser uma boa notícia para as projeções do câmbio em 2021, que deve ver uma valorização da moeda brasileira após tantas quedas. Por isso, para os próximos meses espera-se um fortalecimento do Real. 

Recentemente, o Banco Central divulgou mais uma edição do Boletim Focus com os analistas de mercado e as previsões financeiras para o país. De acordo com o Banco Central, espera-se que em 2021 o dólar se mantenha em R$ 5,10. Já para 2022, a expectativa é de câmbio a R$5. E, em 2023, R$ 4,94.

O que pode afetar o câmbio em 2021

Apesar da tendência de queda do dólar nos próximos meses, os cenários nacionais e mundiais ainda são muito incertos. Se por um lado existem fatores que fazem com que o preço do dólar suba, como a segunda onda da Covid-19, há outros fatores que fazem com que os preços caiam, como a vitória de Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos.

Veja quais são os fatores que podem afetar o câmbio nos próximos meses. 

Pandemia

A pandemia do coronavírus foi o grande assunto de 2020 e deve continuar como uma pauta importante em 2021. Existe a preocupação com a segunda onda da pandemia de Covid-19 no Brasil, que pode fazer com que o preço do dólar suba e certamente é o principal motivo que impede a valorização do real. 

Até agora, as preocupações com a nova fase da pandemia e o novo bloqueio eram apenas hipóteses. No entanto, com a confirmação do aumento  de casos na Europa e Estados Unidos, a segunda onda já é uma realidade. No Brasil, o número de casos e mortes também vem subindo novamente. Tudo isso faz com que novas medidas e restrições para conter o vírus sejam aplicadas, fazendo com que a cotação do câmbio suba novamente. 

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A pandemia de coronavírus vai afetar o câmbio em 2021.

No entanto, a vacina ainda é uma esperança. Diversos países já começaram suas vacinações que devem começar por aqui também. O Governo do Estado de São Paulo anunciou que a população começará a ser vacinada no dia 25 de janeiro. Da mesma forma, o Ministério da Saúde também anunciou que em breve a população brasileira deve começar a ser vacinada. 

O início da vacinação é um sinal positivo, porém ele não deve significar uma valorização rápida da moeda brasileira. Mas, em médio prazo, é um sinal verde para que o mundo volte a patamares pré-pandemia. 

Instabilidade política

Outro fator que pode fazer o câmbio oscilar muito no país é a instabilidade política. A crise política gera instabilidade institucional e isso impacta diretamente o real.

Em 2020, o câmbio teve várias oscilações diante do agravamento da crise entre o Poder Executivo e os Poderes Legislativo e Judiciário.  Além disso, as saídas do Ministro da Justiça Sérgio Moro e dos Ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, em menos de um mês, fizeram com que o Real tivesse uma grande desvalorização. 

E esse é um cenário que deve se repetir nos próximos meses. As disputas pela presidência da casa na Câmara dos Deputados e Senado devem movimentar o cenário político no primeiro trimestre. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro vive em constante briga com governadores e até mesmo com o poder judiciário e legislativo, o que pode afetar diretamente a imagem do país e a cotação do câmbio. 

Outro fator político importante são as manifestações contra e a favor do presidente Jair Bolsonaro, que foram amenizadas em 2020 por conta da pandemia, mas podem tomar fôlego novamente. 

Esse intenso desgaste causado pela crise política na imagem do país pode fazer a moeda brasileira voltar a perder força de forma intensa e rápida em relação à moeda americana e continuar sofrendo altas quedas. 

Novo Governo nos EUA

Outro fator que influenciará o câmbio nos próximos meses é o novo governo nos Estados Unidos. O presidente eleito Joe Biden irá tomar posse do governo americano no dia 20 de janeiro e espera-se que o democrata tenha diferentes posturas em relação ao mandato do republicano Donald Trump.

No Brasil, uma das maiores expectativas em relação à eleição com Biden é a baixa do dólar. Isso porque, o Partido Democrata tem um histórico de aumento dos gastos públicos, o que afeta mais a dívida pública no país e, portanto, a desvalorização da moeda americana. Com isso, espera-se que o real seja mais valorizado em relação ao dólar já nos próximos meses. 

Além disso, ainda está em debate um possível pacote de estímulos a ser liberado com a chegada de um governo democrata, que pode colaborar com a queda da cotação do câmbio. 

Política Cambial: o que é e quais os impactos na sua vida.

Câmbio 2021: conclusão

Diante de um cenário ainda incerto, as projeções do câmbio para o início de 2021 são de uma valorização gradual do Real. Apesar da esperança de uma valorização da moeda brasileira, a crise política e a instabilidade econômica ainda podem fazer o Real perder valor. 

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