Trapalhadas do Copom e riscos inflacionários maiores. De quem é a culpa para a escalada recente do dólar?
Copom gera dúvidas sobre a condução da política monetária, enquanto guerra comercial, inflação nos EUA e expectativa de alta de juros pelo Fed impulsionam o dólar.
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O comunicado e a ata do Copom deixaram dúvidas sobre a coerência da política monetária. Ao mesmo tempo em que reconheceu um balanço de riscos inflacionários assimétrico, o Comitê decidiu reduzir novamente a Selic, levantando questionamentos sobre uma possível maior tolerância à inflação.
Apesar do ruído doméstico, a valorização recente do dólar decorre principalmente de fatores externos. A guerra comercial, a aceleração da economia americana e o aumento dos riscos inflacionários reforçaram as apostas em uma possível alta de juros pelo Federal Reserve.
Comunicado e ata difíceis de entender
O Copom divulgou um comunicado bastante estranho ao mercado na última reunião. Os problemas envolvem tanto o mérito quanto a forma. Simplesmente não conseguimos compreender com clareza um dos parágrafos do documento e, em relação à decisão, também permanecemos em dúvida.
O Copom finalmente alterou o balanço de riscos — algo que deveria ter feito em março —, mas decidiu fazê-lo ao mesmo tempo em que fez um novo corte na Selic. No balanço, o Comitê relaciona os riscos de alta e de baixa para a inflação. Nesta reunião, listou mais riscos de alta do que de baixa, tornando o balanço assimétrico, no jargão do mercado.
Se existem mais riscos de alta para a inflação, se as projeções inflacionárias estão cada vez mais elevadas e se os riscos inflacionários continuam presentes, por que o BC cortou os juros? Eu e você queremos juros mais baixos, eu sei, mas a decisão recente trouxe dúvidas ao mercado: estaria o BC mais tolerante com a inflação?
Mas as questões externas são as grandes responsáveis pela alta do dólar
Embora tenha havido forte ruído desde a última reunião do Copom, a recente valorização do dólar está pouco associada a esse episódio. O índice DXY, que mede a força da moeda americana em relação a uma cesta de divisas fortes, alcançou nas últimas horas o maior nível em cerca de 13 meses.
Isso significa que o dólar está se valorizando em relação à maioria das moedas, inclusive às mais fortes, como o euro, a libra e o iene.
Esse movimento da moeda americana está ligado, em grande medida, aos novos capítulos da guerra comercial. O mercado tinha condições de se beneficiar do fim do conflito no Oriente Médio, mas já sabemos que o governo americano prefere operar sob forte volatilidade.
Além disso, a economia americana voltou a acelerar nos últimos dois meses, com as empresas antecipando importações e produção antes da entrada em vigor das tarifas, enquanto os consumidores tentam preservar sua capacidade de consumo e adiantam compras diante do temor de inflação. Esse movimento amplia os riscos inflacionários e pode obrigar o Fed a elevar os juros em setembro.
E os criptoativos?
O aumento das apostas de que o Fed precisará subir os juros em breve interrompeu um frágil e incipiente movimento de alta do Bitcoin. Além dos fundamentos, prejudiciais aos criptoativos, a análise técnica também sugere queda do BTC nos próximos dias, com elementos consistentes que apontam para uma queda abaixo dos US$59 mil na próxima semana.
E os Dividendos?
Confira alguns dos pagamentos de dividendos agendados no mercado brasileiro:
| Ativo | Empresa | Compra | Pagamento | Provento | Valor por ação |
| Comgás | CGAS3 | 15/06/2026 | 25/06/2026 | Dividendos | R$ 2,29 |
| Comgás | CGAS3 | 15/06/2026 | 25/06/2026 | JSCP | R$ 1,70 |
| Comgás | CGAS5 | 15/06/2026 | 25/06/2026 | Dividendos | R$ 2,52 |
| Comgás | CGAS5 | 15/06/2026 | 25/06/2026 | JSCP | R$ 1,87 |
| Assaí | ASAI3 | 06/01/2026 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,10 |
| Banco Banrisul | BRSR3 | 12/06/2026 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| Banco Banrisul | BRSR5 | 12/06/2026 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| Banco Banrisul | BRSR6 | 12/06/2026 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,22 |
| Multiplan | MULT3 | 27/06/2025 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,25 |
| Sanepar | SAPR11 | 30/06/2025 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 1,41 |
| Sanepar | SAPR11 | 30/12/2025 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,55 |
| Sanepar | SAPR3 | 30/06/2025 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,26 |
| Sanepar | SAPR3 | 30/12/2025 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,10 |
| Sanepar | SAPR4 | 30/06/2025 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,29 |
| Sanepar | SAPR4 | 30/12/2025 | 26/06/2026 | JSCP | R$ 0,11 |
| Bicicletas Monark | BMKS3 | 30/04/2026 | 29/06/2026 | Dividendos | R$ 10,06 |
| Copel | CPLE3 | 30/12/2025 | 30/06/2026 | Dividendos | R$ 0,45 |
| M. Dias Branco | MDIA3 | 22/06/2026 | 30/06/2026 | Dividendos | R$ 0,03 |
| Multiplan | MULT3 | 26/09/2025 | 30/06/2026 | JSCP | R$ 0,25 |
| Tim | TIMS3 | 22/12/2025 | 30/06/2026 | JSCP | R$ 0,18 |
| Banco Bradesco | BBDC3 | 01/06/2026 | 01/07/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| Banco Bradesco | BBDC4 | 01/06/2026 | 01/07/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| Banco Banestes | BEES3 | 01/06/2026 | 01/07/2026 | JSCP | R$ 0,03 |
| Banco Banestes | BEES4 | 01/06/2026 | 01/07/2026 | JSCP | R$ 0,03 |
| Banco Itaú | ITUB3 | 29/05/2026 | 01/07/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| Banco Itaú | ITUB4 | 29/05/2026 | 01/07/2026 | JSCP | R$ 0,02 |
| Enjoei | ENJU3 | 24/06/2026 | 06/07/2026 | Red. Cap. | R$ 0,20 |
| B3 | B3SA3 | 30/12/2025 | 07/07/2026 | JSCP | R$ 0,07 |
| B3 | B3SA3 | 24/06/2026 | 07/07/2026 | JSCP | R$ 0,07 |
| B3 | B3SA3 | 24/06/2026 | 07/07/2026 | JSCP | R$ 0,15 |
| Jhsf | JHSF3 | 01/07/2026 | 10/07/2026 | Dividendos | R$ 0,07 |
De olho no câmbio
Embora o mercado tenha ficado bastante confuso com o comunicado e a ata do Copom, e possa arbitrariamente atribuir ao Comitê a recente desvalorização do real, é importante separar o joio do trigo.
O dólar tem se valorizado de forma consistente nos últimos dias, movimento que reflete o aumento das apostas em uma elevação de juros pelo Federal Reserve e os novos capítulos da guerra comercial. São fatores que devem continuar influenciando o câmbio nos próximos dias.
A única variável capaz de alterar essa dinâmica recente da moeda americana é a própria guerra comercial. A imposição de tarifas pode voltar a afastar investidores do dólar no médio e longo prazo, levando-os a buscar ativos considerados menos voláteis nessas circunstâncias, como o euro, a libra e o franco suíço. A ver.
Seguimos de olho.
