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A semana foi marcada por dados relevantes em meio à intensificação das tensões geopolíticas e comerciais entre EUA e China. No Brasil, os índices de preços sinalizaram desaceleração da inflação, mas o câmbio seguiu pressionado por fatores externos. Nos EUA, o varejo surpreendeu positivamente, enquanto a produção industrial recuou, refletindo sinais mistos da atividade. Já na Zona do Euro, a produção industrial avançou e a inflação veio em linha com o esperado, permitindo ao BCE promover um novo corte de juros. A decisão da autoridade monetária europeia pode influenciar o comportamento do euro nas próximas semanas, especialmente diante da crescente busca por ativos seguros.
Acompanhe as nossas análises a seguir.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,8668 na segunda-feira (14/abr), um nível 0,5% superior à abertura da semana anterior (07/abr). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta quinta-feira (17/abr) cotado a R$5,8570, patamar 0,5% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (11/abr). Entre as aberturas desta quinta-feira (17/abr) e da segunda-feira da semana anterior (07/abr), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 0,3%.
O IGP-10, índice que mede a inflação em diferentes etapas da economia, caiu 0,22% em abril, após ter subido levemente 0,04% em março. Mesmo com essa queda, o indicador acumula alta de 1,22% no ano e de 8,71% nos últimos 12 meses. Essa retração foi puxada, principalmente, pela redução dos preços no atacado — especialmente de commodities como café, carnes e minérios. No varejo, os preços ao consumidor também ajudaram a aliviar a inflação, com quedas em itens como passagens aéreas, arroz e energia elétrica.
No campo fiscal, a entrega da proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2026 provocou reação imediata nos mercados. Os juros futuros subiram, refletindo a preocupação dos investidores com o rumo das contas públicas. Essa percepção reforça os desafios para a política monetária, em um cenário marcado por inflação persistente e elevado risco fiscal para os anos à frente.
Lá fora, os Estados Unidos seguem no centro das atenções. Dados recentes mostram que o consumo no varejo americano continua forte, acima do que o Banco Central dos EUA (Federal Reserve) considera ideal. Apesar disso, a produção industrial apresentou uma leve queda em março.
No mesmo sentido, o Índice de Atividade Industrial do Fed da Filadélfia, que despencou de 2,2 para -26,4 pontos em abril. O indicador, que mede a percepção dos empresários sobre o setor industrial na região, sinaliza forte deterioração, muito influenciada pelos efeitos da guerra tarifária, considerando que os EUA são grandes importadores de produtos chineses para consumo e cadeia produtiva, cujos preços devem pressionar.
Além dos indicadores, o cenário internacional segue tenso com o aumento das disputas comerciais entre EUA e China. As novas declarações de Donald Trump, pedindo que países escolham entre se alinhar com os EUA ou com a China, elevaram a incerteza nos mercados. Investigações sobre minerais estratégicos e falas do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reforçaram o clima de confronto. Isso aumentou a procura por investimentos considerados mais seguros e elevou a volatilidade global.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (14/abr) cotado a R$6,6648. Na abertura desta quinta-feira (17/abr), a cotação foi de R$6,6871. Portanto, a moeda brasileira registrou desvalorização de 0,3% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1360 na segunda (14/abr) para US$1,1398, quinta-feira (17/abr). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,3% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
Os dados mais recentes da Europa mostram uma combinação de tímida recuperação econômica e inflação moderada. A produção industrial da Zona do Euro subiu 1,1% em fevereiro, sinalizando melhora na atividade econômica, apesar das incertezas nas relações comerciais e diplomáticas com a maior economia do mundo, os Estados Unidos.
A inflação ao consumidor avançou 0,6% em abril, exatamente como previsto, elevando a taxa anual para 2,2%. Isso indica que os preços estão sob relativo controle, embora ainda possam sofrer pressões dos custos de energia e alimentos mais à frente.
Diante desse cenário, o Banco Central Europeu reduziu a taxa básica de juros em 0,25%, para 2,25% ao ano, numa tentativa de estimular a economia. Embora os anúncios de políticas fiscais ativas, como fez recentemente a Alemanha, os reflexos destas iniciativas sobre a confiança dos empresários têm se mostrado insignificantes e transitórios.
No comércio internacional, a União Europeia se prepara para possíveis novas tarifas dos EUA. A tensão crescente entre os blocos tem fortalecido o euro, visto por investidores como uma alternativa mais segura diante da instabilidade americana. Se as disputas continuarem, esse movimento de valorização do euro pode se intensificar. No entanto, a recente decisão do BCE, de cortar o juros novamente, pode dar uma nova dinâmica para a moeda europeia, com alguma tendência de reversão na valorização registrada ao longo das últimas semanas.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (14/abr) cotada a R$7,6843, patamar mais baixo que o registrado nesta quinta-feira (17/abr), R$7,7674. Trata-se de uma desvalorização de 1,1% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta quinta-feira (17/abr) cotada a US$1,3241 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3081, uma valorização de 1,2% da moeda britânica em relação ao dólar.
O Reino Unido apresentou sinais consistentes de recuperação econômica nesta semana de abril de 2025, ainda que em meio a um cenário global desafiador. A inflação ao consumidor desacelerou para 2,6% em março, a menor taxa desde outubro do ano passado, favorecida pela queda nos preços dos combustíveis e estabilidade dos alimentos. O resultado ficou abaixo das expectativas e fortaleceu a perspectiva de novos cortes na taxa básica de juros, que atualmente está em 4,5%.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego manteve-se em 4,4%, dentro do esperado. No entanto, a redução no número de vagas disponíveis, hoje no menor nível em quase quatro anos, indica arrefecimento da demanda por mão de obra, mesmo com os salários ainda crescendo a um ritmo robusto de 5,9% ao ano.
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Perspectivas
O real apresentou relativa estabilidade nesta semana, oscilando entre R$5,85 e R$5,90, após semanas de forte volatilidade. Apesar de operar acima do nível sugerido pelos fundamentos domésticos — que seguem resilientes em atividade e emprego, mas ainda com inflação pressionada —, a dinâmica recente foi menos turbulenta. Contudo, o ambiente externo segue adverso, marcado pelo agravamento da guerra comercial entre EUA e China.
A perspectiva de curto prazo continua desafiadora para o câmbio brasileiro, dada a indefinição da posição do país diante das tarifas americanas. Sem diretrizes claras sobre possíveis acordos ou retaliações, o real permanece vulnerável ao risco global e à aversão externa.
Na Europa, o euro vem se fortalecendo frente às moedas emergentes, apoiado por uma política monetária ainda contracionista e iniciativas de estímulo à atividade. A combinação de investimentos em infraestrutura e defesa com maior incerteza fiscal nos EUA reforça a atratividade do euro como ativo de segurança.
No entanto, a recente decisão do BCE de cortar a taxa básica de juros em 0,25 p.p. pode gerar algum enfraquecimento pontual da moeda europeia nos próximos dias, o que deve ser monitorado no curto prazo.
A libra esterlina, assim como o euro, tem se beneficiado do realinhamento nas dinâmicas do comércio internacional, em meio à crescente incerteza em torno da política econômica dos Estados Unidos. O aumento na demanda por ativos considerados seguros — além do dólar — vem sustentando a valorização da moeda britânica. Ainda que haja espaço para um novo corte de juros pelo Banco da Inglaterra nas próximas reuniões, o impacto dessa flexibilização tende a ser neutralizado pelo fluxo global em direção a divisas mais estáveis. Nesse contexto, a libra deve continuar apresentando desempenho robusto no mercado internacional, ancorada por fundamentos sólidos e pelo reposicionamento estratégico de investidores globais.
Seguimos de olho.