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A combinação de um ambiente fiscal mais favorável no Brasil com a fraqueza recente da economia americana — que surpreendeu com uma queda do PIB — ajudou a valorizar a moeda brasileira. Lá fora, a Zona do Euro ainda mostra pouco fôlego para crescer, mas ao menos a inflação vem se aproximando das metas do BCE, o que reduz incertezas. Esse alívio no exterior, somado à melhora da percepção fiscal interna, trouxe um novo fôlego ao câmbio. O Reino Unido, por sua vez, anda de lado e também deve optar por um corte de juros no início do próximo semestre.

Acompanhe as nossas análises a seguir.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,8668 na segunda-feira (28/abr), um nível 2,0% inferior à abertura da semana anterior (21/abr). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (02/mai) cotado a R$5,6734, patamar 0,2% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (25/abr). Entre as aberturas desta sexta-feira (02/mai) e da segunda-feira da semana anterior (21/abr), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 2,3%.

No Brasil, o IGP-M subiu 0,24% em abril, revertendo a queda de 0,34% registrada em março. Com isso, o índice acumula alta de 1,23% no ano e expressivos 8,50% em 12 meses. O avanço foi impulsionado principalmente pelo IPA, com alta nos preços dos produtos agropecuários e uma deflação menos intensa nos bens industriais.

Por outro lado, o IPC-M desacelerou no mês, com destaque para o alívio nos grupos de transportes e habitação, em grande parte influenciado pela queda nas tarifas aéreas. Já o setor da construção segue pressionado: o INCC avançou novamente, refletindo aumentos nos custos com mão de obra.

Os dados de confiança divulgados pela FGV continuam apontando enfraquecimento da atividade econômica. O destaque negativo foi o Índice de Confiança de Serviços (ICS), que caiu 2,5 pontos em abril, para 90,4 – o menor nível desde maio de 2021. A retração foi puxada sobretudo pela piora nas expectativas futuras do setor.

No setor externo, os números foram mistos. As transações correntes vieram melhores do que o esperado, impulsionadas principalmente pelo desempenho da conta de serviços. No entanto, o Investimento Direto no País (IDP) ficou abaixo das projeções, gerando um pequeno descompasso entre o financiamento externo e o déficit em transações correntes na leitura acumulada em 12 meses. Apesar disso, esse desequilíbrio tende a ser corrigido no médio prazo.

No campo fiscal, os resultados foram positivos. O Tesouro Nacional registrou superávit primário de R$1,1 bilhão em março. Já os dados consolidados do setor público, divulgados pelo Banco Central, mostraram superávit de R$3,6 bilhões no mês, contribuindo para a redução da relação Dívida Bruta/PIB, que recuou para 75,9% – um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado.

Nos Estados Unidos, o déficit na balança comercial de bens atingiu um recorde de US$162 bilhões em março, ampliando-se em US$14,1 bilhões frente a fevereiro. O aumento refletiu uma forte alta nas importações de ouro, movimento associado à crescente incerteza política e econômica gerada por Donald Trump, em um contexto em que o ouro é visto como um porto seguro.

Outros indicadores reforçam os sinais de desaceleração na economia americana. O payroll trouxe revisões negativas: os dados de fevereiro e março foram revisados para baixo, totalizando 58 mil vagas a menos do que inicialmente divulgado. Apesar disso, dados de abril surpreenderam positivamente (177 mil), acima da projeção de 138 mil.

Por fim, a prévia do PIB dos EUA do primeiro trimestre de 2025, frustrou as expectativas e apontou uma contração anualizada de 0,3% – sinal claro de desaceleração no ritmo da atividade econômica norte-americana.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (28/abr) cotado a R$6,4635. Na abertura desta sexta-feira (02/mai), a cotação foi de R$6,4185. Portanto, a moeda brasileira registrou valorização de 0,7% frente ao euro nesta semana. 

Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1375 na segunda (28/abr) para US$1,1296, sexta-feira (02/mai). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,7% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).

A economia da Zona do Euro segue demonstrando fragilidade, apesar de uma leve surpresa positiva na prévia do PIB do primeiro trimestre, que cresceu 0,4% – acima da expectativa de 0,2%. Mesmo com esse alívio pontual, autoridades do Banco Central Europeu mantêm um tom cauteloso.

Em audiência no Parlamento Europeu, o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, alertou para uma “incerteza excepcional”, especialmente no comércio internacional. Segundo ele, os exportadores europeus estão enfrentando novas barreiras que já impactam os investimentos e podem modificar o comportamento dos consumidores.

Na Alemanha, os dados também indicam uma recuperação frágil. A prévia do PIB cresceu 0,2% no primeiro trimestre, em linha com as expectativas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 6,3% em abril. As vendas no varejo recuaram 0,2%, resultado ligeiramente melhor que o projetado, mas ainda indicando consumo moderado.

No que diz respeito aos preços, a inflação de abril veio em linha com o esperado: o IPC subiu 0,6% no mês, reduzindo a taxa anual a 2,2%. Esse movimento sustenta a tendência de convergência da inflação para a meta de 2% ao ano e abre espaço para que o Banco Central local opere novos cortes de juros nas reuniões remanescentes do primeiro semestre.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (28/abr) cotada a R$7,5728, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (02/mais), R$7,5345. Trata-se de uma valorização de 0,51% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, rompendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (02/mai) cotada a US$1,3286 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3309, uma desvalorização de 0,2% da moeda britânica em relação ao dólar.

Os dados mais recentes da economia do Reino Unido trouxeram um retrato misto, com sinais de enfraquecimento em setores ligados ao consumo e à habitação, mas também com indicadores pontuais de resiliência.

O mercado imobiliário continua sob pressão. Os preços de imóveis medidos pelo índice Nationwide caíram 0,6% em abril na comparação mensal, marcando uma nova desaceleração no setor. Em termos anuais, a alta desacelerou para 3,4%, abaixo dos 4,1% registrados anteriormente.

O crédito ao consumidor também apresentou retração, com um volume bem abaixo do esperado, o que reforça a ideia de que as famílias britânicas estão mais cautelosas em relação ao endividamento. Esse comportamento é coerente com um cenário de incerteza econômica. 

A atividade industrial reforça a ideia de uma economia sem tração, O PMI da indústria subiu a 45,4 pontos em abril, ante 44,9 pontos de março, no entanto, ainda abaixo do nível neutro de 50 pontos, que separa expansão de contração.

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Perspectivas

O cenário doméstico começa a se desenhar de forma mais favorável ao real, com a expectativa de que o Copom eleve a taxa Selic na reunião marcada para 7 de maio. Esse possível aumento no juro básico tende a ampliar o diferencial de juros em relação a economias avançadas, o que pode atrair capital estrangeiro e fortalecer a moeda brasileira frente ao dólar e ao euro no curto prazo.

Na Europa, tanto o Banco Central Europeu quanto o Banco da Inglaterra devem caminhar para cortes nas taxas de juros, em resposta ao fraco desempenho econômico e à convergência da inflação para a meta. Com isso, o real pode ganhar espaço em meio à busca global por moedas de países com políticas monetárias mais apertadas e fundamentos mais sólidos no curto prazo.

Seguimos de olho.