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A primeira semana de maio trouxe decisões importantes nos juros globais e novos capítulos na geopolítica comercial. O Brasil subiu a Selic para 14,75% e atraiu os holofotes dos investidores; o Reino Unido cortou sua taxa básica, e o Fed manteve os juros, mas com discurso mais duro — numa resposta indireta às pressões de Trump. No pano de fundo, acordos entre EUA e Reino Unido e novas conversas com a China trazem esperança aos mercados.
Acompanhe as nossas análises a seguir.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,6553 na segunda-feira (05/mai), um nível 0,6% inferior à abertura da semana anterior (28/abr). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (09/mai) cotado a R$5,6615, patamar 0,2% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (02/mai). Entre as aberturas desta sexta-feira (09/mai) e da segunda-feira da semana anterior (28/abr), vimos uma valorização do real em relação ao dólar de 0,5%.
Apesar da valorização entre segunda e sexta-feira, no ínterim destes dias, o real perdeu espaço dado os movimentos internacionais. Havia, durante a semana, muita incerteza sobre o teor do comunicado do Fed, assim como sobre os avanços dos acordos comerciais dos EUA com outros países. Então, o dólar subiu grande parte da semana, mas também recuou com força depois das decisões de política monetária.
Esse comportamento aparentemente contraditório encontra explicação parcial na reprecificação das expectativas em torno da política monetária dos Estados Unidos. Embora a decisão do Fed de manter os juros em 4,50% já fosse esperada, o tom do comunicado e as declarações de Jerome Powell afastaram qualquer sinal de pressa para iniciar cortes. Esse posicionamento mais conservador ajudou a sustentar o dólar no cenário global, inclusive frente ao real.
Por trás dessa postura mais dura, pode ter havido também um fator político. As críticas públicas de Donald Trump ao Banco Central ganharam força nas últimas semanas — e o Fed parece ter reagido à altura, reforçando sua autonomia com um discurso de firmeza.
Somado à postura de Powell, esse movimento de valorização do dólar perdeu força no dia em que os investidores já apostavam, com boa dose de certeza, na alta dos juros no Brasil. E ela veio: o Banco Central elevou a Selic em 0,50 ponto, levando-a para 14,75%. A decisão reforça o diferencial de juros a favor do real, mantendo o Brasil entre os países com as maiores taxas reais do mundo — uma vantagem que continua a atrair capital estrangeiro. O resultado aparece nos números: o fluxo cambial foi positivo em US$8,2 bilhões em abril, o maior para o mês desde 2019.
Para completar o cenário doméstico, o IPCA desacelerou para 0,43% em abril, em linha com as projeções, após a alta de 0,56% em março — o que contribui para manter o otimismo com a condução fiscal e monetária no curto prazo.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (05/mai) cotado a R$6,3864. Na abertura desta sexta-feira (09/mai), a cotação foi de R$6,3576. Portanto, a moeda brasileira registrou valorização de 0,4% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1319 na segunda (05/abr) para US$1,1228, sexta-feira (09/mai). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,8% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
A semana foi menos intensa em termos de indicadores na Europa, mas os PMIs de abril da Zona do Euro chamaram atenção por ficarem ligeiramente acima dos 50 pontos — sinal de uma economia que segue andando de lado, sem mostrar tração significativa, mas também sem voltar à recessão.
Do outro lado do Atlântico, o maior fator de instabilidade seguiu sendo Donald Trump — desta vez pelas críticas abertas ao Federal Reserve, o que trouxe nova dose de volatilidade às moedas globais. Embora as tensões comerciais com o Reino Unido tenham arrefecido com o recente acordo bilateral, a disputa política entre governo e Banco Central nos EUA manteve o ambiente externo sob alerta.
Já a China continua mostrando força no comércio exterior: em abril, o país teve um superávit comercial de US$96,2 bilhões, com alta de 8,1% nas exportações em relação ao ano anterior. Por outro lado, as importações recuaram 0,2%, indicando que o consumo interno ainda não se recuperou com a mesma intensidade. Ou seja, o gigante asiático segue competitivo no mundo, mas com desafios domésticos importantes.
Por ora, os ânimos seguem relativamente controlados. Trump deve se reunir com membros do governo chinês entre sexta-feira e sábado para discutir um possível acordo.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (05/abr) cotada a R$7,5091, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (09/mai), R$7,4966. Trata-se de uma valorização de 0,2% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, rompendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (09/mai) cotada a US$1,3240 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3258, uma desvalorização de 0,2% da moeda britânica em relação ao dólar.
A economia do Reino Unido ganhou destaque nesta semana com a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de cortar os juros em 25 pontos-base, levando a taxa para 4,25%. Foi a retomada dos cortes depois de duas decisões de manutenção em 4,50%, mostrando também o equilíbrio do BoE entre permitir crescimento e controlar os preços. Segundo o próprio BoE, a inflação deve atingir um pico de 3,5% no terceiro trimestre, antes de começar a desacelerar de forma contínua até atingir a meta de 2% no início de 2027. Em relação ao PIB, a projeção subiu para 1% em 2025.
Além disso, o Reino Unido e os EUA chegaram a um novo acordo comercial que reduz as tarifas britânicas sobre produtos americanos, o que pode ajudar a amenizar parte dos riscos inflacionários associados às tensões comerciais.
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Perspectivas
O cenário segue favorável para o real, impulsionado pela recente elevação da Selic para 14,75%, que ampliou o diferencial de juros e reforçou a atratividade do Brasil entre os emergentes. Com o segundo melhor desempenho global frente ao dólar em 2025, a moeda brasileira segue ganhando fôlego mesmo em meio às incertezas internacionais.
Nos EUA, o Fed mantém o tom firme contra a inflação e sinaliza preocupação com os impactos das tarifas anunciadas em abril, afastando a possibilidade de cortes de juros no curto prazo — o que pressiona Trump a manter políticas econômicas mais responsáveis. Já na Europa, o corte de juros no Reino Unido e a expectativa de continuidade do movimento de flexibilização da política monetária na Zona do Euro podem abrir ainda mais espaço para a valorização do real frente às moedas europeias.
Seguimos de olho.