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Apesar da desaceleração global contratada para este ano, os primeiros meses de 2025 trouxeram sinais positivos para a economia brasileira e algum suporte ao real. O bom desempenho das exportações, com uma demanda interna resiliente e uma inflação próxima de 5,5% têm ajudado a limitar a desvalorização da moeda frente ao dólar, mesmo em um ambiente de fortalecimento global da divisa americana. Já em relação ao euro e à libra, a fragilidade das economias europeia e britânica, aliada ao ciclos de cortes de juros pelo BCE e pelo BoE, tem reforçado o diferencial a favor do real, que continua relativamente resiliente mesmo diante de ruídos fiscais domésticos.

Acompanhe as nossas análises a seguir.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,6500 na segunda-feira (12/mai), um nível 0,1% inferior à abertura da semana anterior (05/mai). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (16/mai) cotado a R$5,6821, patamar 0,4% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (09/mai). Entre as aberturas desta sexta-feira (16/mai) e da segunda-feira da semana anterior (05/mai), vimos uma desvalorização do real em relação ao dólar de 0,5%.

A semana foi marcada por uma valorização expressiva do dólar no cenário global, impulsionada pelo acordo entre EUA e China que suspendeu, por 90 dias, a imposição de novas tarifas. Apesar de algumas alíquotas de 10% terem sido mantidas, o gesto reduziu temporariamente o risco de recessão nos EUA e impulsionou o índice DXY, que mede a força do dólar frente a moedas fortes, em mais de 1%.

No campo dos dados, os EUA apresentaram deflação de 0,5% no Índice de Preços ao Produtor, enquanto os índices industriais do Fed da Filadélfia e Empire State seguiram apontando fraqueza, em valores negativos. Surpreendentemente, o Índice de Preços ao Consumidor americano subiu apenas 0,2%, mesmo com a política tarifária vigente.

No Brasil, o IGP-10 recuou 0,01% em maio, marcando o segundo mês consecutivo de deflação. O IPA, principal componente do índice, caiu 0,17%, puxado por quedas no minério de ferro, diesel e milho — reflexo da dinâmica internacional de commodities. 

No campo da atividade econômica, as vendas no varejo cresceram 0,8% em março (ligeiramente abaixo do consenso de mercado, que previa alta de 1%), enquanto o setor de serviços apresentou alta de 0,3%.

Mesmo com a força global do dólar, o real conseguiu se valorizar até quinta-feira (16), favorecido pela alta no preço de exportações como minério e petróleo. Contudo, perdeu força no fim do dia após rumores de expansão em variados programas sociais como vale gás e bolsa família, logo desmentidos por autoridades do governo.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (12/mai) cotado a R$6,3385. Na abertura desta sexta-feira (16/mai), a cotação foi de R$6,3654. Portanto, a moeda brasileira registrou desvalorização de 0,4% frente ao euro nesta semana. 

Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1219 na segunda (12/abr) para US$1,1191, sexta-feira (16/mai). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,3% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).

A economia da Zona do Euro iniciou o ano com algum fôlego, mas ainda abaixo das expectativas do mercado. A segunda leitura do PIB do 1º trimestre apontou alta de 0,3% (ante 0,4% na primeira estimativa), enquanto a produção industrial surpreendeu com avanço de 2,6% em março, sinalizando uma retomada pontual no setor.

No comércio exterior, a região registrou o maior superávit em mais de duas décadas: 27,9 bilhões de euros em março, ou 36,8 bilhões na série sem ajuste — o maior valor da história. O resultado foi impulsionado pelo aumento das exportações (2,9%) e importações (1,0%), com destaque para vendas ao Reino Unido e à China, em meio à intensificação das tensões comerciais com os EUA.

Segundo o BCE, três riscos principais pesam sobre o bloco: a guerra comercial global, a volatilidade dos mercados e o alto endividamento. Mesmo com alguma resiliência às tarifas americanas, o comércio mais travado afeta especialmente países exportadores como Alemanha, França e Itália.

Além disso, os crescentes gastos com defesa e investimentos em transição climática e digital podem limitar o espaço fiscal. Nesse contexto, o crescimento da UE em 2025 tende a ser fraco, exigindo manutenção de juros baixos. A demanda interna reage lentamente aos estímulos, enquanto as tarifas americanas, ainda elevadas, aumentam a concorrência com produtos chineses nos mercados europeus. Embora os investimentos militares possam sustentar parte da atividade, não garantem ganhos estruturais de bem-estar ou competitividade.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (12/abr) cotada a R$7,5176, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (16/mai), R$7,5550. Trata-se de uma desvalorização de 0,5% do real em relação à moeda britânica. Portanto, a semana foi marcada por um movimento de desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, rompendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (16/mai) cotada a US$1,3303 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3259, uma valorização de 0,3% da moeda britânica em relação ao dólar.

A economia britânica trouxe uma combinação de dados mistos ao longo da semana, reforçando a percepção de que o país segue em um processo de desaceleração moderada, mas com alguns sinais positivos. O destaque ficou por conta do desempenho do varejo, que surpreendeu positivamente com um crescimento anual robusto, sinalizando resiliência no consumo das famílias, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados e inflação em queda.

O mercado de trabalho, por outro lado, continua sob observação. A criação líquida de empregos veio abaixo do esperado, e o número de pedidos de seguro-desemprego voltou a subir.  Com isso, a taxa de desemprego subiu de 4,4% para 4,5% em março. 

No campo da produção, os dados industriais vieram fracos, com recuo de 0,7% na produção geral de março e também no setor não extrativo e de serviços públicos, sinalizando perda de fôlego da atividade fabril.

Já os dados de PIB mostraram uma leve recuperação no primeiro trimestre, com crescimento de 0,7%. A alta do investimento empresarial no período reforça essa leitura, indicando maior confiança do setor privado, possivelmente impulsionada pela queda dos juros e expectativas mais benignas para a economia.

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Perspectivas

A próxima semana deve ser marcada por oscilações no câmbio, com o real apresentando volatilidade frente ao dólar e ao euro, mas com viés de valorização moderada. Se os dados de exportação brasileira continuarem indicando resiliência e os preços das commodities seguirem firmes, o real pode se beneficiar. No entanto, o fortalecimento global do dólar — sustentado pela menor percepção de risco nos EUA e pela expectativa de juros altos por mais tempo — tende a limitar esse movimento.

Frente ao euro e à libra, o real pode manter a tendência de fortalecimento, favorecido pela fraqueza econômica da Zona do Euro e pelo avanço do ciclo de cortes de juros na região. O recente afrouxamento monetário promovido pelo Banco da Inglaterra reforça esse cenário, aumentando o diferencial de juros em favor da moeda brasileira e ampliando sua atratividade entre os emergentes.

Seguimos de olho.