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Com o real oscilando em meio a ruídos fiscais internos e sinais mistos no exterior, a semana foi marcada por volatilidade no câmbio. Apesar da pressão inicial gerada pelo aumento do IOF sobre aplicações no exterior, o dólar recuou nos últimos dias, enquanto o euro ganhou tração diante do alívio momentâneo na guerra tarifária com os EUA. Já a libra esterlina permaneceu praticamente estável frente ao real, mas perdeu força ante o dólar após dados fracos do Reino Unido, reforçando a expectativa de cortes mais lentos nos juros britânicos. Em um cenário de inflação ainda elevada e economia resiliente no Brasil, o real seguiu testando sua estabilidade frente às principais moedas globais.
Acompanhe as nossas análises a seguir.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,6467 na segunda-feira (26/mai), um nível 0,3% inferior à abertura da semana anterior (19/mai). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (30/mai) cotado a R$5,6666, patamar 0,9% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (23/mai). Entre as aberturas desta sexta-feira (30/mai) e da segunda-feira da semana anterior (19/mai), vimos relativa estabilidade do real em relação ao dólar.
A última semana foi marcada por forte volatilidade no câmbio, após o anúncio de aumento do IOF sobre aplicações no exterior. A proposta, que gerou reação imediata do mercado, elevou o dólar a R$5,70 e acendeu o alerta fiscal — mesmo após o recuo parcial da equipe econômica. Diante da repercussão negativa, o governo intensificou o diálogo com o setor bancário e já admite rever integralmente o novo modelo de tributação.
No cenário externo, os dados trouxeram um contraponto positivo. Em abril, o Brasil registrou um déficit em transações correntes menor do que o esperado, de US$1,35 bilhão, enquanto o Investimento Direto no País alcançou US$5,5 bilhões, superando as projeções de mercado.
A inflação também trouxe algum alívio. O IPCA-15 de maio subiu 0,36%, abaixo do esperado, e reduziu o acumulado em 12 meses para 5,40%. Já o IGP-M registrou deflação de 0,49%, revertendo a alta de abril. A queda ocorreu nos 3 componentes, mas o destaque foram os menores preços do milho, soja e arroz, com boas perspectivas para a safra.
No mercado de trabalho, os sinais também foram positivos. O Caged apontou a criação de mais de 257 mil vagas formais em abril, enquanto a taxa de desemprego caiu para 6,6% no trimestre encerrado em abril. Já no âmbito fiscal, o Resultado do Tesouro Nacional de abril foi superavitário em R$17 bilhões, enquanto o do Setor Público Consolidado, divulgado pelo Bacen, foi positivo em R$14 bilhões.
Por fim, segundo dados do IBGE, o PIB do primeiro trimestre cresceu 1,4% frente à leitura anterior – em linha com o consenso de mercado, mostrando uma economia dinâmica e resiliente frente aos juros restritivos.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (26/mai) cotado a R$6,4175. Na abertura desta sexta-feira (30/mai), a cotação foi de R$6,4516. Portanto, a moeda brasileira registrou desvalorização de 0,5% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1366 na segunda (26/mai) para US$1,1376, sexta-feira (30/mai). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,1% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
O clima nos mercados europeus começou a semana com algum alívio, após o anúncio de Donald Trump de que adiará para julho a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos da União Europeia. A decisão suavizou momentaneamente a tensão geopolítica, permitindo que as bolsas da região reagissem positivamente.
Na Alemanha, a estabilidade da taxa de desemprego em 6,3% reforça a percepção de estagnação no mercado de trabalho, refletindo uma economia ainda sem impulso claro. Além disso, as vendas no varejo alemão tiveram queda robusta de 1,1% em abril. Os dados corroboram a leitura de estagnação no Velho Continente.
O quadro é semelhante na França, cujo PIB avançou apenas 0,1% no primeiro trimestre, frustrando as expectativas de aceleração da atividade. O cenário geral é de crescimento anêmico e recuperação desigual entre os países do bloco.
Com baixa tração econômica e incertezas políticas no radar, os ativos europeus permanecem sensíveis ao noticiário e à dinâmica global, em especial ao rumo da política comercial dos Estados Unidos.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (26/mai) cotada a R$7,6442, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (30/mai), R$7,6419. Trata-se de um cenário de estabilidade na cotação entre libra e real. Portanto, a semana foi marcada por uma cotação estável da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, revertendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (30/mai) cotada a US$1,3499 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3512, uma desvalorização de 0,1% da moeda britânica em relação ao dólar.
A semana começou com baixa liquidez em função do feriado no Reino Unido, mas os dados divulgados nos dias seguintes reforçaram um tom de cautela. O licenciamento de veículos despencou 66,3% em abril na comparação mensal, e a pesquisa da CBI apontou nova queda na confiança do varejo, com o índice recuando para -27 pontos.
Esses sinais mais fracos contrastam com os dados recentes de PIB (+0,7% no 1º tri) e inflação persistente (IPC de 3,5% em 12 meses), que vinham sustentando a percepção de resiliência econômica.
Diante disso, o mercado passou a moderar suas apostas em cortes acelerados de juros. Apesar da redução de 25 pontos-base no início do mês, para 4,25%, o Banco da Inglaterra mantém discurso prudente. O economista-chefe da instituição, Huw Pill, voltou a alertar para o risco de cortes prematuros.
Os números da semana reforçam que o ritmo de afrouxamento monetário será mais lento e dependente da trajetória de consumo e inflação.
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Perspectivas
Apesar dos fundamentos domésticos seguirem sólidos, o real continua sensível ao ambiente externo. A trégua recente nos mercados, com sinalizações mais previsíveis da gestão Trump, ajudou na leve recuperação frente ao dólar, mas a moeda ainda opera acima dos níveis da semana passada, refletindo a cautela após o episódio do IOF. A valorização do real dependerá da disciplina fiscal do governo — qualquer ruído pode reacender pressões cambiais. Já frente ao euro e à libra, o real tem oscilado mais, influenciado pela realocação de capitais em direção à Europa, que vem se fortalecendo como refúgio alternativo em meio à incerteza nos EUA.
No mais, os dados do mercado de trabalho e do PIB reabrem a possibilidade de algum ajuste residual da Selic na próxima reunião, marcada para o mês de junho. Neste contexto, o câmbio também poderá ser influenciado pelas expectativas em torno das próximas decisões do Copom.
Seguimos de olho.