|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A semana trouxe novos capítulos para o cenário cambial, combinando decisões relevantes de política monetária, dados econômicos mistos e uma geopolítica cada vez mais incerta. No Brasil, a elevação da Selic para 15% e os desdobramentos fiscais em torno do IOF movimentaram os mercados. Nos EUA, a fraqueza dos dados de consumo e produção manteve o dólar sob pressão. Enquanto isso, o euro segue ganhando protagonismo em um contexto de instabilidade global, e a libra esterlina enfrenta o desafio de conciliar inflação elevada com uma economia fragilizada.
Leia mais para entender a conjuntura e as projeções para as próximas semanas.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,5437 na segunda-feira (16/jun), um nível 0,3% inferior à abertura da semana anterior (09/jun). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (20/jun) cotado a R$5,4916, patamar 0,8% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (13/jun). Entre as aberturas desta sexta-feira (20/jun) e da segunda-feira da semana anterior (09/jun), vimos valorização de 1,3% do real em relação ao dólar.
O principal motor da semana foi a política monetária. No Brasil, o Copom elevou a Selic a 15%, consolidando o segundo maior juro real do mundo, em um esforço de contenção das pressões inflacionárias e reancoragem das expectativas.
No campo inflacionário, o IGP-10 de junho reforçou o ambiente de desinflação no Brasil, com queda de 0,97%, puxado principalmente pelos preços no atacado. Os alimentos também apresentaram alívio, enquanto na construção civil os custos continuam subindo, pressionados por reajustes salariais e tarifas.
No âmbito da atividade, a economia mostrou algum enfraquecimento. O Monitor do PIB, da FGV, trouxe um retrato mais fraco, com retração de 0,4% em abril, ainda assim, o crescimento em 12 meses permanece positivo em 3,1%.
No campo político, a possível revogação do aumento do IOF, aprovado em regime de urgência pela Câmara, trouxe volatilidade. O governo estima impacto de R$7 bilhões, e já discute compensações como bloqueio de emendas e uso de dividendos estatais.
Nos EUA, o Fed manteve sua taxa no intervalo de 4,25%-4,5%, reforçando a postura de cautela. Na atividade, houve queda de 0,9% nas vendas do varejo e de 0,2% na produção industrial. Parte da retração reflete uma antecipação do consumo diante das novas tarifas, mas os dados indicam uma economia perdendo tração.
Aproveite e confira a cotação do dólar hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (16/jun) cotado a R$6,3936. Na abertura desta sexta-feira (20/jun), a cotação foi de R$6,3115. Portanto, a moeda brasileira registrou valorização de 1,3% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1536 na segunda (16/jun) para US$1,1495 nesta sexta-feira (20/jun). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,3% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
A agenda da semana foi mais tranquila na Zona do Euro, mas o contexto macro segue desafiador. A economia do bloco permanece fragilizada, enquanto o euro continua valorizado — uma combinação que pressiona a autoridade monetária.
Desde o “Liberation Day”, quando os EUA anunciaram sua nova política tarifária, a moeda europeia tem se fortalecido, com valorização de mais de 12% no ano. O movimento ocorre não apenas por fundamentos, mas por um deslocamento de percepção: frente às incertezas de Washington, o euro tem sido visto como alternativa de reserva de valor.
Esse fortalecimento, contudo, cobra seu preço. A indústria europeia já sente os efeitos de um câmbio desfavorável e das barreiras impostas pelos EUA. A produção industrial segue fraca, e os sinais de deflação limitam a capacidade de reação do BCE. Com isso, a instituição enfrenta um dilema: cortar juros para estimular a atividade e as exportações, ou preservar o prestígio monetário de uma moeda que ganhou proeminência geopolítica.
A tensão geopolítica entre Israel e Irã permanece como pano de fundo. O agravamento do conflito levou Trump a deixar o G7 e intensificou o receio de impactos sobre o petróleo e a estabilidade global, mantendo os investidores em alerta.
Aproveite e confira a cotação do euro hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (16/jun) cotada a R$7,5217, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (20/jun), R$7,3953. Trata-se de uma valorização de 1,7% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, revertendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (20/jun) cotada a US$1,3463 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3574, uma desvalorização de 0,8% da moeda britânica em relação ao dólar.
A libra viveu uma semana marcada por novos dados mistos e a manutenção dos juros no Reino Unido. O Banco da Inglaterra manteve a taxa básica em 4,25%, com uma votação dividida: 6 membros votaram por manter, 3 por cortar e nenhum por elevar os juros.
A inflação voltou a acelerar em maio, com o índice ao consumidor subindo 0,2% no mês e 3,4% em 12 meses — acima da projeção de 3,3%, mas ainda inferior à leitura anterior (3,5%). Apesar do pequeno alívio, o patamar segue elevado para os padrões britânicos, o que limita o espaço para estímulos por parte do Bank of England.
Por outro lado, o consumo segue enfraquecido. As vendas no varejo recuaram 2,7% em maio, com retrações também nos núcleos — queda de 2,8% no mensal e de 1,3% no anual. O resultado veio muito abaixo das projeções e aponta para perda de tração no setor.
Esses dados — inflação elevada e atividade em desaceleração — expõe o BoE a um dilema semelhante ao do BCE.
Aproveite e confira a cotação da libra esterlina hoje e se inscreva em nosso sistema de alertas para ser notificado sobre variações importantes.
Perspectivas
Nas próximas semanas, o dólar deve seguir pressionado, à medida que crescem as incertezas sobre os impactos da guerra comercial nos EUA. Euro e libra tendem a se beneficiar desse movimento, embora enfrentem o desafio de conciliar uma moeda forte com políticas monetárias ainda restritivas. Além disso, o risco geopolítico segue no radar. A escalada do conflito entre Israel e Irã pode influenciar os preços do petróleo, com impactos sobre a inflação global.
No Brasil, o real pode continuar encontrando suporte diante dos juros elevados e de uma economia que segue mostrando tração, mas em desaceleração. No entanto, a instabilidade fiscal e os embates entre Executivo e Legislativo devem manter o mercado em estado de atenção, com ruídos capazes de limitar o espaço para valorização.
Seguimos de olho.