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A última semana foi marcada por uma combinação de fatores políticos, econômicos e geopolíticos que moldaram o comportamento do câmbio global. No Brasil, o real oscilou diante da tensão fiscal agravada pela derrubada do decreto do IOF, enquanto dados de inflação aliviaram parte da pressão sobre os juros futuros. No exterior, o dólar perdeu força frente às principais moedas, influenciado pelo avanço das tensões comerciais e pela crescente percepção de que a economia americana pode enfrentar desafios mais intensos adiante. Na Europa e no Reino Unido, o ambiente segue de estagnação moderada, mas as moedas locais vêm se fortalecendo diante do enfraquecimento do dólar.
Leia mais para entender a conjuntura e as projeções para as próximas semanas.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,5139 na segunda-feira (23/jun), um nível 0,6% inferior à abertura da semana anterior (16/jun). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (27/jun) cotado a R$5,4794, patamar 0,4% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (20/jun). Entre as aberturas desta sexta-feira (27/jun) e da segunda-feira da semana anterior (16/jun), vimos valorização de 1,2% do real em relação ao dólar.
A trajetória do real ao longo da semana refletiu, sobretudo, o embate político envolvendo o decreto do IOF. A decisão do Congresso de sustar a medida representou não apenas uma derrota simbólica para o governo, mas também um impacto estimado de R$10 bilhões a menos na arrecadação para 2025, o que pressiona o plano de consolidação fiscal.
Em paralelo, a ata do Copom adotou tom mais defensivo: quanto ao cenário externo, o Banco Central destacou os riscos fiscais nos EUA, os efeitos da guerra comercial e a instabilidade no Oriente Médio; no cenário doméstico, chamou atenção para o consumo em desaceleração e para a tendência de desaceleração gradual da atividade econômica.
Em relação à inflação, o IPCA-15 de junho subiu 0,26%, abaixo do consenso, e apontou alívio relevante, principalmente nos preços dos alimentos. No mesmo sentido, o IGP-M teve forte deflação de 1,67%.
Quanto à confiança, os indicadores domésticos trouxeram sinais mistos. A confiança do consumidor recuou após três altas, refletindo percepção de menor dinamismo, enquanto a da construção subiu, impulsionada pelo “Minha Casa Minha Vida”. Já a sondagem da indústria também caiu 2,1 pontos na leitura de junho.
O mercado de trabalho, por sua vez, segue aquecido. A Pnad Contínua mostrou redução na taxa de desocupação para 6,2% no trimestre encerrado em maio, a menor para o período na série histórica.
Nos EUA, o PMI composto de junho ainda sinaliza aquecimento da economia, mas a queda na confiança do consumidor reforça incertezas sobre o fôlego da retomada. Em contrapartida, o PIB do primeiro trimestre teve queda anualizada de 0,5%, abaixo das leituras preliminares.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (23/jun) cotado a R$6,3286. Na abertura desta sexta-feira (27/jun), a cotação foi de R$6,4108. Portanto, a moeda brasileira registrou desvalorização de 1,3% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1522 na segunda (23/jun) para US$1,1697 nesta sexta-feira (27/jun). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 1,5% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
Na Zona do Euro, o PMI composto de junho ficou em 50,2 pontos, praticamente no limite que separa expansão de contração, enquanto o PMI industrial permaneceu em 49,4, sinalizando retração. Mesmo assim, o euro seguiu fortalecido, sustentado pela realocação de capitais globais em busca de proteção frente à instabilidade nos EUA.
Em relação à política monetária, a presidente do BCE, Christine Lagarde, reafirmou que as expectativas de inflação serão o principal termômetro para avaliar a persistência dos choques de oferta em tom de vigilância.
Ela também criticou duramente as stablecoins atreladas ao dólar, defendendo o avanço do euro digital como forma de preservar a soberania monetária do bloco No geral, o cenário europeu continua desafiador: inflação ainda desconfortável, atividade estagnada e uma moeda valorizada.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (23/jun) cotada a R$7,4281, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (27/jun), R$7,5229. Trata-se de uma desvalorização de 1,3% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, revertendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (27/jun) cotada a US$1,3729 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3450, uma valorização de 2,1% da moeda britânica em relação ao dólar.
No Reino Unido, os dados recentes indicaram alguma melhora na atividade, embora de forma ainda modesta. O PMI composto de junho subiu para 50,7 pontos, enquanto o PMI de serviços foi a 51,3, ambos em zona de expansão.
Em relação à política monetária, o Banco da Inglaterra decidiu manter os juros inalterados em junho, após tê-los reduzido em maio para 4,25%. O presidente, Andrew Bailey, destacou que, embora o progresso na desinflação tenha permitido o primeiro corte, o ambiente ainda exige uma postura restritiva.
Apesar disso, Bailey confirmou que a trajetória dos juros é de queda gradual, conforme o crescimento econômico mais moderado e o arrefecimento do mercado de trabalho ajudam a controlar a inflação e levá-la para a meta de 2%.
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Perspectivas
A tendência é de continuidade do enfraquecimento do dólar frente às principais moedas, influenciado pelas incertezas sobre a guerra tarifária, a política fiscal americana e os sinais mistos da economia dos EUA. Na Zona do Euro, a valorização do euro tende a persistir, apoiada pelo fluxo de capitais e por uma postura cautelosa do BCE. No Reino Unido, a libra deve seguir estável ou levemente apreciada, sustentada pela política monetária ainda restritiva do BoE. Já no Brasil, o real pode encontrar algum suporte nos juros elevados e nas contas externas resilientes, mas o embate fiscal em curso e os ruídos políticos devem manter o câmbio volátil e sensível a sinais de deterioração das contas públicas.
Seguimos de olho.