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Esta semana trouxe sinais contraditórios sobre a dinâmica das principais economias globais, com impactos relevantes sobre o câmbio. No Brasil, o impasse entre Executivo e Legislativo envolvendo o decreto do IOF voltou a tensionar o ambiente político, enquanto dados fiscais e do mercado de trabalho emitiram sinais mistos. No exterior, os investidores seguiram atentos aos EUA, que expuseram um mercado de trabalho resiliente, alimentando incertezas quanto à trajetória dos juros. Na Europa, os indicadores continuam sugerindo estagnação, mas o euro permanece forte. Já no Reino Unido, os PMIs mostraram recuperação acima do esperado, o que sustenta o movimento de valorização da libra. 

Leia mais para entender a conjuntura e as projeções para as próximas semanas.

Real x dólar

Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4846 na segunda-feira (30/jun), um nível 0,5% inferior à abertura da semana anterior (23/jun). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (04/jul) cotado a R$5,4090, patamar 1,4% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (27/jun). Entre as aberturas desta sexta-feira (04/jul) e da segunda-feira da semana anterior (23/jun), vimos valorização de 1,9% do real em relação ao dólar.

No Brasil, o câmbio seguiu ao sabor das tensões institucionais. Após a derrubada do decreto do IOF pelo Congresso, o governo decidiu acionar o STF para tentar reverter a decisão, reacendendo o embate entre os Poderes. 

Enquanto isso, os dados fiscais de maio mostraram déficit de R$33,7 bilhões no setor público consolidado, mas o resultado em 12 meses foi positivo — um superávit de R$24,1 bilhões, o primeiro desde maio de 2023. Ainda assim, a dívida bruta subiu para 76,1% do PIB, refletindo a pressão dos juros sobre as contas públicas.

Quanto ao mercado de trabalho, os dados do Caged apontaram a criação de 149 mil vagas formais em maio. Embora abaixo do esperado, o número ainda sinaliza resiliência, especialmente frente ao mesmo período de 2024. 

Todavia, na atividade, o sinal é menos animador: o PMI composto, divulgado pela S&P Global, recuou de 49,1 para 48,7 pontos, o menor patamar desde janeiro, com contração simultânea nos serviços e na indústria. Nos serviços, o PMI caiu pelo terceiro mês seguido, para 49,3 pontos, pressionado pelos custos do crédito e pelo enfraquecimento da demanda.

A queda foi mais intensa na indústria, cujo índice caiu para 48,3, o menor nível desde julho de 2023. Além disso, a produção industrial de maio teve retração de 0,5%, reforçando o diagnóstico de desaceleração.

Nos Estados Unidos, os dados de emprego trouxeram leituras divergentes. O relatório JOLTs mostrou avanço nas vagas abertas. Ao mesmo tempo, o payroll superou as projeções com a criação de 147 mil empregos. Esse contraste reforça a incerteza sobre os próximos passos do Fed e contribui para manter o dólar pressionado no mercado internacional.

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Real x euro

O euro abriu o pregão de segunda-feira (30/jun) cotado a R$6,4175. Na abertura desta sexta-feira (04/jul), a cotação foi de R$6,3694. Portanto, a moeda brasileira registrou valorização de 0,7% frente ao euro nesta semana. 

Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1720 na segunda (30/jun) para US$1,1769 nesta sexta-feira (04/jul). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,4% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).

Na zona do euro, a inflação segue convergindo para a meta. Em junho, o índice de preços ao consumidor subiu 0,3% e 2,0% na comparação anual, enquanto o núcleo permaneceu inalterado em 2,3%. Quanto à atividade, os PMIs apresentaram melhora marginal: o índice composto subiu para 50,6 pontos e o PMI industrial foi a 49,5.

Na Alemanha, os sinais continuam frágeis. As vendas no varejo recuaram 1,6% em maio, contrariando as projeções de crescimento. Já o PMI industrial subiu para 49, mas ainda sugere contração do setor.

Em relação à política monetária, o BCE tem evitado sinalizações firmes, mantendo a postura de dependência dos dados. A expectativa é de novos cortes ao longo do segundo semestre, mas a trajetória permanece incerta. 

Mesmo assim, o euro continua se valorizando, impulsionado pela menor atratividade do dólar em meio às turbulências fiscais e políticas nos Estados Unidos.

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Real x libra esterlina

A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (30/jun) cotada a R$7,5041, patamar mais alto que o registrado nesta sexta-feira (04/jul), R$7,3854. Trata-se de uma valorização de 1,6% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma valorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.

Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, revertendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (04/jul) cotada a US$1,3666 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3698, uma desvalorização de 0,2% da moeda britânica em relação ao dólar.

No Reino Unido, os dados divulgados ao longo da semana indicaram uma economia em processo de estabilização. Quanto à atividade, os PMIs vieram acima das expectativas: o índice composto alcançou 52,0 pontos, e o de serviços avançou para 52,8, reforçando um cenário de expansão moderada, sustentado pelo setor de serviços.

Já o PIB trimestral registrou crescimento de 0,7% no primeiro trimestre, e o dado anual subiu 1,3%, confirmando uma retomada mais consistente, embora ainda modesta. No entanto, as contas externas trouxeram um alerta: as transações correntes apontaram déficit de £23,5 bilhões, resultado pior que o esperado.

Por fim, mesmo com os dados robustos de atividade no Reino Unido, a libra perdeu espaço para o real nesta semana.

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Perspectivas

A tensão entre Executivo e Legislativo no Brasil segue no radar, mas, nas últimas sessões, o que tem realmente influenciado o câmbio é o ambiente externo. A combinação entre dúvidas sobre a trajetória da economia americana e a busca por ativos fora do dólar tem favorecido outras moedas. No cenário doméstico, a Selic ainda elevada e a melhora parcial das contas externas seguem atraindo fluxo estrangeiro. No entanto, os ruídos políticos e o impasse em torno da política fiscal podem limitar os ganhos do real nas próximas semanas. Quanto ao euro, a valorização deve continuar enquanto o BCE adotar uma postura prudente e a atividade global seguir instável. Já no Reino Unido, o avanço dos PMIs e a manutenção da política monetária em terreno restritivo sustentam o bom desempenho da libra.

Seguimos de olho.