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O câmbio seguiu pressionado nos últimos dias, refletindo a crescente instabilidade no cenário internacional e novos focos de tensão nos mercados globais. A decisão do governo americano de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros causou forte reação em Brasília e acendeu o alerta entre exportadores, ao mesmo tempo em que a libra e o euro enfrentaram oscilações diante de sinais de fragilidade financeira e hesitação dos bancos centrais. No Brasil, os dados econômicos indicam desaceleração, o varejo voltou a recuar, pressionado pelo crédito caro. O ambiente político, por sua vez, permaneceu contaminado pelas disputas em torno do aumento do IOF, agora com capítulos no STF. Em meio a tantos vetores, o real resistiu às turbulências, mas continua sujeito à volatilidade, sobretudo diante do novo capítulo da guerra tarifária.
Leia mais para entender a conjuntura e as projeções para as próximas semanas.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4222 na segunda-feira (07/jul), um nível 1,0% inferior à abertura da semana anterior (30/jun). A cotação da moeda estrangeira registrou valorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (11/jul) cotado a R$5,5332, patamar 2,2% superior ao da abertura da sexta-feira anterior (04/jul). Entre as aberturas desta sexta-feira (11/jul) e da segunda-feira da semana anterior (30/jun), vimos uma desvalorização de 1,1% do real em relação ao dólar.
A notícia que mais impactou o mercado nesta semana veio dos EUA. A decisão do presidente Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras, válida a partir de 1º de agosto, provocou forte reação no câmbio. Como o Brasil exportou mais de US$40 bilhões aos EUA em 2024, a medida pode ter impacto bilionário sobre a balança comercial, afetando especialmente produtos como petróleo, derivados, ferro, aço e aeronaves.
Quanto ao cenário doméstico, os dados do comércio varejista apontaram nova retração em maio (-0,2%), após queda de 0,3% em abril, refletindo o impacto do crédito mais caro sobre o consumo das famílias. Em contrapartida, a arrecadação com IOF surpreendeu ao alcançar R$8 bilhões em junho, maior valor mensal desde 2005.
Essa elevação decorre do aumento das alíquotas e da ampliação da base de cobrança, mas a constitucionalidade da medida será questionada pelo Congresso no STF, o que pode gerar mais ruído político e incerteza regulatória.
Na indústria, os dados foram positivos: a produção de veículos avançou 7,8% no primeiro semestre de 2025, com destaque para a recuperação das exportações (+59,8%), impulsionadas pela volta da demanda argentina. Essa melhora ajuda a sustentar parte do real, que, apesar das tensões externas, segue beneficiado por algum fluxo comercial.
Ainda assim, o cenário global continua desafiador, e a guerra tarifária pode voltar a pressionar a moeda brasileira nas próximas semanas.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (07/jul) cotado a R$6,3882. Na abertura desta sexta-feira (11/jul), a cotação foi de R$6,4750. Portanto, a moeda brasileira registrou desvalorização de 1,4% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia perdeu força esta semana, revertendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1782 na segunda (07/jul) para US$1,1702 nesta sexta-feira (11/jul). Portanto, vimos uma desvalorização do euro de aproximadamente 0,7% (leia-se: é preciso menos dólares para comprar um euro).
Na Zona do Euro, o tom da política monetária segue cauteloso. O economista-chefe do BCE, Philip Lane, reforçou que, diante de um ambiente de elevada incerteza, o caminho mais prudente é manter a abordagem de decisões “reunião a reunião”, sem compromissos prévios com cortes ou altas adicionais nos juros.
Quanto à inflação, Lane destacou que os choques geopolíticos e comerciais têm exigido atenção redobrada sobre os preços e que o BCE continuará reagindo com base nos dados. Ao mesmo tempo, defendeu o uso da dívida comum europeia para financiar bens públicos regionais, acenando para uma integração fiscal mais profunda no bloco.
Ao mesmo tempo em que os economistas do BCE pregam cautela e medem os riscos das medidas, a atividade econômica da região continua estagnada. O Euro em patamares valorizados traz desafios para a economia europeia, como as exportações do setor industrial que tem sofrido com a concorrência asiática e incertezas geopolíticas.
Em relação às divulgações macroeconômicas, a semana foi pouco movimentada, sem dados de grande destaque.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (07/jul) cotada a R$7,4035, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (11/jul), R$7,5125. Trata-se de uma desvalorização de 1,5% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa perdeu força no decorrer da semana, mantendo a tendência de desvalorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (11/jul) cotada a US$1,3580 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3653, uma desvalorização de 0,5% da moeda britânica em relação ao dólar.
No Reino Unido, os riscos financeiros voltaram ao centro das atenções após o Banco da Inglaterra publicar seu relatório de estabilidade. O documento alertou para vulnerabilidades crescentes fora do sistema bancário tradicional, com destaque para o mercado de finanças privadas.
Segundo o Comitê de Política Financeira (FPC), a combinação entre alavancagem elevada, estruturas opacas e forte interconexão com ativos de risco pode amplificar choques e ameaçar a estabilidade. O BoE também apontou mudanças no comportamento de hedge cambial de investidores internacionais com exposição ao dólar, o que tem adicionado volatilidade aos mercados de financiamento.
Ainda que o presidente Andrew Bailey tenha reafirmado a capacidade do sistema britânico de absorver choques, o alerta do banco central é claro: os desequilíbrios seguem presentes, inclusive entre hedge funds e instrumentos estruturados de crédito.
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Perspectivas
A imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos deve dominar o noticiário econômico nas próximas semanas e tende a pesar sobre o real, principalmente se houver retaliações ou escalada da guerra comercial. Por outro lado, o real ainda encontra algum suporte em fundamentos locais. Quanto ao euro, a postura cautelosa do BCE e a estagnação econômica mantêm o câmbio sob controle, embora o deslocamento de capital internacional siga beneficiando a moeda comum. Já no Reino Unido, os alertas sobre riscos financeiros podem elevar a aversão ao risco e limitar o desempenho da libra. Nesse contexto, a moeda brasileira deve oscilar ao sabor dos eventos políticos e comerciais, mantendo uma trajetória volátil.
Seguimos de olho.