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No cenário doméstico, a inflação veio mais branda que o esperado, enquanto os indicadores de atividade mostraram sinais mistos, com leve retração no varejo e continuidade da expansão nos serviços. Além disso, o Plano Brasil Soberano, para mitigar danos do tarifaço, foi anunciado. Lá fora, os números dos Estados Unidos reforçaram a percepção de uma economia ainda aquecida, enquanto a Zona do Euro divulgou dados moderados de crescimento, acompanhados por uma fraqueza no setor industrial. No Reino Unido, os últimos indicadores trouxeram sinais de desaceleração alimentando debates sobre o ritmo dos futuros cortes de juros.
Leia e entenda melhor este cenário.
Real x dólar
Começamos a semana com o dólar cotado a R$5,4328 na segunda-feira (11/ago), um nível 1,9% inferior à abertura da semana anterior (04/ago). A cotação da moeda estrangeira registrou desvalorização ao longo desta semana e o dólar abriu o pregão desta sexta-feira (15/ago) cotado a R$5,4104, patamar 0,1% inferior ao da abertura da sexta-feira anterior (08/ago). Entre as aberturas desta sexta-feira (15/ago) e da segunda-feira da semana anterior (04/ago), vimos uma valorização de 2,3% do real em relação ao dólar.
O Plano Brasil Soberano foi anunciado e é um conjunto inicial de medidas para mitigar os impactos econômicos da elevação unilateral, em até 50%, das tarifas de importação sobre produtos brasileiros anunciada pelos Estados Unidos.
O pacote prevê o uso de R$30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações como funding para concessão de crédito a taxas mais acessíveis, priorizando empresas mais dependentes do mercado norte-americano, especialmente as de menor porte e setores mais afetados. Pequenas e médias empresas poderão recorrer a fundos garantidores para acessar o crédito, desde que mantenham o número de empregos.
No campo dos indicadores, o IPCA avançou 0,26% em julho, ligeiramente acima de junho, mas abaixo das estimativas do mercado. A alta foi puxada principalmente pelo grupo Habitação, influenciado pela elevação de 3,04% na energia elétrica residencial. Em contrapartida, o grupo Alimentação e bebidas registrou nova deflação.
Na atividade, o varejo recuou 0,1% em junho e mostrou desaceleração no segundo trimestre dado que o crescimento acumulado foi de 0,1% frente a 0,7% do trimestre anterior. Enquanto isso, o setor de serviços seguiu firme, marcando o quinto mês seguido de crescimento, com alta de 0,3%, e atingindo nível recorde da série histórica.
Mesmo com o crescimento dos serviços, a economia segue dando sinais de desaceleração. O efeito da elevada taxa de juros tem ficado evidente e esta deve permanecer assim mesmo com o arrefecimento inflacionário que acumula alta de 5,23% nos últimos 12 meses.
Nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI) mostrou avanço moderado de 0,2% em julho, após ter variado 0,3% e este resultado veio em linha com o consenso de mercado. Por outro lado, o índice de preços ao produtor subiu 0,9% no mesmo mês e em termos anuais foi para 3,3%, acima do que o consenso de mercado projetava, colocando em dúvida os próximos passos do Fed.
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Real x euro
O euro abriu o pregão de segunda-feira (11/ago) cotado a R$6,3295. Na abertura desta sexta-feira (15/ago), a cotação foi de R$6,3033. Portanto, a moeda brasileira teve valorização de 0,4% frente ao euro nesta semana.
Com relação ao dólar, a moeda europeia ganhou força esta semana, mantendo a tendência da semana anterior. A cotação do euro na moeda estadunidense passou de US$1,1646 na segunda (11/ago) para US$1,1651 nesta sexta-feira (15/ago). Portanto, vimos uma valorização do euro de aproximadamente 0,04% (leia-se: é preciso mais dólares para comprar um euro).
A segunda leitura preliminar mostrou que o PIB do bloco do euro cresceu 0,1% no segundo trimestre ante os três meses anteriores. Embora o resultado tenha sido modesto, pode ser interpretado como positivo, uma vez que diversos indicadores antecedentes mostram um quadro de estagnação com tendência a decrescimento. Na comparação anual, a alta foi de 1,4%.
O setor industrial, por outro lado, mostrou perda de fôlego, com queda de 1,3% na produção de junho frente a maio, contrariando as expectativas. Além disso, houve revisão dos dados de maio que saíram de alta de 1,7% para 1,1%.
A combinação de crescimento fraco e inflação mais controlada mantém no radar a possibilidade de cortes adicionais de juros pelo Banco Central Europeu, o que pode influenciar o desempenho da moeda europeia no curto prazo.
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Real x libra esterlina
A libra esterlina abriu o pregão de segunda-feira (11/ago) cotada a R$7,3074, patamar mais baixo que o registrado nesta sexta-feira (15/ago), R$7,3195. Trata-se de uma desvalorização de 0,2% do real frente à libra. Portanto, a semana foi marcada por uma desvalorização da moeda brasileira em relação à libra esterlina.
Em relação ao dólar, a moeda inglesa ganhou força no decorrer da semana, mantendo a tendência de valorização registrada na semana anterior, e abriu esta sexta-feira (15/ago) cotada a US$1,3529 após ter iniciado a semana cotada a US$1,3450, uma valorização de 0,6% da moeda britânica em relação ao dólar.
As vendas no varejo do Reino Unido caíram 1,8% em julho na comparação anual, sinalizando perda de força no consumo. No mercado de trabalho, o rendimento semanal médio, incluindo bônus, avançou 4,6% em junho, mantendo pressão sobre os custos, mesmo com queda de 6,2 mil no número de desempregados. Assim a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,7%.
No setor produtivo, os resultados vieram mistos: a produção industrial subiu 0,7% em junho, mas os investimentos das empresas caíram 4% no segundo trimestre.
Já o PIB cresceu 0,3% no segundo trimestre e 1,2% na comparação anual, mostrando um ritmo moderado de expansão. Esse conjunto de dados reforça o cenário de desaceleração gradual, o que mantém a expectativa de que o Banco da Inglaterra siga com cortes de juros de forma cautelosa.
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Perspectivas
O real deve continuar reagindo às sinalizações de política monetária no Brasil e no exterior, com os dados de inflação e atividade sendo determinantes para calibrar as expectativas. Nos Estados Unidos, os indicadores de inflação mistos e os juros altos devem seguir repercutindo nos ativos globais. Na Zona do Euro, a fragilidade industrial e o crescimento modesto aumentam a probabilidade de cortes adicionais pelo BCE, o que pode limitar o potencial de valorização do euro. Já no Reino Unido, os sinais de desaquecimento econômico sugerem um ciclo de afrouxamento monetário mais lento, deixando a libra sensível a novas leituras de preços e emprego.
Seguimos de olho.